segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Entrevista: Smokey Fingers

 
Com Columbus Way granjearam todo um respeito e reconhecimento internacional que um disco considerado por muitos como o melhor de southern rock desse ano pode proporcionar. Depois foram cinco anos a amadurecer bem um digno sucessor que surge na forma de Promised Land. Falamos dos Smokey Fingers, banda que parece saída da Georgia ou do Tennessee, mas não. São italianos! Mas a autenticidade do seu rock sulista é inegável. Fiquem com as ideias do coletivo transalpino.

Viva! A primeira pergunta é como surge uma banda de southern rock em Itália?
Olá e obrigado pela entrevista! Na verdade, não há nenhuma razão especial para que uma banda de southern rock nasça na Itália. A música é uma forma de arte tão universal que penso que vai além das fronteiras geográficas e desenvolve-se por si só. Os Blues, por exemplo, embora vindo originalmente dos EUA têm uma propagação posterior em todo o mundo, independentemente da raça ou etnia. O mesmo aconteceu com o jazz e o rock. Com o rock sulista também é verdade. No nosso caso, apenas houve a intenção de tocar o que realmente sentimos por dentro, sem realmente raciocinar em termos de género. Sempre estivemos ligados ao rock sulista, pelo que desde as fases inicias da banda que tentamos seguir a ligação àqueles que tinham feito muito na história deste género. No geral, penso que não escolhemos a música, é o contrário. É a música que escolhe as pessoas. Simplesmente esse tipo de música estava dentro de nós, de modo que se tornou natural seguir esse caminho.

Importam-se de falar um pouco da vossa história até agora?
Os Smokey Fingers nasceram em 2008. Éramos quatro amigos que já tinham tocado juntos, mas queríamos formar uma banda com um repertório original. Isto começou um pouco como brincadeira, experimentando ideias que tínhamos em mente. Não tínhamos qualquer expetativa de tocar, nem imaginávamos que gravaríamos algum disco! Simplesmente, passávamos longas horas em estúdio a tocar e, sem perceber, depois de alguns meses, tínhamos escrito um bom número de músicas. Isso levou ao nosso primeiro EP, embora o real ponto de viragem foi quando encontramos o nosso amigo Mario Percudani. Ele tinha acabado de assumir a Tanzan Music, uma histórica editora italiana e, depois de assistir a um dos nossos concertos sugeriu que colaborássemos com ele para fazer o nosso primeiro disco. Foi assim que nasceu Columbus Way, que foi recebido com entusiasmo, nos fez muito orgulhosos e nos deu a oportunidade de tocar tanto na Itália como no resto da Europa.

O vosso álbum anterior foi lançado há cinco anos. Por que esse período tão longo afastado das gravações? O que fizeram?
Bem, devo admitir que cinco anos é muito, mas, se considerares que nenhum de nós é profissional, já não parece tão longo. Vamos dizer que demoramos o tempo necessário, sem a pressão dos prazos. Ao longo destes anos concentramo-nos em promover a nossa música e nos espetáculos. Infelizmente nem sempre é fácil combinar trabalho, família e paixões. Temos os nossos espaços e vivemos a nossa vida. Promised Land surge mais de tudo isso e menos de planeamento. Nasceu pouco a pouco, quando chegou a hora de nascer, assim como Columbus Way.

Esse álbum, Columbus Way, foi eleito como um dos melhores álbuns de rock sulista no seu ano. Mais responsabilidade ou mais pressão para preparar este?
Por um lado, levarmos todo esse tempo fez que quase não sentíssemos qualquer pressão. Contudo, cada um de nós sentiu alguma responsabilidade. Depois de Columbus Way, muitas vezes tememos o nosso segundo álbum. De alguma forma não vivemos de acordo com as expetativas. Assim, decidimos simplesmente não pensar mais nisso. Acabamos por pensar na nossa música e não nos preocuparmos com o que se tornaria um “se”. Quisemos ser livres e não permitir que nenhum pensamento negativo atravessasse o caminho da nossa criatividade.

De facto, vocês alcançaram a vossa “terra prometida” com esta nova obra?
Este trabalho não é, definitivamente, uma conclusão, mas sim uma etapa importante no nosso caminho para a “Terra prometida". Digamos que estamos extremamente felizes e orgulhosos dele, mas certamente o conceito de "Terra prometida" tem um significado muito mais profundo. Ele personifica os nossos sonhos, esperanças e valores. Isto não representa necessariamente um lugar ou uma meta específica. É mais uma condição subjetiva interior. Muitas vezes o mundo deita-te abaixo e mata os teus sonhos e expetativas, e é precisamente por isso que nunca deves desistir, nunca parar de procurar a "terra prometida".

Neste álbum contam com diversos convidados. Podem falar um pouco deles e qual o input que trouxeram a Promised Land?
Foi algo que já havíamos feito em Columbus Way e gostamos da ideia de nos repetirmos um pouco, tal como fizeram nos anos 70 com colaborações entre os grandes da música americana. Vamos apenas pensar em Jackson Brown com Eagles e David Lindley, ou James Taylor com Danny Kortchmar e Carol King, só para citar alguns. Foi uma grande honra ter esses convidados a colaborar connosco, como certamente nos deram alguma coisa. Eles não são apenas excelentes músicos, mas também ótimas pessoas. Mario Percudani, que produziu o disco, é um amigo íntimo e sua colaboração tem sido sempre inestimável. Particularmente queríamos ter a sua guitarra no álbum e agradecemos profundamente que quisesse colocar uma canção como No More, que ele próprio compôs, nas nossas mãos. Paolo Apollo Negri é um dos mais elogiados executantes de Hammond na Europa e, assim como Mario, teve muitas colaborações importantes com artistas internacionais. Também faz parte da família Tanzan e conhece a nossa música muito bem, portanto encaixou-se perfeitamente, aprimorando as nossas canções sem distorcer a sua natureza essencial. Anchise Bolchi é conhecido mundialmente, especialmente no country e folk. Ter concordado em colaborar connosco foi uma grande honra e surpresa. Com o seu pedal steel e violino foi capaz de interpretar e caraterizar extraordinariamente as atmosferas de Promised Land tendo fornecido esse sentimento country-road-and-freedom. Por último, mas não menos importante, Marcella Casciaro e Sara Matera, duas grandes cantoras que queríamos que apoiassem em alguns dos momentos mais intensos do nosso disco, acrescentando que um pouco de soul e emoção.

Como decorreu o processo de gravação desta vez?
A experiência que ganhamos com Columbus Way acabou por ser muito útil. Para este segundo disco fomos para o estúdio com mais consciência e determinação. Também reforçamos o laço com o nosso produtor Mario Percudani e houve uma grande empatia. Estamos muito satisfeitos com o trabalho de estúdio.

Falando agora do futuro, quais são os vossos principais objetivos a alcançar?
É sempre difícil falar sobre o futuro. Somos uma banda take-it-day-by-day e preferimos não olhar demasiado para a frente. Definitivamente queremos tocar muito pela Europa e resto do mundo. Temos planos para alguns concertos importantes na Europa no próximo ano, mas não posso adiantar muito mais sobre isso.

Muito obrigado! Há mais alguma coisa que queiram acrescentar?
Obrigado por esta bela entrevista e obrigado a todos os amigos da Via Nocturna pelo seu apoio, foi um prazer falar contigo. Considerando os muitos fãs que nos seguem em Portugal, deveremos ir ao teu país em breve e levar a música dos Smokey Fingers ao vivo!

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