segunda-feira, 24 de abril de 2017

Entrevista: Sabotage Club


Quatro anos. É este o período que passou desde que o Sabotage Club abriu as suas portas. Muitas histórias, muitos eventos, muita música. Nomes emergentes e consagrados. Estilos diversos mas como denominador comum o rock ‘n’ roll. A festa, no final deste mês, promete ser de arromba. Ana Paula, um dos elementos responsáveis pelo espaço, falou do que passou e do que há-de vir. A começar na comemoração do 4º aniversário.

Olá, tudo bem? Aí estão quase passados os primeiros 4 anos do Sabotage Rock ‘n’ Roll Club. Que balanço fazes destes primeiros 4 anos?
O balanço é positivo, o Sabotage Club já consegue ser uma sala de referência em Lisboa e para muitos músicos ponto de passagem obrigatório. A sua programação conta já com a presença de inúmeras bandas internacionais e diversas festas que desenvolvem áreas mais específicas do Rock n’Roll, sempre com uma seleção cuidada de DJS, como é o caso da Kaleidoscope, da Chills and Fever, da Cool Trash Club e das mais recentes Rock and Roll Suicide e Press Play que já contam com algumas edições e têm tido uma crescente adesão do público. É um prazer receber imensos músicos, artistas, DJS, fotógrafos, jornalistas, amantes de música, malta para quem a música tem um papel especial na vida. Foi para isso que foi pensado o Sabotage Club, para ser um espaço que promove o intercâmbio cultural entre músicos nacionais e estrangeiros e o público em geral. O Sabotage já consegue ser esse espaço em Lisboa e são cada vez mais os estrangeiros que nos visitam e regressam e os portugueses que nunca de lá saem.

Os objetivos com que há quatro iniciaram este projeto estão todos cumpridos ou ainda não?
O objetivo principal que era o de criar uma sala de concertos, que fosse palco para a apresentação de novos projetos musicais, tem sido cumprido. A inclusão de bandas internacionais na nossa programação tem estado a começar a acontecer com mais regularidade. Diria que já estamos a conseguir fazer o que nos propusemos quando abrimos esta sala ao público mas é um trabalho que tem sido construído e que se constrói todos os dias e em todas as noites em que os eventos decorrem.

Na altura foi essa a forma que encontraste para ultrapassar as dificuldades da indústria musical. Olhando para trás, sentes que foi a decisão correta?
Não foi fácil desistir da representação e distribuição de alguns catálogos e artistas que tanto gostávamos. Na altura questionámo-nos muito sobre parar a distribuidora pois adorávamos o trabalho que desenvolvíamos mas as condições só tendiam a piorar, dada a transformação da indústria discográfica. Tínhamos imensos artistas internacionais que podíamos trazer a Portugal para atuar mas não era fácil conseguir materializar isso, queríamos encontrar um espaço público que nos permitisse desenvolver um recinto multidisciplinar de música ao vivo e promover o intercâmbio cultural entre músicos nacionais e estrangeiros. Dessa forma talvez fosse possível sobreviver como distribuidora, trazendo cá os músicos para atuar mas batemos a muitas capelinhas e não surgiu nenhuma oportunidade viável e a dada altura tivemos que tomar a decisão mais séria e dura da nossa vida de deixar de representar centenas de catálogos independentes que tanto gostávamos, comunicar a nossa decisão a editoras que há já vários anos trabalhavam connosco e sair do mundo musical da forma profissional como vivíamos há já 10 anos. Confesso que foi como se o mundo todo se fechasse num só dia. Mas foi como se terminasse um para ir à procura do outro e conseguir ter mais tempo para iniciar de forma mais ativa a busca de um espaço onde pudéssemos dar continuidade ao projeto da Sabotage. Foi um processo muito moroso, que começou em 2009, altura em que encerrámos como editora e distribuidor, e acabou em 2013, ano em que abrimos como sala de concertos. Estamos certos que foi a decisão correta.

Ainda têm alguma parcela dedicada à distribuição e promoção de música ou essa vertente está de todo posta de lado?
A distribuição terminou no início de 2009 mas o bicho do editor e do promotor de espetáculos continua vivo e retomarmos a ZOUNDS, que era a nossa editora e produtora de eventos noutras salas, são dois projetos para os quais temos algumas ideias em vista.

No final deste mês estão, então de parabéns. O que está ser planeado para comemorar essa data em termos de concertos e não só?
Vamos ter uma série de concertos e DJ SETs de muitos dos Djs que ao longo de todo ano animam as noites no Sabotage Club. Vão ser quatro noites de festa para celebrar o nosso quarto aniversário. A primeira noite, 27/04, arranca com o concerto dos CAPITÃO FANTASMA, um reencontro com Jorge Bruto por muitos esperado seguido dos DJS Serotonin e Nuno Rabino. O dia 28/04 é dedicado a novas bandas nacionais cujos trabalhos se destacam pela sua qualidade e criatividade. São eles ALEK REIN, MEMÓRIA DE PEIXE e CAVE STORY. Após os concertos a festa continua com os DJS Mário Lopes, António Manuel e Nuno Rabino. No dia 29/04 o Sabotage Club recebe TAV FALCO PHANTER BURNS, artista norte americano, músico, fotógrafo, realizador e performer, pioneiro da cena psychobilly junto com nomes como The Cramps, e que trabalhou com nomes como Alex Chilton, Charlie Feathers, etc. A noite prossegue com os DJS A Boy Named Sue, Johnny Chase e Nuno Rabino. Dia 30/04 temos Repórter Estrábico, um regresso aos palcos passados 12 anos, e com temas novos para apresentar. Vamos ver o que nos vêm reportar desta vez. Na primeira parta atuam os SACAPLASTICA e nesta noite os DJS são Tiago Castro, Dr Feelgood e Nuno Rabino.

Pude ler em qualquer lado que foram mais de 500 concertos nestes últimos quatro anos. Como se consegue isso?
Com muito trabalho diariamente e uma equipa de pessoas que adoram aquilo que fazem, nem sempre se consegue juntar trabalho e amor, mas quando isso acontece é muito bom e é isso que acontece no Sabotage Club. Somos poucos mas gostamos muito de desenvolver este projeto. Mas não é só mérito nosso, é também fruto de uma série de malta que está a fazer coisas boas e é surpreendente ver a quantidade de excelentes projetos que existem em Portugal. É para nós um prazer poder receber no palco do Sabotage esses projetos. Mas não é fácil manter uma agenda permanente de eventos e isso é de facto um trabalho constante.

Desse número, certamente houve alguns marcantes, por este ou aquele motivo. Queres referir algum deles?
Sim, houve várias surpresas. Os Parkinsons foram a primeira para mim, quando há muito ausentes dos palcos em Portugal deram o seu primeiro concerto no palco do Sabotage. Ainda estávamos no início e nunca tínhamos tido uma banda da história do rock n’roll no Sabotage Club, estas bandas são uma inspiração para novos músicos. Ouve muitas e é difícil de enumerar. Os Cosmic Dead também deram um concerto brutal, foi provavelmente uma das melhores bandas em palco que algum dia vi no Sabotage. Os Pop Dell Art já cá deram concertos extraordinários, o concerto dos TOY foi uma verdadeira experiencia sónica, o concerto do KID CONGO foi também outra grande noite, chegou depois da hora marcada do início do concerto a Lisboa e ainda tinha que fazer o sound check e começar o concerto às 23:30 porque na véspera tinha estado a tocar em Barcelona mas foi incrível. Fez o sound check em 5 minutos e arrancou com o concerto, isto não é para todos. As Black Wizards, os 10000 Russos, os Japanese Girl, os Ghost Hunt ou o baterista Ricardo Martins foram sem dúvida grandes surpresas, mas houve muitos mais.

E depois da festa de aniversário? Que projetos estão em manga para serem realizados?
Vamos ter o concerto dos ARCHIE AND THE BUNCKERS, uma recente descoberta nossa do universo independente internacional, a tour do novo álbum dos WHITE HILLS (USA) vai passar pelo Sabotage já em junho próximo, ESCAPE ISM o projeto de spoken word de Ian Svenious dos Make Up/Chain and the Gang, o lançamento do novo álbum dos 10000 Russos, são apenas algumas das surpresas que aí vêm. Está nos nossos planos de alguma forma retomar a promoção de eventos noutras salas fora do Sabotage com bandas de maior dimensão e levar o Sabotage Club a outras cidades.

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