Entrevista: D. A. D.

 



No passado dia 16 de janeiro, o Hard Club, no Porto, assistiu ao pontapé de saída da segunda parte do Cowpunks & Glampires Tour com o tão aguardado regresso aos palcos portugueses dos D. A. D. e dos The 69 Eyes. Algumas horas antes de subir a palco, estivemos à conversa com um divertido Jesper Binzer que nos falou das diferenças entre as duas partes da digressão, das alterações no setlist (a pensar em Portugal!) e da forma como as canções do mais recente Speed Of Darkness se têm afirmado em palco.

 

Olá, Jesper, esta é a primeira noite da digressão. Como te sentes em relação a esta nova digressão?

Quero dizer, há duas coisas nisso. É ótimo estar de volta à digressão. Estava ansioso por isso. Mas também tocar em Portugal... Quero dizer, vamos tocar em Lisboa amanhã. E é sempre ótimo para os DAD estarem em Portugal. E esta é a primeira vez em Porto em muitos anos, acho eu. Não me lembro bem, mas...

 

Sim, desde 2020, acho eu.

Sim. Por isso, estamos muito ansiosos por isso. Isto é... Infelizmente, este é o ponto alto da digressão. A partir de agora, só vai ser a descer (risos).

 

Sim, lembro-me de me teres dito da última vez que falámos que adoras o público português.

Sim…

 

Acho que também estás à espera disso esta noite.

Sim!

 

E há algum ritual pré-espetáculo que costumes fazer?

Sim, sim. Fazemos uma coisinha, que é segredo. Porque se dissermos em voz alta, deixa de ser segredo. E isso já não é bom. Portanto... sim. Fazemos uma coisa antes do espetáculo.

 

Esta é a segunda parte da digressão Cowpunks And Glampires. Que diferenças há entre as duas partes?

Acho que... Ainda não sei, porque esta é a primeira noite (risos).

 

Sim. Mas em termos de setlist, há algo que talvez tenham percebido que não estava a funcionar na primeira parte...

Ah, sim. Mudámos um pouco. Colocámos uma favorita portuguesa.

 

Sim? Qual é? Podes dizer-nos?

Ah, sim. Claro. Claro, vamos tocar Point Of View. Não tínhamos isso na setlist antes.

 

Quero dizer, eu vi o repertório dos outros espetáculos. Era um repertório muito bom. E agora, com Point Of View, vai ficar ainda melhor. E quanto às músicas do Speed Of Darkness, o vosso último álbum? Irão tocar três delas, certo?

Acho que sim. Acho que vamos tocar três delas agora, neste momento, sim.

 

E como é que a relação com elas evoluiu agora que as estão a tocar ao vivo? 

Algumas músicas do Speed Of Darkness poderiam estar na lista de músicas, mas queríamos fazer algo diferente. E tocámos Crazy Wings ao vivo em Copenhaga, e algumas outras. Strange Terrain também. São músicas ótimas para tocar, mas as pessoas querem ouvir as antigas. Portanto, tens realmente tem que pesar como fazer isso. E é engraçado porque, uma vez que elas saem do setlist, provavelmente não vão voltar. Por isso, talvez Crazy Wings e Strange Terrain não voltem ao setlist. Quem sabe? Mas nós também gostamos dessas músicas. Claro, God Prays To Man também tem sido importante no setlist. Não está no setlist agora. Mas, como disseste, é da primeira noite da tournée lá e temos um ótimo setlist. E agora, com Point Of View, está ainda melhor, com certeza.

 

Esta é uma digressão com os The 69 Eyes. Como tem sido a relação com eles?

Nós adoramos o rock and roll finlandês. Há tantas bandas de rock finlandesas de que somos fãs. A Finlândia foi uma grande influência para os DAD nos anos 80. Para nós, é como ter bons amigos connosco. O engraçado é que achamos que viemos do mesmo lugar, mas o público tem uma opinião diferente. Eles acham que somos duas bandas diferentes; é muito engraçado. Às vezes vemos um punhado de góticos a sair quando entramos no palco. É assim.

 

Eles têm um som mais sombrio. Vocês são sempre mais alegres...

Sim.

 

Disseste que já passou muito tempo desde que tocaram no Porto, desde 2020, acho eu. Que lembranças guardam dos espetáculos anteriores aqui?

Sardinhas, sardinhas, sardinhas. Não acho que os espetáculos... É difícil diferenciar, mas a cidade realmente causou um grande impacto. Nunca estive aqui como turista e quero estar. Por isso, sempre que estive aqui com os DAD, fui turista e tentei comer o máximo possível.

 

Há alguma música que estejas particularmente ansioso ou entusiasmado por tocar esta noite? 

Quer dizer, além de Point Of View, que é uma das favoritas dos portugueses. Não, estou um pouco ansioso com a 1st, 2nd & 3rd porque me esqueci da parte do meio. Vou perguntar ao meu irmão e vai ficar tudo bem. E estou muito ansioso para tocar Grow Or Pay, porque os fãs portugueses são os únicos a cantar junto com o riff. Pelo menos vai acontecer em Lisboa. Não sei se vai acontecer aqui hoje à noite também.

 

Sim, vou garantir que todos cantem e se divirtam.

Perfeito, obrigado (risos).

 

O que teria de acontecer esta noite para que dissesses que foi um concerto perfeito?

Para ser sincero, quando tocamos juntos, quando a música se torna uma unidade, é como se fosse a magia. Não acho que... O público tem o seu papel, mas é tipo 50-50. Portanto, primeiro a banda precisa de se apresentar e ser uma unidade coesa, ter o ritmo certo e saber o que está a fazer. E quando o público percebe isso, torna-se perfeito. E essa é uma noite perfeita. Mas tem de começar com a banda.

 

Sim, parece perfeito. E como banda, na vossa parte, vocês sempre têm muita improvisação nos espetáculos.

Ah, sim, isso acontece. Sim, com certeza. E isso é bom quando se toca em clubes de rock. Há muito espaço para fazer coisas.

 

E essa é uma das coisas que vos diferenciam de muitas outras bandas. Quão importante é essa espontaneidade para o vosso som?

Acho que é muito importante ter um plano, ter uma lista de músicas e ter algum tipo de... É muito importante ter uma rotina. Mas, para que essa rotina funcione, é preciso ter todo tipo de coisas novas todos os dias. Por isso, é muito importante que toda a parte da rotina inspire muitas coisas malucas. E essa lista de músicas faz isso. Há muita diversão além do fazer... Gosto de ter uma lista de músicas, gosto de ter essa rotina, gosto de saber o que estamos a fazer e, além disso, gosto de fazer coisas malucas.

 

E nessa lista de músicas, entre as coisas malucas, podemos esperar Counting The Cattle esta noite?

Sim, Counting The Cattle. A última vez que tocámos Counting The Cattle... uau, foi há muito tempo. Porque, na verdade, em determinado momento também a transformámos numa batida mais hip-hop. Mas não a tocamos há muito tempo.

 

E eu só tinha uma última pergunta, que, na verdade, era mais dirigida ao Stig, mas talvez também possas responder. Quantos baixos ele trouxe para o espetáculo desta noite?

Boa pergunta. Não sei, talvez seis, sete.

 

Ok, estou ansioso por isso. Acho que é tudo. Muito obrigado.

Obrigado.

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