sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Entrevista: Avi Rosenfeld


As novas tecnologias permitem coisas maravilhosas como esta: em Israel Avi Rosenfeld, um criativo de enorme capacidade, vai criando sucessivamente temas entre o hard rock e o rock clássico. Depois, fruto das suas parcerias, músicos de elevado talento espalhados por todo o mundo, executam, gravam e devolvem a Avi o seu resultado individual nesses temas. Por isso, só este ano já são três discos – um de hard rock e dois de classic rock. Sobre o primeiro – Very Heepy Very Purple V – já conversámos há uns tempos. Agora, focamo-nos em Shine e Dance Of Life And Death.

Olá Avi! Cá estamos nós novamente! Depois de um álbum de influência hard rock, lanças mais dois umligeiramente diferentes. Importas-te de descrever Shine e Dance Of Life And Death?
Os álbuns de Hard Rock são muito divertidos de fazer, mas também adoro escrever e gravar álbuns de Classic Rock. Quer Shine quer Dance Of Life And Death são mais no estilo Rock clássico. Ambos têm uma abordagem muito melódica, misturando diferentes estilos musicais com o rock e tem muitos grandes músicos, como Dean Wuksta, Tommaso Monopoli e Anton Wannemakers que tocam em algumas músicas, bem como muitos outros grandes talentos de todo o mundo.

Apesar de lançados separadamente, consigo notar uma continuação entre os dois. De alguma forma há uma ligação entre eles?
Sim, ambos os álbuns têm o núcleo principal no Rock Clássico, embora, claro, tenham caraterísticas diferentes que os fazem aguentar-se por conta própria. Essas diferenças podem ser em estilos diferentes que são incorporados na música, ou também porque parte dos músicos é diferente proporcionando outros sabores à música. Ambos os álbuns têm uma abordagem lírica mais pessoal e romântica em oposição aos álbuns de Hard Rock que têm letras fantásticas ao estilo de Dio.

Mas, também algumas pequenas diferenças são visíveis. Por exemplo, a riqueza instrumental é mais visível em Shine, acho eu. Foi uma "divisão temática" consciente?
Os diferentes instrumentos na música têm um papel, às vezes de voz de melodia, outras vezes para enfatizar um ritmo específico ou groove. Quanto mais instrumentos, melhor. Não acho que tenha planeado dividir as músicas tematicamente. Simplesmente tentei que encaixassem bem contando histórias sobre a vida.

Importante essa riqueza estilista. Como fazes para misturar todos esses estilos? Os teus convidados têm alguma palavra a dizer nesse aspeto?
O mundo é rico em música e as diferentes culturas do mundo têm muito a oferecer musicalmente. Acho isso muito fixe e inspiro-me aí. Geralmente gosto de os misturar na minha música que tem uma base principal, que é o rock. Também tenho mente aberta para ouvir outras ideias sugeridas pelos músicos no projeto. Houve algumas canções no passado que mudaram todo o seu estilo e groove depois do músico me ter enviado a sua ideia.Por exemplo, uma canção que supostamente era para ser um folk lento acabou por ter um estilo latino rápido.

Sempre com bases acústicas muito presentes em ambos os álbuns...
A guitarra acústica é o meu principal instrumento para escrever música. Até mesmo as músicas de Hard Rock são inicialmente escritas e às vezes até gravadas com guitarra acústica para a ideia inicial. Acho que o som acústico faz a música soar mais íntima e pessoal, como se o ouvinte estivesse sentado na mesma sala com a banda. Por exemplo, uma música como The Bird Eats The Worm pode parecer fixe com aquela parede de guitarras pesadas, mas acho que o estilo folk acústico foi o som mais correto para ela.

De qualquer forma, ambos os álbuns foram gravados há dois anos. Por que é que só agora foram lançados?
Porque há dois anos lancei álbuns que foram gravados há quatro anos atrás! Faço isso passo a passo. Uma boa música será também boa amanhã.

Penso que nunca deves parar de criar música. Qual será o teu próximo lançamento?
Sim, estou a trabalhar em mais músicas tanto no estilo Classic Rock quanto no estilo Hard Rock. Very Heepy Very Purple VI está em preparação. E posso dizer que o próximo álbum de Rock Clássico terá canções com novas influências musicais e aventuras, canções sobre amor e guerra, um macaco mafioso, uma história sobre o bobo Joe e Crazy Jane e muitos mais.

Em apenas um ano três lançamentos com diferenças significativas. Onde te sentes mais confortável a trabalhar – na cena do hard rock ou do rock clássico?
É mais confortável no Rock Clássico, é mais difícil de gravar um álbum Hard Rock. Ambos têm os seus momentos especiais.

E mais uma vez trabalhas com músicos de todo o mundo. Também colaboras com eles?
O processo de trabalho é o mesmo. É um álbum de colaboração mundial. Cada músico grava no seu próprio estúdio. Eles gravam as suas partes da forma que as sentem. Não nos sentamos juntos no mesmo estúdio como num processo normal. Genericamente podemos falar sobre feeling e groove, mas deixo os músicos expressar o seu talento. É isso que torna este processo divertido.

Desta vez cantas duas canções na tua língua nativa. Acredito que não tenha sido a primeira vez que aconteceu... dá mais cor à tua música, não concordas?
Concordo que acrescenta algo diferente ao álbum, mas nessas canções específicas, ambas tiveram as letras primeiro, e depois foi escrita a música. É assim que costumo fazer, mantive a ideia da música inicial e decidi não traduzi-la. Acho que as ideias iniciais têm a direção certa para uma música. A sensação correta.

Podes falar-nos um pouco das capas dos dois álbuns?
A capa de Shine é uma foto real que foi tirada na área do Mar Morto em Israel. Foi tirada pelo talentoso fotógrafo Haim Rosenfeld e foi feita em 262 frames, 30 segundos cada, costurados numa foto final. Imagem muito fixe! O artwok para Dance Of Life And Death foi feito pelo artista de fantasia Elsbro, que já fez algumas ótimas obras de arte fantásticas para outros álbuns meus anteriores.

Bem, Avi, mais uma vez, muito obrigado! Queres acrescentar mais alguma coisa?
Obrigado Pedro! Tenho certeza de que falaremos em breve. Até lá, viva o Rock'n'Roll!

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