Review: The Mortal Light (CLIVE NOLAN)

 


The Mortal Light (CLIVE NOLAN)

Crime Records/We Låve Rock

Lançamento: 15/fevereiro/2026

 

Há obras que se limitam a ser discos. Outras aspiram a palco. E depois, há aquelas que praticamente exigem cortinas vermelhas, cenografia monumental e luzes de ribalta. É nesta última categoria que se insere o novo trabalho de Clive Nolan. Concebido como um musical rock em dois atos e com mais de duas horas de duração, The Mortal Light apresenta-se como uma produção ambiciosa desde a génese: escrito ao longo de quatro anos e gravado entre 2022 e 2024 no Thin Ice Studio, com mistura e masterização de Karl Groom.  O resultado? Um objeto artístico que, mesmo ouvido em CD, já soa a espetáculo de grande sala. Daqueles que imaginamos naturalmente nos palcos da Broadway ou do West End, pela escala, dramatismo e vocação cénica. Este é o terceiro capítulo da série musical Alchemy, continuando as aventuras do Professor Samuel King num universo vitoriano steampunk repleto de perigos, aliados e antagonistas. Desta vez, a narrativa leva-o até à Noruega, onde enfrenta a sua maior ameaça: a semideusa malévola Makaria, residente nas regiões mais remotas de Hamningberg. Nolan constrói a obra como dramaturgo musical clássico: personagens com temas próprios, motivos recorrentes e diálogos cantados que fazem avançar a narrativa. A estrutura em dois atos reforça essa lógica cénica e aproxima o formato do teatro musical tradicional. O próprio compositor, responsável por música, letras e produção, assume o papel de arquiteto absoluto do espetáculo sonoro, o que, na realidade, está condizente com o seu percurso enquanto compositor de formação clássica e figura central do rock progressivo sinfónico. Narrativamente, The Mortal Light funciona como um romance musical de fantasia sombria. O herói e os seus aliados atravessam provações sucessivas até ao confronto final com Makaria, num enredo que combina aventura, intriga e misticismo. A história é expansiva, episódica e deliberadamente teatral, construída como uma sucessão de quadros dramáticos. Musicalmente, a obra situa-se num ponto de interseção raro: a energia do rock progressivo com a grandiosidade do teatro musical clássico. A comparação com produções ao estilo de Andrew Lloyd Webber ou com o dramatismo épico de grandes musicais históricos revela um retrato fiel da ambição estética aqui patente. Há aberturas orquestrais, coros expansivos, duetos dramáticos e interlúdios instrumentais que funcionam como transições cénicas. Nolan demonstra um domínio absoluto da dinâmica: alterna momentos íntimos e contidos com clímax majestosos, criando tensão teatral constante. A escrita melódica é deliberadamente narrativa e cada motivo serve a dramaturgia e não apenas a audição isolada. Mesmo sem encenação física, o álbum transmite movimento, cenário e ação. E é essa capacidade imagética que se torna o maior trunfo deste álbum. The Mortal Light é um espetáculo teatral disfarçado de álbum de música. Grandioso, majestoso e deliberadamente excessivo na melhor aceção da palavra, confirma Clive Nolan como um dos raros compositores capazes de unir tradição teatral e linguagem progressiva num só corpo artístico. Funciona bem em formato áudio, mas tudo nele sugere que a experiência definitiva será, inevitavelmente, em palco. E quando uma obra sonora desperta esse desejo físico de encenação, significa que ultrapassou o estatuto de disco para se tornar verdadeira peça de teatro musical. [95%]

 

Highlights

Act 1: Magician, Decisions, Guardians, Wedding, Prophecy, Guidelines, Makaria

Act 2: Witch, Portal, Confession, Crime, Agreement, Justice, Trust, Seduction, Tovenaar

 

Tracklist

Act 1

1. Wedding

2. Overture

3. Demigod

4. Prophecy

5. Magician

6. Decisions

7. Cavalry

8. Fade

9. Escape

10. Guidelines

11. Conversation

12. Guardians

13. Promise

14. Unbowed

15. Makaria

 

Act 2

1. Port

2. Confession

3. Crime

4. Spy

5. Thunder

6. Agreement

7. Witch

8. Portal

9. Wings

10. Threat

11. Satisfactory

12. Justice

13. Arrival

14. Seduction

15. Tovenaar

16. Siege

17. Trust

18. Convergence

19. Explosion

20. Sunset

 

Line-up

Instrumentistas

Clive Nolan – teclados, orquestrações

Scott Higham – bateria

Arnfinn Isaksen – baixo

Mirko Sangrigoli – guitarras

 

Vocalistas/personagens

Clive Nolan – Professor Samuel King

Gemma Ashley – Eva Bonaduce

Robbie Gardner – Tom Worthy

Christine Ekeberg – Alice Hyde

Natalie Barnett – Lady Agatha Gill

Ryan Morgan – Father Caleb/Tovenaar

Andy Sears – Lord Henry Jagman

Chris Lewis – Edwin Deeks

Laura Piazzai – Makaria

Guy Barnes – William Garedelle

Verity White – Dr Josephine Kendrick

Ross Andrews – Master Of Ceremonies

 

Coro

Tenores: Clive Nolan, Jan-Jaap de Haan, Ross Andrews, Vincent Dortel, Terje Craig

Sopranos: Elen Cath Hopen, Emily Morgan, Gemma Ashley, Magdalena Grabias, Natalie Barnett, Yvain Walker, Marijke Groenendaal-van Der Schaal

Altos: Caron Morgan, Christine Piontek, Elen Cath Hopen, Hayley Wilson, Joy-Amy Avery

 

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Edição

Crime Records/We Låve Rock    

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