Entrevista: Fili Bibiano's Fortress

 




Na música, o tempo raramente é neutro. Acumula intenções, redefine prioridades e, por vezes, obriga a recomeçar com outra clareza. É nesse espaço de cinco anos que Fili Bibiano reenquadra o seu percurso e devolve Fili Bibiano's Fortress ao ativo com Death Is Your Master. Nesta conversa, onde o mentor assume sem rodeios a sua importância no projeto, revisita-se o hiato que separa os dois álbuns, as motivações por detrás das mudanças no seio da banda e a forma como a experiência acumulada fora do projeto acabou por influenciar este regresso.

 

Olá, Fili, como estás? Obrigado pela sua disponibilidade. Death Is Your Master chega cinco anos depois de Don’t Spare The Wicked. O que aconteceu durante esse intervalo e como esse tempo moldou a direção e a identidade do novo álbum?

Olá, estou bem. Durante esse tempo, comecei a banda Intranced porque me queria concentrar em tournées. Os Intranced foram baseados na ideia de fazer tournées e viajar, porque os membros dos Fortress infelizmente não podiam fazer isso na altura. Portanto, estive ocupado a viajar pelo mundo e a tocar ao vivo para todos. Quando tive a oportunidade de voltar a trabalhar na música dos Fortress, pensei muito sobre como eu queria que soasse. Aperfeiçoiei cuidadosamente as minhas capacidades de composição para entregar algo de maior qualidade. Por isso, sim, o tempo longe definitivamente deu-me clareza e a oportunidade de estudar música mais a fundo.

 

Em que momento decidiste seguir com o nome Fili Bibiano's Fortress, em vez de simplesmente Fortress? Quão importante é essa distinção para a identidade do projeto hoje?

Bem, na verdade, foi ideia do vocalista anterior, porque havia muitas bandas chamadas Fortress. Eu sou o principal compositor da banda e a música é a minha visão, portanto, decidimos usar o meu nome para que os fãs nos pudessem encontrar depois de todo este tempo.

 

Afirmaram que, desta vez, o processo de composição foi muito instintivo, tocando o que vinha naturalmente e seguindo o que parecia certo. Foi uma abordagem libertadora em comparação com o álbum de estreia?

Eu eduquei-me mais sobre estrutura musical, melodia e harmonia. Depois disso, tornou-se mais fácil criar músicas melhores. Sinto-me mais livre para compor o que quero sem que as pessoas me digam «não» ou sem ter que esperar pelos outros, portanto, diria que sim, foi muito mais libertador, especialmente com os ótimos músicos que tenho na banda agora.

 

Este álbum apresenta Juan Aguila como o novo vocalista principal. O que é que ele trouxe para a banda que o tornou a escolha certa para Death Is Your Master?

Ele trouxe o seu extraordinário alcance vocal para a música, o que me permite pintar com uma paleta mais complexa. O facto de ele fazer parte da banda permite-me compor músicas melhores e de maior qualidade, sem comprometer nada.

 

Mesmo com a mudança vocal, Chris Nunes ainda aparece em Blackest Night. Por que foi importante para ti incluir a voz dele nesta faixa em particular?

Porque ele foi uma parte muito importante do início da banda e eu queria incluí-lo. Além disso, por que não?

 

Mais uma vez, tu tocaste guitarra, baixo e sintetizador no álbum, para além de o produzir. É desafiador ter tanto controle criativo sobre o disco?

É desafiador NÃO ter controle sobre o álbum. Ter controlo criativo e menos pessoas a trabalhar no álbum é mais eficiente. Sou mais do que capaz de fazer tudo isso e não tenho problema em trabalhar duro.

 

O estilo neoclássico de guitarra continua a ser uma das marcas registadas mais fortes do projeto. Vês isso como uma missão consciente de preservar e reviver uma tradição que está se a tornar rara no heavy metal moderno?

Sim. A minha missão é inspirar e elevar o nível da música. Quero que as pessoas se sintam desafiadas e escrevam músicas mais inspiradoras. Algo mais original e que venha do coração.

 

Em comparação com Don't Spare The Wicked, onde achas que Death Is Your Master assume os maiores riscos, seja musicalmente ou em termos de atmosfera?

Acho que as melodias vocais são onde assumimos o maior risco. Na minha opinião, as pessoas geralmente são atraídas por vocais que elas mesmas conseguem acompanhar e cantar. Neste álbum, os vocais são muito difíceis de cantar e de acompanhar com o ouvido de uma pessoa comum. Portanto, acho que isso pode ter sido arriscado, mas não me importo, é a minha música, faço o que quero (risos).

 

O álbum é relativamente conciso, tanto em número de faixas como em duração. Para ti, é importante deixar o ouvinte a querer mais?

Sim. Também não quero colocar nenhuma música fraca no álbum. As pessoas parecem gostar da duração curta do álbum. Acho que dá para ouvir várias vezes. Quero que as pessoas queiram mais. Talvez quando tiver mais sucesso, dê mais às pessoas.

 

Com Death Is Your Master agora lançado pela High Roller Records, como imaginas o próximo capítulo para Fili Bibiano's Fortress?

Tenho uma banda forte agora e acho que continuaremos a lançar música o máximo que pudermos e a estar mais presentes para os nossos fãs. Estamos prontos para fazer uma digressão e estamos a procurar marcar mais concertos também.

 

O que planeaste para promover este álbum no palco?

Tivemos um concerto em Los Angeles com os poderosos Omen a 28 de fevereiro. Tocámos algumas músicas do novo álbum e vendemos merchandise.

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