Reviews VN2000: BLACK REUSS; EVILDEAD; PRONG; MANTAH; CHAOS OVER COSMOS


Death (BLACK REUSS)

(2026, Independente)

O projeto Black Reuss regressa com Death, quinto capítulo de uma jornada conceptual iniciada em Metamorphosis (2021). Pela mão de Maurizio Dottore, mentor e força motriz desta entidade sonora, o disco aprofunda a matriz melódica do gothic/doom metal com uma densidade acrescida, mais peso e uma atmosfera sombria que envolve o ouvinte do primeiro ao último acorde. Inspirado no fluxo do rio Reuss, Death encara a morte como passagem. Por aqui, a dissolução, julgamento e renascimento entrelaçam-se num discurso carregado de emoção. Musicalmente, sente-se a herança de nomes como Type O Negative ou Katatonia, mas filtrada por uma identidade própria, íntima e reflexiva. Produzido pelo próprio Dottore, com contributo de Diego Rapacchietti na bateria, o álbum equilibra melancolia e robustez, oferecendo um gothic/doom metal maduro, introspetivo e resiliente. Uma descida às correntes invisíveis que, paradoxalmente, ilumina. [77%]



Annihilation Of Civilization (EVILDEAD)

(2026, Steamhammer/OPEN)

A reedição de Annihilation Of Civilization devolve ao presente um dos manifestos mais incisivos do speed/thrash norte-americano de finais dos anos 80. Lançado originalmente em 1989, o álbum de estreia dos Evildead regressa agora remasterizado por Bill Metoyer, preservando a crueza e amplificando o impacto de temas como Future Shock ou Parricide. Destilando riffs cortantes, bateria impiedosa e uma abordagem vocal agressiva, o disco afirma-se como um retrato ácido de tensões políticas, paranoia social e cenários apocalípticos, marcas identitárias da banda liderada por Juan Garcia. Esta edição acrescenta ainda quatro faixas bónus relevantes, incluindo a versão dos Black Flag Rise Above, Run Again e Sloe-Death, todas presentes no EP Rise Above, lançado no mesmo ano.  Destaque, ainda, para a presença de B. O. H. I. C. A., que tem origem nas sessões do álbum , mas não integrou a versão original em vinil, tendo surgido apenas como bónus na primeira edição em CD do álbum. Nesta reedição é recuperada oficialmente como faixa bónus, integrando o alinhamento expandido e reforçando o valor histórico deste regresso. [84%]



Live And Uncleansed (PRONG)

(2026, Steamhammer/OPEN)

Gravado ao longo de sete datas na digressão comemorativa dos 31 anos de Cleansing, Live And Uncleansed capta os Prong num estado cru, direto e sem retoques. O álbum traz onze temas principais mais três bónus, registados em palcos como o Wacken Open Air, o Alcatraz Festival e salas emblemáticas alemãs, revelando uma banda segura, musculada e orgulhosamente imperfeita. Nesse sentido, Tommy Victor assume os pequenos erros como parte do ADN do álbum e é precisamente essa ausência de polimento excessivo que lhe confere autenticidade, reforçando o carácter orgânico do registo. O foco recai naturalmente sobre Cleansing, mas devem ser destacadas algumas raridades que se voltam a mostrar imponentes: Inheritance (associado à banda sonora de Airheads) e Corpus Delicti. Já Snap Your Fingers, Snap Your Neck, Revenge… Best Served Cold e The Descent surgem demolidoras e evidenciam a robustez rítmica do trio.  Live And Uncleansed é um retrato fiel de uma máquina que trabalha na confluência do peso industrial, da secura thrash e do groove mecânico. Uma máquina que continua a mostrar-se bem oleada, rija e perigosamente eficaz em palco. [79%]




Antidote (MANTAH)

(2025, Polderrecords)

Antidote é o novo trabalho dos belgas Mantah e confirma o território que já haviam começado a cartografar em Evoke, aprofundando uma abordagem ao nu-metal que olha declaradamente para os anos 90. O álbum aposta numa combinação de riffs densos, grooves industriais e refrões de impacto imediato, revelando uma banda mais segura da sua identidade e consciente do seu público. As influências são reconhecíveis. Korn, Static-X ou mesmo Linkin Park surgem como referências inevitáveis, mas aqui filtradas por uma produção cuidada e por uma escrita que privilegia a eficácia direta, sem excessos conceptuais. Temas como Start ou NGU funcionam como cartões de visita eficazes, enquanto a surpreendente versão de Crazy demonstra que os Mantah sabem reinterpretar material alheio sem o descaracterizar. Disco coeso, musculado e assumidamente urbano, Antidote não procura reinventar o género, mas sim refiná-lo, apostando numa energia frontal que deverá ganhar outra dimensão em contexto de palco. [70%]





The Hypercosmic Paradox (CHAOS OVER COSMOS)

(2025, Narcoleptica Productions)

Projeto internacional fundado em 2017 pelo multi-instrumentista polaco Rafał Bowman, Chaos Over Cosmos move-se num território onde o metal progressivo, o death metal e a ficção científica coexistem em excesso permanente. Mais uma vez, em The Hypercosmic Paradox, Bowman assume guitarras, composição, programação e vozes de apoio, contando agora com a colaboração do vocalista paquistanês Taha Mohsin (Ascension Throne, Parasitic Infection, Penectomy), responsável pelas vozes principais e letras. O álbum apresenta-se conciso e focado: cinco faixas ao longo de cerca de 33 minutos, sem desvios nem material supérfluo. A sequência abre com um instrumental atmosférico, seguido por três temas longos sustentados por progressões extensas, mudanças rítmicas constantes e uma carga técnica elevada, e termina num tema mais curto. Pelo seu virtuosismo, os solos de guitarra são um dos grandes trunfos do disco. Apesar da ambição e da eficácia estrutural, The Hypercosmic Paradox volta a tropeçar num ponto já problemático no trabalho anterior: o uso de bateria programada, que, longe de se mostrar funcional e precisa, acaba por retirar impacto ao álbum. [75%]



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