Live Report: Cowpunks & Glampires Tour 2026 (D. A. D. + The 69 Eyes)

 


A noite de 16 de janeiro trouxe à Sala 1 do Hard Club no Porto a primeira noite da segunda parte da Cowpunks & Glampires Tour 2026 que une os D.A.D. e os The 69 Eyes. Apesar de, à primeira vista, a junção poder parecer estranha (góticos finlandeses a abrir para o glam rock expansivo e irreverente dos dinamarqueses), a energia contagiante e o espírito brincalhão de ambas as bandas criaram uma noite memorável, onde o público saiu exausto de tanto entusiasmo.


O primeiro ato da noite pertenceu aos vampiros de Helsínquia, The 69 Eyes. Tocando o seu primeiro concerto de sempre na cidade invicta, os ícones do rock gótico não arriscaram e optaram por apresentar todas as favoritas dos fãs, encontrando ainda tempo para I Survive, o seu mais recente tema. Desde o início do concerto se percebeu o alto nível de energia que viria a caracterizar a noite. Extremamente bem oleados, os finlandeses mergulharam a sala numa atmosfera gótica com o seu rock ‘n’ roll de sombras e melodias densas sempre tocadas com a precisão e o carisma que os tornou num fenómeno mundial. De If You Love Me The Morning After a The Chair, passando por Gothic Girl, Brandon Lee e a inesperada Wasting The Dawn, os The 69 Eyes apresentaram um concerto extremamente bem conseguido que pecou apenas pelo elevado número de canções semelhantes que acabaram por causar algum desgaste no público.


Ainda assim, a atitude quase juvenil do quinteto manteve-se ao longo de todo o set e estendeu-se para o encore onde se registaria o ponto mais alto da noite. Depois do Hard Club dançar ao som de Dance D’Amour, Jirky 69, o vocalista e líder dos vampiros de Helsínquia convidou o lobisomem português, Fernando Ribeiro, a juntar-se à festa e a interpretar Lost Boys, o tema que encerrou o concerto. A entrada do vocalista dos Moonspell e estrela maior do gótico português incendiou a sala e transformou o final do concerto num momento de pura euforia, com o público a reagir com aplausos ensurdecedores e gritos de entusiasmo.



Depois, as gabardines de couro negro e os lábios pintados de preto abandonaram a Sala 1 do Hard Club e abraçaram o frio da noite portuense e foi a vez dos D.A.D. cobrirem a sala de cores com o seu glam colorido e festivo. Pouco antes do concerto, Jesper Binzer, o líder dos dinamarqueses partilhara connosco que, na sua opinião, um concerto perfeito começava com uma exibição perfeita por parte da banda (ler entrevista completa aqui. E foi precisamente isso que apresentaram nessa noite.

Jihad abriu a todo o vapor o setlist especialmente adaptado para o público português (com a inclusão de Point Of View e a dedicatória de Grow Or Pay), antes de 1st, 2nd and 3rd, Speed Of Darkness e The Ghost intercaladas com Riding With Sue, Girl Nation e Rim Of Hell balancearem a sobriedade do seu mais recente álbum, Speed Of Darkness (lançado em 2024), com a expansividade que marcou o seu início de carreira.


Depois, Jesper Binzer largou a sua flying V, abandonou o palco e avançou para o meio do público onde cantou a balada Something Good de forma mais intimista. Foi o primeiro de uma sequência de clássicos que incendiou a sala e que levou os fãs a cantarolar cada riff, verso e refrão tocado pelos dinamarqueses.

Reimaginadas criativamente in situ pelo quarteto, as músicas ganharam nova vida. Faixas de apenas 3 minutos transformaram-se em jams com mais de 10 minutos, recheadas de solos do maestro Jacob Binzer e das brincadeiras de Jesper Binzer e Stig Pedersen que, portando os seus tradicionais baixos de duas cordas (destaque para o foguetão e para a azeitona) e vestido como uma cheerleader, arrancou risos e aplausos do público a cada intervenção.


A espiral ascendente atingiria o topo com Monster Philosophy. Para além do seu riff cheio de groove, este clássico da era mais moderna contou com um prolongado solo de bateria, em que o público participou ativamente. Quem imaginaria gritar “oh, he likes to eat sweet bacalhau” durante um solo de bateria? O momento foi ao mesmo tempo surreal e hilariante, cortesia de Laust Sonne, um verdadeiro mago por detrás da bateria. Cada movimento parece desafiar a gravidade, transformando o instrumento numa extensão do seu próprio corpo.


O concerto terminaria com Sleeping My Day Away, que levou o público ao delírio. Mas a noite ainda reservava uma última surpresa. O encore, com Laugh ‘n a ½, transformou a Sala 1 num coro afinado e ensurdecedor, fechando a noite com chave de ouro e uma energia avassaladora e inesquecível que deixou cada pessoa presente com a sensação de ter feito parte de algo verdadeiramente memorável.

Entre a atmosfera gótica dos finlandeses e o glam colorido e irreverente dos dinamarqueses, o público viveu uma montanha-russa de emoções, diversão e música de altíssimo nível, saindo do Hard Club com a certeza de ter assistido a um espetáculo memorável. 


Agradecimentos: Nuno Reis e Caminhos Metálicos




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