quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Entrevista: Bandzilla

Richard Niles tem um longo passado na história da música mas o seu último projeto é verdadeiramente colossal. A big band Bandzilla assina Bandzilla Rises onde 25 músicos e cantores (incluindo Leo Sayer e Randy Brecker) de quase todo o mundo colaboram para a criação de uma obra grandiosa de jazz-fusão. O mentor deste projeto, Richard Niles, contou-nos tudo a seu respeito.

Olá Richard, obrigado pela disponibilidade. Como nasceu este projeto Bandzilla?
Em 1985 fiz os arranjos de Slave To The Rhythm para o produtor Trevor Horn. Usei uma grande orquestra e uma big band de jazz tradicional a tocar uma combinação de bebop e funk. Esta foi sempre a minha marca registada de técnica de escrita. Um dos músicos da sessão, Guy Barker, pediu-me para começar a minha própria big band. E eu disse que faria isso se ele montasse os espetáculos.

Como surge este nome Bandzilla?
No álbum de Grace Jones, Trevor Horn chamou-nos The Big Beat Colossus. Mas a sua companhia não permitiu que usássemos esse nome, assim surgi com uma big band de músicos monstruosos, BANDZILLA.

É um projeto com muita gente envolvida. Como é feita a gestão de tantos músicos?
Estudei composição de jazz e arranjos no Berklee College of Music. Tenho trabalhado como produtor e compositor profissional desde 1975, trabalhando com grandes conjuntos. A orquestra é mais o meu instrumento do que a guitarra.

És o único compositor ou colaboras com outros músicos nesse trabalho?
Escrevi as músicas e as letras de todo o material, com exceção de Stone Jungle, que escrevi com a diva da soul Deniece Williams. Mas todas as faixas são colaborações com músicos verdadeiramente surpreendentes com quem tive a sorte de trabalhar. Um pedaço de papel manuscrito permanece em silêncio até que os músicos inspiram vida nele.

Consideras este o teu trabalho mais ambicioso até agora? Por quê?
Este é o meu melhor e mais ambicioso trabalho por causa do número de músicos talentosos e cantores que gravaram em todo o mundo. Ter grandes artistas como Leo Sayer, que teve 16 top 10 hits e Randy Brecker, que é um dos artistas mais influentes na história do jazz, é um prazer que não posso expressar com palavras. Também é importante salientar que todos os músicos deram os seus serviços pelo gosto pela música. O álbum teria sido impossivelmente caro se eu tivesse que pagar. Este facto faz-me ainda mais grato.

Assim, como descreverias Bandzilla Rises, nas tuas palavras para quem não vos conhece?
Bandzilla é mais facilmente descrito como jazz-fusão. Não vejo diferença entre estilos. É tudo música. Por isso misturo livremente funk, soul, rock, jazz, latin e elementos clássicos. Quero contar histórias e usar o estilo de música que melhor expressa o tema da peça.

Como decorreram as sessões de gravação?
O álbum foi gravado na Califórnia, Inglaterra, Escócia, Espanha e Austrália. Os músicos foram uma mistura internacional de brasileiros, ingleses, escoceses, americanos e polacos. Foi gravado peça a peça, ao longo de um período de 2 anos, dando-me a oportunidade de trabalhar intimamente com cada músico.

Haverá hipóteses de levar este projecto para palco ou será apenas um projeto de estúdio?
Novamente, e infelizmente, é uma questão de dinheiro. Colocar uma banda de 25 elementos no palco é uma proposta cara, portanto estamos agora a trabalhar no sentido de arranjar financiamento para fazer isso.

Em que outros projetos estás envolvido atualmente?
Sou produtor/compositor profissional desde 1975 e trabalhei com alguns dos maiores artistas da história, incluindo Paul McCartney, Ray Charles, Tina Turner, Cher, Michael McDonald, James Brown, Pet Shop Boys e Tears For Fears. No jazz trabalhei com Pat Metheny, Bob James, John Patitucci e Bob Mintzer. Como podes imaginar, BANDZILLA levou muito do meu tempo. E ainda estou a trabalhar arduamente na promoção do álbum. Também faço outro trabalho comercial. De momento, estou a organizar um novo projeto para Paul Carrack. Também ensino e faço masterclasses em faculdades. Sou muito ocupado!

Obrigado Richard. As últimas palavras são tuas...
Este projeto foi um trabalho de amor. Viverá ou morrerá dependendo se o público comprar ou não os discos a partir do nosso site, www.bandzilla.net. Assim sendo, estou feliz que a Via Nocturna nos esteja a dar a oportunidade de espalhar a palavra.

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