Reviews VN2000: BLACK & DAMNED; BARDOS DE AMERGIN; THE MOOR; SOWILO; NACHTSCHATTEN

 


Resurrection (BLACK & DAMNED)

(2024, Rock Of Angels Records/Reigning Phoenix Music)

Com apenas cinco anos de existência, Resurrection é já o terceiro álbum para os Black & Damned. Mas, desta vez, este registo está longe de ser uma ressurreição, mais aprecendo uma pálida sombra do que a banda produziu, principalmente no álbum de estreia, Heavenly Creatures. Muito limitado nas suas linhas melódicas, muito desinspirado na fase de criar canções, e com uma sucessão de camadas vocais e instrumentais que não conjugam, Resurrection raramente consegue empogar. Red Heavens e os dois temas finais acabam por se revelarem como os momentos mais conseguidos de um álbum onde prevalecem as canções demasiadamente formatadas e sem capacidade de surpreender. Claro que os aspetos de execução estão bem definidos, mas falta tudo o resto, chegando-se ao final do álbum sem que um único solo, riff ou trecho melódico tenha ficado no ouvido. [78%]



 

Hinos Alcoólicos (BARDOS DE AMERGIN)

(2025, Independente)

Com Hinos Alcoólicos, os Bardos de Amergin erguem os copos num brinde à tradição, à música e ao espírito de celebração. Este que é mais um projeto do hiper ativo Melkor, junta uma coleção de temas inspirados em mitos e folclore, revelando-se um convite vibrante à comunhão através da música, evocando tabernas ruidosas, banquetes festivos e rituais sagrados onde a embriaguez se transforma em arte. Melkor, uma vez mais mentor e artesão solitário do projeto, assina integralmente composição, gravação, mistura e masterização, esculpindo melodias que sublinham a força dos cânticos ancestrais. Para este trabalho não cede a artifícios modernos num registo visceral que mergulha nas raízes da tradição e cria uma sonoridade orgânica. Apesar de não ser um registo com muita dinâmica, a participação de Pedro Raimundo nos teclados adiciona uma dimensão harmónica que ajuda a enriquecer a atmosfera festiva de um conjunto de canções que são um tributo à ancestralidade musical e ao espírito comunitário e um convite para erguer a voz, brindar ao passado e deixar-se levar pelo eco dos bardos. [78%]



 

Ombra (THE MOOR)

(2024, Inertial Music)

Seis anos após Jupiter’s Immigrants, os italianos The Moor estreiam um novo um novo baterista (Edo Sala) e assistem ao regresso do guitarrista Davide Carraro no seu retorno aos álbuns com Ombra. Mais uma vez, este é um trabalho onde o coletivo manifesta a sua apetência pela fusão de estilos construindo um conjunto de temas assentes numa tapeçaria sonora dinâmica e dramática. E, desde a bombástica e grandiosa introdução, Intro – Il Tema Dell’Ombra, que o disco evidencia um instrumental meticulosamente desenhado, com Illuminant a servir de excelente exemplo dessa complexidade. A banda equilibra habilmente passagens de rock e metal progressivo com elementos de doom e death metal, destacando-se a alternância entre vocais limpos e guturais, particularmente espetacular no tema-título, brilhantemente vocalizado em italiano com a dualidade limpo/berrado a resultar num belo efeito musical. Em Passage, o álbum atinge outro nível de sofisticação quando guitarras acústicas, órgão e vozes graves constroem um momento de grande impacto melódico. Embora possa não apresentar uma identidade inteiramente singular, Ombra é um trabalho que se distingue pela sua riqueza instrumental, pela sua intensidade emocional e pela sua facilidade em se tornar percetível no meio de tanta complexidade. E isso tem que ser valorizado. [84%]



 

… In The Darkness (SOWILO)

(2025, Independente)

Nascido no outono de 2020 em Cascais, Sowilo é um projeto que reflete as inquietações do presente e a esperança num futuro que todos precisaremos. Criado por João "Jonas" Farinha, membro dos Yokovich, este projeto insere-se no espectro do metal alternativo, mas sem se prender a rótulos rígidos, explorando uma sonoridade que cruza elementos do pop com as camadas intensas do metal extremo. Para dar vida a essa jornada sonora, Jonas contou com a colaboração de nomes de peso da cena nacional, como Ivo Durães (Faemine) que empresta a sua intensidade à densa Deadly Mist, Lex Thunder (Toxikull) que adiciona a sua energia vocal cortante a Panmedic, e Miguel Sousa (Yokovich) que imprime uma marca única em Paws. Cada participação contribui para uma parede sonora diversificada, que oscila entre atmosferas melancólicas e explosões de fúria catártica. Musicalmente, … In The Darkness não se limita, como já referimos, a seguir uma única fórmula, mas sim a absorver e reinterpretar influências diversas. O metal alternativo serve de base, mas há incursões pelo industrial, pelo progressivo, pelo djent e até pelo nu metal, reminiscente de um passado que ainda ecoa no presente. E, neste frágil equilíbrio entre a introspeção e libertação, João Farinha constroi um álbum com boas dinâmicas mas com temas pouco ligados e muito polarizados, perdendo na na consistência e solidez. [70%]



 

Leuchtfeuer (NACHTSCHATTEN)

(2020, Fastball Music)

Numa altura em que Polaris já roda por aí como a nova proposta dos Nachtschatten (e ao qual nos dedicaremos em breve), torna-se relevante regressarmos cinco anos no tempo e revisitarmos o EP Leuchtfeuer. Antes de mais, é importante salientar que este coletivo germânico é um bom exemplo duma procura por uma diferenciação dentro do death metal melódico. Uma diferenciação que assenta, sobretudo, na autenticidade que resulta da escolha da língua nativa para as suas composições e numa abordagem melódica que, por vezes, desvia o peso esperado para uma dimensão mais acessível e atmosférica. E tudo isso é percetível neste EP onde se apresenta um conjunto coeso de seis temas que demonstram uma evolução face ao álbum de estreia, Prolog (2015). Para tal, a banda opta por um equilíbrio entre agressividade e melodia, deixando espaço para uma produção clara que realça os detalhes instrumentais. A clareza das composições, a identidade da banda e a natureza melódica do trabalho são os aspetos mais relevantes deste Leuchtfeuer. Embora não seja um lançamento que reinvente o género, é uma peça bem executada que reforça a evolução da banda. [82%]

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