quarta-feira, 5 de abril de 2017

Entrevista: R. U. S. T. X



Devem ser caso único no mundo do rock e metal: uma banda composta por quatro irmãos (mais precisamente três irmãos e a sua irmã mais nova). A família Xanthou reúne-se em torno de amplificadores e instrumentos para criar heavy metal de grande qualidade. E foi essa mesma família que se juntou para saciar a nossa curiosidade a seu respeito.

Viva, como estão? Para começar, falem-nos a respeito desta nova vida que se repercutiu na adição da letra X ao nome anterior.
PANAYIOTIS XANTHOU (PX): Estamos fantásticos, irmão! Obrigado! A banda R.U.S.T. está ativa desde 2003 e em 2014 vimos que literalmente a banda estava a dirigir-se para o fundo. O nosso vocalista teve de mudar-se para Edimburgo devido a questões de trabalho e o nosso guitarrista estava muito ocupado com o seu trabalho e a sua vida. Portanto, discutimos e tivemos que fazer algumas mudanças no lineup por forma a manter a chama viva. Os três irmãos George (baixo/vocais), eu (guitarras/vocais) e John (bateria/vocais) mantivemos a banda, mas queríamos algo novo. E a verdade é que isso estava mesmo ao nosso lado. A nossa irmã mais nova Katerina (teclados/vocais). Por isso fizemos também uma pequena mudança no nome. Colocamos o X ao lado de R.U.S.T. para mostrar que a família Xanthou manteve a chama dos R.U.S.T. bem viva apenas com uma pequena mudança de lineup e de sonoridade.

Bem, nome da banda e nome do álbum com siglas. O que significa cada uma dessas letras em ambos os casos?
GEORGE XANTHOU (GX): Desde a formação da primeira banda R.U.S.T. que houve um conceito atrás do nosso nome. Um conceito que prometemos não revelar, já que queríamos manter algum mistério e deixar o público a fazer exercícios matemáticos. Agora, quando se trata do título do novo álbum, T.T.P.M., significa Travelling Through Parallel Minds. Foi um título escolhido porque pensamos que representa perfeitamente tudo no novo álbum e na nossa nova abordagem musical. Ao ouvirem o novo álbum, sentir-se-ão como que a viajar através de diferentes estilos musicais criados por quatro pessoas diferentes. E assim, é como viajar através de mentes paralelas.

Já com este line-up lançaram um EP de três temas. Foi uma espécie de apresentação do novo membro, neste caso, da vossa irmã?
KATERINA XANTHOU (KX): Sim, podemos dizer que foi como uma pequena apresentação do novo lineup e das mudanças para um tipo de música mais progressiva heavy/rock por causa do novo instrumento que introduzimos, o teclado. Quando começamos a criar novas músicas, quisemos apresentar esta nova orientação para que a comunidade Rock e Metal no Chipre pudesse conhecer as notícias da nossa banda e também para vermos a reação das pessoas. As três músicas que gravamos, a primeira Evagoras, a segunda Revolution-X e a terceira Destiny Riders, são três músicas diferentes entre elas, principalmente porque cada um de nós, mesmo que estejamos a ouvir o mesmo tipo de música, temos diferentes influências de muitas bandas Heavy/Rock e queríamos que todos tivessem uma parte sua na criação. Isso não significa que não haja ligação entre elas, já que as três no geral falam da sociedade e como as pessoas estão agir e como deveriam agir.

Precisamente, vocês devem ser um caso único - três irmãos e uma irmã. Tudo em família, portanto... É por isso que há uma música chamada Brothers And Sisters?
PX: Há cerca de um ano fomos entrevistados pelo Chromium Sun (https://www.youtube.com/watch?v=mDH5ZDsIofs) e o entrevistador fez-nos a mesma pergunta. Devemos ser a única banda de Metal/Rock composta por três irmãos e uma irmã. A canção Brothers and Sisters do nosso álbum T.T.P.M. sim, é sobre nós, mas também sobre todos que têm um grupo e vão até ao bar todos os sábados ou sexta à noite para sentirem o Rock ‘n’ Roll. A canção é dedicada a todos os nossos irmãos e irmãs em todo o mundo que têm este sentimento cada vez que vão com os seus amigos, família, irmãos e irmãs abanar a cabeça num concerto ou num bar.

E T. T. P. M. é o vosso novo álbum, um excelente trabalho, permitam-me que diga. Como foi a sua conceção e criação? Foi um processo longo e árduo ou não?
GX: Depois desta nova banda se ter juntado, todos nós tínhamos ideias diferentes e começamos a compor. A maioria das canções não combinava porque eram substancialmente diferentes, mas, de qualquer forma, terminamo-las. E antes que nos apercebêssemos, tínhamos um álbum cheio de estilos musicais muito diferentes. Agora, quanto tempo demorou? Vamos colocar desta forma. Durante um ano, reunimos todos os sábados de manhã na casa dos nossos pais (era uma oportunidade de comer os cozinhados na nossa mãe) para ensaiar. Assim que nos sentimos fortes tomamos uma grande decisão, embalamos as nossas coisas e viajamos para Piombino, Itália, onde pusemos em áudio todas as nossas ideias. Obrigado Andrea e Alex pelo incrível trabalho!

Até agora, as primeiras reviews têm sido muito boas. Naturalmente, vocês sabiam que tinham um grande trabalho em mãos, mas há sempre aquele nervosinho, não é?
KX: Como podemos ver até agora sim, temos boas críticas e mais uma vez, obrigado por teres entrado em contacto connosco. Esperamos ter outros comentários também para que possamos ver como podemos melhorar algumas partes, ou o mais importante, se a nossa missão está no bom caminho (risos), porque nos preocupamos em espalhar esta música que criamos e para explicar às pessoas que devemos agir de forma igual aos outros e às outras culturas. Mas também para tentar ser mais positivo no nosso estilo de vida e tentar ajudar os outros neste mundo injusto em que vivemos. Para este trabalho, também estamos muito felizes por termos tido ao nosso lado o nosso amigo e engenheiro de som Andrea Ramacciotti e toda a Família Italiana principalmente da banda Dark Quarterer, porque ele é incrível e seu trabalho foi excelente e exatamente como queríamos que o álbum soasse. Estamos muito gratos por ter esta oportunidade no seu estúdio, Woodstock Studios em Piombino.

No que diz respeito ao tema Kalikantzaroi – suponho que seja um tema popular cipriota. Como surgiu a ideia de o recriar?
GX: Kalikantzaroi é uma lenda folclórica muito antiga no Chipre. Diz-se que a terra é mantida pela árvore gigante subterrânea da vida e os Kalikantzaroi (pretos, peludos, perniciosos pequenos demónios) tentam constantemente cortá-la durante todo o ano. Durante cada período de Natal, os Kalikantzaroi saem do subterrâneo para causar caos e fazer algum mal sobre a terra e o seu povo. A árvore da vida regenera e quando os Kalikatzaroi regressam ao subterrâneo, a história começa mais uma vez. Eu e Nikoletta (a minha namorada) somos grandes fãs de filmes de terror da velha escola. Queríamos combinar esse sentimento que se tem quando se assiste a um clássico filme de terror com a lenda Kalikantzaroi. Quando tivemos as letras, tudo o resto surgiu. Improvisamos com duas guitarras acústicas e a música nasceu.

Sei que têm sido ajudados por um dos mais importantes selos cipriotas, a Pitch Black Records, na promoção deste disco. Isso permitiu que os R. U. S. T. X chegassem ainda mais longe?
PX: Sim, foi. Phivos Papadopoulos (dono da Pitch Black Records) é um grande amigo nosso há bastantes anos. Aqui, na pequena ilha de Chipre, conhecemos todos os que estão ativos na Comunidade do Metal. Também somos os principais organizadores do Power of the Night Festival (o único festival open air de heavy metal no Chipre), juntamente com alguns amigos e alguns membros dos Hardraw (banda de heavy metal do Chipre). A Pitch Black Records expande-se cada ano mais e mais e com ela as bandas que ajuda. Portanto, mais uma vez, obrigado Pitch Black Records por nos ajudares com a nossa música. (RESPECT BRO)

Que projetos têm em mente para os próximos tempos?
JX: Composição de mais e mais canções e tocá-las ao vivo em Chipre e no estrangeiro. Estamos a tentar organizar concertos para a França, Chipre e talvez para a Grécia para promover o nosso novo álbum. Promover a nossa música em todo o mundo e tentar tocar ao vivo também noutros lugares da Terra que gostem de boa música Rock/Metal.

Obrigado, querem acrescentar algo mais que não tenha sido abordado nesta entrevista?
KX: A maior parte foi abordada, a única coisa que queremos adicionar, enquanto banda, é uma pequena mensagem para que cada metalhead, rocker, músico, artista e ouvinte de música, não pare de criar arte. É algo que permanecerá para sempre no tempo. Agradecemos a Via Nocturna pelo seu tempo e esperamos que as pessoas gostem e viajem com a nossa música.

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