A viver uma segunda vida marcada por consistência, foco e uma
energia criativa raras, Embrace The
Awakening surge como mais um passo firme num percurso de afirmação dos
Mezzrow no thrash metal contemporâneo. A banda sueca reúne músicos com
passado em bandas como Nightrage, Aeon ou Hexenhaus, tendo canalizado essa
experiência acumulada para uma abordagem mais direta, madura e pensada para o
palco, sem perder de vista a herança deixada por Summon Thy Demons.
Nesta entrevista, os Mezzrow falam-nos deste novo capítulo da sua existência.
Um capítulo que confirma que, décadas depois, o thrash continua bem vivo
e em permanente estado de alerta.
Olá, pessoal, obrigado
pela disponibilidade. Falando dos Mezzrow, a banda hoje inclui músicos com
forte experiência em bandas como Nightrage, Aeon, Hexenhaus ou Rosicrucian. De
que forma essa experiência combinada influenciou a dinâmica da composição e a
direção técnica da música?
Olá, Via Nocturna. É um prazer estar ao dispor! Bem,
obtemos uma dinâmica muito boa e perspetivas interessantes, embora todos na banda
tenham um grande apreço pelo thrash da Bay Area e pelo thrash metal
em geral.
Embrace The Awakening
marca mais um capítulo importante no renascimento dos Mezzrow. Que princípios
orientadores estabeleceram para vocês mesmos quando começaram a compor este novo
álbum no final de 2023?
Para começar, queríamos realmente um material um pouco
mais direto e focámos muito para que as músicas funcionassem numa situação ao
vivo. Também queríamos dar o próximo passo na nossa progressão e queríamos que
o álbum fosse um pouco mais “acessível” para o fã médio de thrash metal.
Mas, ao mesmo tempo, não queríamos nos afastar muito de Summon Thy Demons.
Descrevem o novo álbum
como mais direto, mas mantendo-se fiel ao espírito de Summon Thy Demons.
Onde achas que estão as maiores diferenças sonoras ou conceptuais entre os dois
álbuns?
Como disse anteriormente, este novo álbum é um pouco
mais direto e também incluímos alguns elementos que soam um pouco mais “suecos”
no que diz respeito a harmonias e melodias.
As raízes do thrash da Bay Area
estão mais uma vez fortemente presentes, mas o novo material parece mais
sombrio e maduro. Que elementos específicos vocês enfatizaram mais desta vez
para alcançar essa evolução?
Este álbum reflete muito sobre o mundo e a sociedade
atual, o que o torna um pouco mais sombrio do que STD. (Embora o mundo já fosse
um lugar sombrio mesmo em 2021-22.) Além disso, tivemos tempo para refletir
sobre o STD e desenvolver coisas a partir dessas músicas e usar esse
conhecimento quando começámos as sessões de composição para o ETA em setembro
de 2023.
A vossa versão de Ritual, dos Ghost,
surpreendeu muitos fãs. O que vos levou a reinterpretar uma faixa tão
inesperada e como a adaptaram ao estilo thrash metal dos Mezzrow?
Podíamos ter feito uma versão dos Forbidden ou
dos Old Testament, mas isso teria sido muito previsível. Portanto,
decidimos procurar algo fora do comum e, de preferência, sueco. Por que não Ghost?
Ninguém tinha feito um cover dos Ghost antes, pelo menos não alguém
conhecido, e Ritual tinha um bom potencial se olhares para a sua
estrutura e o refrão forte. Ficou como queríamos e a maioria das pessoas parece
ter gostado!
De qualquer forma, essa
música não foi incluída no álbum. Porquê?
Foi apenas uma coisa única e parecia errado incluí-la.
Optámos por incluir o nosso álbum ao vivo como material extra, o que foi uma
boa decisão.
Mudaram recentemente
para a ROAR para este álbum. O que motivou a mudança de editora e o que acharam
que a ROAR poderia oferecer em termos de visão, promoção ou liberdade artística
que se alinhasse com a vossa fase atual?
Na verdade, é muito simples. Nós assinamos com a Fireflash
Records, que foi comprada pela RPM, assim como a ROAR. Portanto,
essas duas editoras menores fundiram-se numa única e Markus Wosgien, o nosso
chefe na Fireflash, seguiu para a RPM/ROAR e nós também.
Até agora, tudo tem sido ótimo e todo o processo em torno do álbum parece bom.
O novo álbum inclui um
disco bónus de Keep It True – Live, que captura o vosso primeiro concerto
na Alemanha e marca a estreia ao vivo de Alvaro “Alvis” Svanerö. A chegada de
Alvis à bateria remodelou a energia da banda?
Alvis é um baterista muito experiente, com um vasto
repertório. Foi Magnus, o nosso guitarrista, que sugeriu que o
experimentássemos quando Jon Skäre nos disse que estava interessado em
tornar-se o nosso baterista permanente. Alvis tem sido ótimo até agora e traz
muita tranquilidade à banda!
Desde a vossa reunião,
têm estado extraordinariamente ativos. Novos álbuns, singles, apresentações
em festivais e até um álbum ao vivo. O que esse período intenso de criatividade
e tournées vos ensinou sobre os Mezzrow como banda hoje em comparação com o
início dos anos 90?
Sentimos que, quando se tem uma “segunda oportunidade”
como esta, é preciso cuidar dela e realmente pensar em como lidar com ela. Por
isso, criamos uma lista de desejos e tentamos segui-la da melhor maneira
possível. Também temos uma estrutura de trabalho muito boa em torno da banda, o
que é essencial, já que todos temos famílias e empregos regulares. Tudo isso
nos tornou muito eficazes!
O artwork do álbum,
criado por Pär Olofsson, desempenha mais uma vez um papel visual importante.
Que conceitos ou atmosferas pretendiam refletir visualmente e quão próximo foi
o vosso trabalho com ele durante o processo de design?
Sabíamos o que estávamos à procura e queríamos usar o Pär
desde o início. Mas ele é um pouco caro, portanto, procuramos algo mais barato,
mas quase tão bom quanto o Pär. Mas, no final, entrei em contacto com o Pär
para ver se ele já tinha algo pronto para vender. Ele enviou-me algumas
sugestões por e-mail e uma delas tornou-se a capa. Tivemos que fazer
algumas alterações, e o Pär fez isso de graça. Estamos muito satisfeitos com a
capa! Além disso, Jani Stefanovic fez um excelente trabalho no layout.
Após um período tão
produtivo, quais são as vossas expetativas para a digressão que se aproxima e que
músicas do novo álbum acreditam que se tornarão instantaneamente sucessos ao
vivo?
Queremos muito tocar mais ao vivo, mas temos
dificuldade em encontrar espetáculos. A concorrência é muito forte e os grandes
festivais estão sempre lotados. Mas vamos ver. Espero que possamos tocar fora
da Escandinávia no próximo verão!
Obrigado, mais uma vez! Gostariam de enviar uma mensagem aos vossos fãs ou aos nossos leitores?
Obrigado pelo convite e lembrem-se: uma vez thrasher, sempre thrasher.




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