Depois de três anos
de silêncio criativo, Solitário regressa com Alas, um disco
profundamente honesto que chegou a 24 de dezembro, data que coincide com o 42.º
aniversário de João Campos, mentor e rosto do projeto. Este é o seu primeiro
álbum desde a interrupção do seu processo criativo, motivada por uma profunda
reorganização da vida pessoal: a paternidade em plena pandemia e a consequente
transformação do seu espaço mental e emocional. Um período de pausa forçada que
acabaria por redefinir a forma como o músico se relaciona com a criação
artística. O projeto Solitário nasceu em 2020, num mundo em rutura,
quando João se afastou das guitarras que marcaram o seu percurso em Her Name
Was Fire e Gula, para explorar sintetizadores e novas linguagens
sonoras. Dessa fase inicial resultaram o EP Temporal e, mais tarde,
quatro singles que abriram caminho a Alas. Composto e produzido
em Helsínquia, onde o músico reside desde 2019, o álbum nasce da fricção entre
dois mundos: o frio do Norte europeu e a memória quente do Sul. Essa distância
geográfica intensifica o olhar crítico e vulnerável sobre Portugal, patente em
letras que abordam tensões sociais e identitárias, como se ouve de forma clara
em Filhos de Abril. O single de avanço, Amigos Como Sempre, surge agora com a
participação de PH, que acrescenta um verso direto e feroz, elevando a
intensidade do tema.

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