Set The Dark On Fire (EDENBRIDGE)
Steamhammer/SPV
Lançamento: 16/janeiro/2026
Quase a
cumprir três décadas de carreira, os Edenbridge continuam firmes num
percurso artístico bem definido, onde já não se esperam grandes ruturas
estilísticas ou surpresas radicais. Em vez disso, Set The Dark On Fire
aposta naquilo que o coletivo austríaco sempre soube fazer melhor: a construção
de canções melódicas com elegância e subtileza. Sem ter que provar nada a
ninguém, a banda avança com segurança e maturidade, consciente da sua
identidade e do lugar que ocupa no universo do metal sinfónico. Este é o
12.º álbum de estúdio e revela também uma banda a acompanhar o evoluir
dos tempos. Isso torna-se particularmente evidente em alguns riffs de
recorte mais moderno, que surgem de forma pontual, mas eficaz ao longo do
alinhamento, nomeadamente em Cosmic Embrace, Set The Dark On Fire
e a segunda parte de Spark Of The Everflame, The Winding Road To
Evermore. No centro de tudo está, mais uma vez, por um lado Sabine
Edelsbacher, e por outro Lanvall. A vocalista continua a cantar magistralmente,
mas fá-lo com uma sobriedade exemplar, dispensando malabarismos técnicos ou
exageros desnecessários. A sua prestação assenta numa maturidade vocal plena. O
guitarrista delicia-nos com solos do mais fino recorte técnico e melódico. E
volta a enriquecer o som da banda com o recurso a uma panóplia de instrumentos
tradicionais. Musicalmente, os Edenbridge constroem um percurso sonoro
cuidadosamente escalonado, em que cada faixa acrescenta novas camadas de
intensidade, atmosfera e identidade. Um dos momentos mais destacados é Where
The Wild Things Are que apresenta uma distinta via criativa para a banda.
De matriz folk/celta, é um tema muito sing-along e catchy,
assente numa base acústica que culmina num elegante solo de guitarra clássica. Colado
ao primeiro de dois interlúdios, Tears Of The Prophets, surge outro dos
pontos altos deste disco. Our Place Among The Stars é uma peça brilhante.
Compassada, sustentada por riffs doomy e afinações mais graves, é, sem
exagero, uma das manifestações mais brutais de metal melódico presentes
no álbum e, em bom rigor, em toda a carreira dos austríacos. Num registo
contrastante, Bonded By The Light aposta numa aura cinematográfica e hollywoodesca
que remete facilmente para um imaginário digno de um filme de James Bond.
Divine Dawn Reveal funciona como novo interlúdio, abrindo caminho para outro
genial momento. Trata-se de Lighthouse, um dos temas mais mutáveis do
disco, caraterizado por sucessivas mudanças rítmico-melódicas. Para o final, e
mantendo a tradição, o encerramento é feito com um longo épico, Spark Of The
Everflame, dividido em quatro partes que funciona como resumo de tudo o que
foi apresentado. No conjunto, Set The Dark On Fire revela-se um trabalho
multifacetado, ambicioso e cuidadosamente estruturado, capaz de conjugar peso,
melodia, emoção e narrativa. Um disco que confirma a longevidade e a relevância
dos Edenbridge, apresentando-se como um dos registos mais completos e identitários
da sua carreira. [90%]
Highlights
Our Place Among The Stars, Lighthouse, Bonded By The Light, Where The
Wild Things Are, Spark Of The Everflame, Cosmic Embrace
1. The Ghosthip Diaries
2. Cosmic Embrace
3. Where The Wild Things Are
4. Tears Of The Prophets
5. Our Place Among The Stars
6. Set The Dark On Fire
7. Bonded By The Light
8. Divine Dawn Reveal
9. Lighthouse
10. Spark Of The Everflame – Let Time Begin
11. Spark Of The Everflame – The Winding Road To Evermore
12. Spark Of The Everflame – Per Aspera Ad Astra
13. Spark Of The Everflame – Where It Ends, Is Where It Starts
Line-up
Sabine
Edelsbacher – vocais
Lanvall
– guitarras, piano, teclados, dulcimer, sitar elétrico, ukulele,
bouzouki, harpa indiana, bandolim, tampura, monocórdio
Johannes Gral – bateria
Steve Hall – baixo
Sven
Sevens – guitarra solo
Convidado
Thomas
Strübler – vocais, coros
Internet
Edição

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