segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Entrevista: Scream Of The Soul

Depois de um silêncio longo de seis anos, os Scream Of The Soul estão de regresso aos discos com Children Of Yesterday que acaba até por ser, uma das boas surpresas deste ano em termos de sons mais pesados. Apesar dos muitos obstáculos que foram surgindo ao longo do caminho, perseverança foi coisa que não faltou a estes rapazes de Vila Nova de Famalicão. E o resultado vê-se… ou melhor ouve-se!

Olá! Obrigado pela disponibilidade! Para começar, contem-nos tudo sobre os Scream Of The Soul.
Viva! Em primeiro lugar, temos nós de agradecer pela atenção. É muito compensador sentir o interesse de outras pessoas. Os Scream of the Soul são o nosso projeto de adolescência que, contra todas as reais expetativas iniciais, se mantém ao fim de 10 anos, com os mesmos membros que o fundaram. Começámos a banda em janeiro de 2007. Na altura tínhamos 13 (Alexandre - bateria), 14 (Rudi - teclado) e 15 anos (André – baixo, e Cristiano – voz e guitarra), e queríamos fazer música juntos. Não tínhamos um estilo em mente, influências óbvias – até porque estávamos a descobrir todo um universo musical novo -, mas queríamos muito fazer música e dar concertos. E isso foi fundamental porque, apesar de termos todos pouca ou nenhuma prática, começámos rapidamente a dar concertos, a apresentar temas originais e a misturar uns covers retrabalhados pelo meio, e a evolução foi mais rápida. No final do verão de 2008, entrou a Ana Silva, para dividir as vozes com o Cristiano, tendo ficado connosco até abril de 2011. No período em que fomos um quinteto, decidimos ir para estúdio e gravar um primeiro trabalho – que foi o nosso EP, o Pathfinder – que lançámos em março de 2010. O EP teve uma aceitação interessante, e estivemos dois anos com muita atividade ao vivo, tendo a Ana saído no meio desse ciclo. Em 2012 estivemos mais preocupados em terminar os temas que iriam fazer parte do álbum, que começámos a gravar em junho de 2013. Depois foram aparecendo mil vicissitudes, pessoais e profissionais, que foram arrastando o processo de gravação e produção. Para dar uma ideia do tipo de dificuldades, o Rudi foi deslocalizado para a Alemanha – e o termo não é inocente – durante 9 meses, para a casa-mãe da empresa onde trabalha. Como os Scream of the Soul só existem na presença dos seus fundadores, esperámos pacientemente o regresso para lançar o álbum. Lançámos o álbum em março de 2016, já, e temos tentado espalhar novamente a nossa música, embora as dificuldades sejam, por vezes, um pouco desmotivadoras.

Por isso, esse longo silêncio desde 2010. Mas têm estado ocupados, não? O que têm feito?
Como dissemos, o processo de produção deste álbum foi muito demorado. Entre o momento em que começámos a captar bateria, até ao momento em que lançámos o álbum, passaram 33 meses. Isso mexeu connosco, naturalmente, porque contávamos gravar o álbum em 4 ou 5 meses, no princípio. Foi uma fase muito complicada e houve alturas em que parecia que a coisa estava enguiçada e que nunca teríamos o trabalho pronto. Resumindo, depois de lançarmos o EP, estivemos 2 anos a dar muitos concertos, e quase 3 enterrados no estúdio, com um concerto pontual. Agora voltámos à estrada, ainda a meio-gás, mas com intenção de atingir velocidade de cruzeiro em 2017!

Onde é mais notória e visível a vossa evolução desde Pathfinder?
A resposta mais simples é tudo. Quando gravámos o EP tínhamos uma média de 17 anos. Era a primeira vez que o fazíamos. As canções eram todas antigas, muito simples na sua composição e arranjos. Tivemos muito tempo para pensar os temas, também, para definir o que é o nosso som e o que queremos que uma canção represente. Não inventámos nada, mas é possível dizer que temos uma identidade mais definida e fazemos canções melhores e mais ricas. Se quem nos ouvir concordar com isto, então estamos a fazer as coisas bem!

Uma das caraterísticas deste disco é a sua curta duração. Vocês alinham naquele princípio que diz que é melhor pouco e bom?
Sim, sem dúvida. Uma das coisas boas do período pré-CD, é que – a menos que fosse um lançamento duplo – havia uma limitação física na duração de um álbum. E é uma limitação que coincide com aquilo que achamos ser o tamanho ideal de um álbum – entre 30 a 45 minutos. É uma questão de atenção e de absorção. O CD esbateu um pouco isto. Passou a ser normal haver álbuns com 60 ou 70 minutos e, a menos que sejam álbuns excecionais, não é difícil que tudo o que de bom podia ter sido apresentado em 40 minutos, se vá diluindo ao longo desse tempo. Uma vez, numa entrevista a uma banda suíça de Hard Rock, o jornalista pergunta-lhes como correu o processo de composição. O vocalista disse muito feliz que tinham composto 30 canções e, depois, escolhido as 11 melhores. Porque raio não se concentraram logo a fazer 11 boas? Por outro lado, queremos que as pessoas ouçam o trabalho na sua totalidade. Com 31 minutos, podes ouvir o nosso álbum no carro enquanto vais para o trabalho de manhã e voltas à tarde ou à noite. Podes ouvi-lo enquanto lavas o carro, enquanto lês um pdf chato como tudo, enfim, é todo-o-terreno. Dito isto, é seguro dizer que muito dificilmente haverá um álbum de Scream of the Soul com mais de 45 minutos, no futuro.

Como surge a Ethereal Sound Works no vosso caminho?
Depois de prepararmos a edição física, quisemos começar a enviar promos às editoras que pudessem ter interesse no nosso álbum ou em colaborações futuras. A Ethereal Sound Works é uma editora de referência no panorama nacional, e tem algumas caraterísticas muito relevantes: o ecletismo, o contacto com os artistas e os promotores, a experiência no meio, o reconhecimento dos seus pares, etc. Tivemos a sorte de agradar e agora estamos a preparar a nossa parceria mais a sério. A Ethereal Sound Works lançará em breve o nosso álbum em formato digital, em todas as plataformas, e estamos muito entusiasmados com o que isso poderá trazer. Não sabemos ainda se a parceira se manterá a médio-longo prazo, com lançamentos futuros – tudo dependerá de como correr esta experiência, naturalmente – mas seria excelente para nós.

Uma vez que já passaram seis anos desde Pathfinder, pergunto, se estes temas são todos recentes ou se resultam de um processo de composição ao longo dos anos?
São temas que foram sendo compostos ao longo do tempo. Nós gostamos de dedicar atenção a um tema de cada vez. Não achamos que isso torne o álbum desconexo – pelo contrário. Queríamos que o álbum soasse diverso e, se nós já tivéssemos uma identidade definida, isso bastaria para dar coerência ao álbum e fazê-lo soar como um todo harmonioso, ainda que heterogéneo. Para dar uma ideia, o tema mais antigo foi composto na altura em que gravámos o EP, no final de 2009, e o mais recente no princípio de 2013. Desafio: será que conseguem dizer quais são?


Em termos de gravação, como decorreu a experiência? Onde gravaram? 
Em 2009 gravámos o Pathfinder com o Pedro “Grave” Alves no seu GraveStudio, em Braga. O Pedro tem sido mais do que um amigo, desde então, e não havia como não voltar lá para gravar o Children Of Yesterday. Como dissemos, foi um processo longo e atribulado. Mas o Pedro foi sempre incansável e o entusiasmo que tinha com este trabalho foi sempre aumentando. Tendo em conta a repetição da combinação banda-produtor-estúdio, a evolução entre o EP e o álbum tornam-se ainda mais evidentes. O som do álbum está aquilo que imaginámos, com muito poucos detalhes que mudaríamos. E isso descansou-nos depois desta cruzada de quase 3 anos. Foi um verdadeiro trabalho de equipa e foi muito bom chegar ao fim satisfeito – não seria incompreensível que já nem pudéssemos ouvir estes temas no final, mas isso não aconteceu.

No que diz respeito a concertos? Como está a vossa agenda?
Ainda está muito pobre! Em 2016 procurámos regressar ao ativo no que diz respeito a concertos regulares. Demos 6, mas queremos tocar muito mais em 2017. Tem sido complicado chegar às pessoas. O underground está muito compartimentado, funciona demasiado por nichos e nós cabemos mal em todos, porque vamos beber um pouco a cada pia. De qualquer forma, vamos começar 2017 com o concerto de 10º aniversário da banda. Será na primeira metade de fevereiro no auditório do Teatro Construção, em Joana (Famalicão). A data está ainda pendente, mas a localização está já assegurada. Depois, esperámos poder voltar a correr este país, de norte a sul e do litoral para o interior, tal como fizemos entre 2010 e 2012.

Projetos ainda para cumprir nos próximos tempos? O que têm em mente?
Neste momento queremos muito continuar a promover o álbum em concertos. Temos algumas ideias para fazer ao longo de 10º ano de banda. Gostávamos muito de organizar um pequeno festival de hard n’heavy na nossa zona. Indoor, um único dia, low-profile. É um desejo adiado há vários anos, e parece que esse ano poderá ser possível reunir as condições necessárias. De resto, não ficaremos outros 6 anos sem lançar material novo! Já temos dois temas para o próximo trabalho – fazemos sempre um de cada vez, como se fosse um filho muito querido! – e há um terceiro em preparação. Se conseguirmos começar a gravar de novo no início de 2018, será excelente. De resto, é isto. Não mudou muito em 10 anos. Queremos fazer música, tocá-la ao vivo e andar por todo o lado. É bastante simples.

Mais uma vez obrigado! Querem acrescentar mais alguma coisa?
Muito obrigado nós, pela oportunidade de conversarmos e nos darmos a conhecer. Queremos só pedir a quem ler estas linhas que dê um salto ao nosso bandcamp e que tire as suas próprias conclusões. E, se gostar, partilha, divulgue, mostre a toda a gente. Em breve vai poder tê-la através do iTunes, do Spotify, etc. Queremos levar a nossa música a todo o lado! Obrigado ao Via Nocturna por nos ajudar!

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