Os Greyhawk têm vindo a consolidar a sua identidade à medida que
o tempo lhes permite maturar ideias, alinhar direções e, sobretudo, ajustar a
sua própria voz. Com pouco mais de uma década de atividade e uma discografia
construída sem pressas, a banda norte-americana tem atravessado mudanças
internas e oscilações estéticas que ajudam a explicar o momento em que hoje se
encontra. À conversa com Darin Wall, a respeito do lançamento do mais recente
registo, Warriors Of Greyhawk, percebe-se
uma banda consciente das decisões tomadas ao longo do caminho e das
circunstâncias que foram moldando cada etapa. Mas, sem nunca perder de vista as
raízes que a sustentam.
Olá, Darin, obrigado
pela disponibilidade. Warriors Of Greyhawk pode ser descrito como
um retorno triunfante que mistura power metal clássico americano, metal
épico e elementos de AOR. Quão conscientemente abordaram o equilíbrio
desses pilares estilísticos ao compor o álbum?
Olá! Obrigado pelo tempo para a entrevista.
Agradecemos muito! Estilisticamente, a mistura de estilos começou com a nossa
mudança de vocalistas. Anthony tem uma voz muito diferente do nosso antigo
vocalista, por isso sabíamos que teríamos que mudar um pouco o som do último
álbum. No seu género com canto melódico, tens que compor as tuas músicas com o
vocalista em mente e prepará-las para o sucesso. Decidimos que, com a voz do
Anthony, seguiríamos mais na direção do power metal, mas, ao mesmo
tempo, queríamos manter os fãs antigos felizes e manter os elementos cativantes
do AOR que ainda temos na nossa música. Portanto, é mais bombástico,
mais rápido, épico e exagerado, mas, ao mesmo tempo, queremos sempre manter o
fator cativante e divertido pelo qual os Greyhawk são conhecidos. Era
importante para nós honrar o passado e os fãs que nos trouxeram até onde
estamos agora.
Referiste que este
álbum marca um regresso às raízes épicas do metal do vosso álbum
de estreia, ao mesmo tempo que explora o território mais rápido do power
metal. O que vos inspirou essa mudança de direção nesta fase da evolução da
banda?
Sim, definitivamente foi isso. Warriors Of Greyhawk
era um título que eu tinha em mente desde aqueles dias e, para mim, esse
conceito era o próximo passo lógico para a composição que fizemos em Keepers
Of The Flame. Nos anos seguintes ao lançamento de Keepers, tivemos
uma pandemia global e outros fatores que levaram a um atraso no lançamento de
outro álbum. Durante esse tempo, a voz do nosso vocalista estabilizou num
registo mais grave, e cantar aquele estilo já não era tão propício para a sua
voz. No álbum seguinte, Thunderheart, optámos por um som um pouco mais AOR
rock and roll em grande parte para nos ajustarmos a esse fator. Agora
que tínhamos o Anthony na banda, vi isso como uma oportunidade para explorar a
ideia de Warriors Of Greyhawk e voltar àquele som épico.
Em comparação com Thunderheart, que se
inclinava mais pelas vibrações AOR dos anos 80, dirias que Warriors
Of Greyhawk é uma síntese dos vossos sons anteriores ou um capítulo
totalmente novo?
Essa é uma excelente pergunta e talvez seja muito cedo
para responder. Warriors Of Greyhawk é, definitivamente, uma mistura de
estilos diferentes, portanto, vamos ter que ver como a banda se sente quando
decidirmos voltar a compor novas ideias. Nesta banda dizemos sempre que nenhuma
ideia nova para uma música é má, apenas fazemos demos, reunimo-las e
depois analisamo-las quando chega a altura de realmente criar um novo produto. Portanto,
teremos que sair em tournée e tocar essas músicas, ver como as pessoas reagem e
o que elas gostam ou não, e ver como todos nós nos sentimos. Pessoalmente,
gosto da mistura de power metal e metal tradicional. Não acho que
os dois géneros sejam tão diferentes assim e podes curtir os dois na mesma
situação.
Olhas para o álbum como
uma jornada conceptual ou mais como uma coleção de hinos de batalha
individuais?
Este álbum é mais uma coleção. Há temas que permeiam
essas músicas e todas as músicas dos Greyhawk. Tentamos escrever músicas
que sejam inspiradoras e encorajadoras, sobre força diante das adversidades,
sobre estar à altura das circunstâncias e alcançar objetivos. Conceitos
universais nos quais todos acreditamos, por isso, têm muito em comum. Acho que
as letras das músicas são coesas, mas não contam necessariamente uma história
linear.
O som deste álbum é
poderoso e altamente memorável. Ao escrever riffs ou linhas
vocais, a que dás prioridade? Ao valor do gancho ou ao impacto emocional?
Uma mistura de ambos; acho que os dois conceitos estão
interligados. Queremos fazer algo que gostemos de tocar e ouvir. Ainda gosto
de ouvir este álbum por diversão, o que, para mim, significa algo. Normalmente,
depois de terminar um álbum, fico cansado de ouvir as músicas rapidamente, mas
com estas ainda me divirto. Um gancho com uma interpretação e letras
significativas por trás pode criar o impacto emocional mais poderoso.
Ronnie James Dio é
citado como sendo a tua maior influência lírica. De que forma o legado dele
molda não só os teus temas, mas também a tua abordagem à narrativa e à
atmosfera?
Todos nós temos origens musicais bastante diversas no
que diz respeito aos hábitos de tocar e ouvir música. Mas Dio sempre foi
um ponto de união para a banda. A maneira como Ronnie conseguia cantar uma
música com letras fantásticas e selvagens, das quais ainda é possível extrair o
significado metafórico e tirar algo de proveito, é simplesmente incrível para
mim. Sem mencionar o quão legal ele era. O seu legado é eterno e brilha
intensamente no mundo dos Greyhawk. Além disso, para mim, Heaven And
Hell é um dos únicos discos perfeitos já feitos.
O artwork de Daniel
Porta tem uma estética muito vívida e fantástica. Quão estreita foi a vossa
colaboração com ele para garantir que o mundo visual correspondesse ao sonoro?
Trabalhei muito de perto com o Daniel no artwork.
Fomos apresentados quando ele fez o artwork para o EP Invictus de
outra banda em que toco, chamada Glyph. O Daniel não é apenas
extremamente talentoso e um tipo muito simpático e humilde, mas também é
excelente a ouvir as ideias dos clientes e a concretizá-las. Ele foi fantástico
a mostrar-me esboços do trabalho em progresso e a adaptar e alterar coisas à medida
que avançávamos passo a passo para atingir o objetivo. Posso dizer que a arte
provavelmente será polarizante para alguns. Ou se gosta deste estilo fantástico
retro ou não se gosta, mas ninguém pode negar a qualidade do trabalho artesanal
que ele colocou nela.
Este já é o vosso
quinto lançamento desde 2018, incluindo dois EPs. O que impulsiona esse nível
de produtividade? É fácil manter a frescura?
Estamos sempre a compor. Estou sempre a incentivar a
banda a colocar novas ideias na nossa pasta de demos que temos no Google
Drive. Qualquer ideia, coloquem lá. Mesmo que não seja uma ideia finalizada
ou se estiverem presos, geralmente alguém da banda pode ajudar a dar um toque
que renova a ideia e a leva numa direção que a faz funcionar. Normalmente
começamos com 20 a 30 demos ou mais que consideramos candidatas entre 50
e 60 e, através de debates e discussões, selecionamos as mais fortes e as que
vão para o álbum. Portanto, para nós, é sempre produtivo, mas isso é porque
estamos sempre a trabalhar.
Olhando para o futuro, Warriors Of Greyhawk
representa o som definitivo do Greyhawk ou é mais um passo numa evolução
contínua?
Acho que Warriors of Greyhawk é facilmente o
nosso álbum mais forte até à data. Tenho de admitir que, neste momento, não
tenho nenhum conceito ou ideia para o próximo álbum na minha cabeça. Podemos
fazer um pequeno EP ou alguns singles apenas por diversão, mas não acho
que tenhamos feito nosso trabalho definitivo ainda. Acredito sinceramente que
isso ainda está por vir e estou animado para voltar a trabalhar na construção
da base que estabelecemos aqui com Warriors.
Este é o vosso primeiro
álbum lançado em parceria com a Cruz del Sur Records. Como essa colaboração se
tornou possível e o que ela permitiu que vocês não conseguiam antes?
Estamos muito entusiasmados por estar na Cruz del
Sur. Esta colaboração está a ser preparada há muito tempo. Em 2020,
apresentei o álbum Keepers Of The Flame à Cruz del Sur. Enrico, o
chefe da editora, gostou muito do álbum e queria lançá-lo, mas devido a algumas
situações logísticas e comerciais, isso não foi possível na altura. Lançámos
esse álbum e o seguinte pela Fighter Records, de Espanha, e só tenho
coisas boas a dizer sobre eles. O Dave e a Fighter trataram-nos muito bem.
Avançando para 2024, os Greyhawk estavam a tocar no Keep It True
Festival, na Alemanha. Encontrei o Enrico no mercado de metal lá e
ele expressou o facto de se arrepender de não ter lançado o Keepers Of The
Flame em 2020. Eu disse: «Bem, há sempre o futuro e as possibilidades». Quando
terminámos Warriors Of Greyhawk, enviei-lhes e o resto é história! A
Cruz é uma grande editora com uma ótima reputação, e acho que ter o selo deles
na nossa música nos dá uma credibilidade instantânea na cena que talvez não
tivéssemos no passado. Estão sempre a lançar discos de classe e estamos muito
orgulhosos de estar entre eles.
O que planeiam para
levar Warriors Of Grewhawk para palco?
Muita coisa! Temos muitos concertos agendados,
incluindo alguns festivais e uma digressão canadiana com Alestorm e Twilight
Force, por isso estamos a planear levar estas músicas ao mundo tanto quanto
possível! Esperamos poder voltar à Europa em algum momento nos próximos dois
anos. Essas músicas trarão um espetáculo ao vivo novo e revigorado. Quando vêm
ver os Greyhawk, assistem a um verdadeiro espetáculo de rock, não a um
recital. Por isso, tragam a vossa energia e voz para cantar e vamos fazer algo
épico!
Mais uma vez, obrigado,
Darin. Alguma mensagem de despedida que gostasses de compartilhar com os vossos
fãs ou com os nossos leitores?
Gostaríamos de agradecer a todos os vossos leitores por dedicarem o vosso tempo a ler esta entrevista e esperamos que dediquem algum tempo a ouvir o nosso novo álbum, Warriors Of Greyhawk. Se gostam de power metal épico, este álbum é para vocês! Aos nossos fãs, queremos agradecer-vos imenso por terem acompanhado a banda todos estes anos. O melhor ainda está para vir!!!



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