Quatro
anos depois de uma primeira investida marcada pela urgência criativa e pelas
circunstâncias atípicas da pandemia, os Last Piss Before Death regressam ao
formato longa-duração com Resistance. Nascido
em Lisboa, o coletivo tem vindo a trilhar um percurso pautado pela resiliência,
algo que este segundo registo assume de forma frontal. Nesta conversa com Pedro
Lourenço, guitarrista da banda, ficamos a conhecer as opções de produção que
privilegiam a organicidade e que afirmam uma banda com autenticidade, sem
concessões e com os olhos postos no confronto.
Viva, antes de mais,
obrigado pela disponibilidade. Para começarmos, e para quem ainda não vos
conhece, podes apresentar brevemente os Last Piss Before Death e contar o que Resistance representa para vocês
neste momento da banda?
Os Last Piss Before Death são uma banda de metal
que teve génese em Lisboa, mas gere as suas atividades para os lados da
Castanheira do Ribatejo. Em 2026 editamos o 2º álbum de título Resistance,
título que reflete não apenas a resistência contra o desencanto, o silêncio e a
erosão interior, mas também a resistência contra as adversidades do mundo
exterior e de tudo o que nos rodeia e nos traz angústia.
Desde o vosso primeiro
álbum (LPBD, lançado em 2022) até
ao Resistance já passaram quatro
anos. Quais têm sido as principais aprendizagens, desafios e transformações
como banda neste período?
Aprendemos a suportar mais e melhor as adversidades e ter
uma reação mais construtiva perante elas. O resultado é uma travessia mais
artística e mais emocional, onde os riffs, os ritmos e as palavras se
tornaram atos de sobrevivência (ou quase).
Na entrevista de 2022
contaram que a pandemia vos obrigou a retomar força e paciência no processo
criativo do primeiro álbum. Como olhas hoje para esse período em retrospetiva?
Acabou por influenciar o Resistance?
Pessoalmente tenho algumas saudades
das ruas desertas e do clima de “medo” e dúvida que estava instalado.
Permitiu-nos, de certa forma, seguir o nosso caminho escapando entre os pingos
da chuva. Acho que o que influenciou mais o Resistance foi o frenesim
social que veio a seguir, com todos os seus dramas inerentes à vida humana e à
forma como as redes sociais passaram a ser campos de batalha.
Ainda na mesma
entrevista referiram que deixaram que as ideias fluíssem de forma espontânea na
composição do primeiro disco. Agora, com Resistance, sentes que houve uma
intenção mais dirigida ou planeada na evolução sonora da banda? Porquê?
O método de composição de ambos os
álbuns é semelhante. Estamos todos na sala de ensaio e as ideias vão surgindo e
são sujeitas a escrutínio no momento. Talvez o segundo álbum tenha sido mais
demorado porque as circunstâncias da vida não nos permitiram estar juntos
tantas vezes. Mas todos os temas surgiram de um momento de espontaneidade e
devaneio, momentos esses, na sua grande maioria, vividos na sala de ensaios.
Poucos foram os riffs que vieram de casa e nesses casos acabam
sempre por sofrer uma metamorfose.
Como definirias o
conceito central do álbum e qual a mensagem que pretendes transmitir ao
ouvinte?
A mensagem é simples: resistir e lutar
é a única forma de viver a vida. Dar tudo por tudo para nos sentirmos bem nós
próprios. O álbum reflete a luta do dia a dia e pretende ajudar a superar esse
dia a dia. Tanto para nós como para os nossos fãs.
Resistance surge como um disco
mais ambicioso, menos centrado apenas no groove metal,
abrindo espaço a ambientes progressivos e texturas atmosféricas. Essa expansão
sonora foi intencional ou algo que foi surgindo naturalmente durante a
composição e gravação?
As composições nunca são pensadas.
Surgem sabe-se lá de onde... os ambientes surgem de uma forma natural e
espelham as nossas influências que vão muito para lá do metal. É tudo
muito espontâneo e natural. A título de curiosidade, os dois interlúdios que
tinha escrito na guitarra clássica como possíveis introduções para temas
acabaram por não ser terminados e nem sequer os apresentei à banda.
Lançaram singles como Echoes
e Reset antes do álbum. Na tua opinião, esses temas preparam o terreno
para o disco?
Os singles são excertos de um
todo, mas nunca vão revelar ou refletir a totalidade do que vem aí, nem os
momentos mais distintos da obra. São uma necessidade para a promoção do todo e
uma grande complicação para escolher,
porque nunca estamos todos de acordo.
O álbum foi gravado e
produzido por membros da banda nos MrKing Studios e Terrasse Studios. Como
descreves essa experiência de produção? Trouxe vantagens ou desafios ao
resultado final?
A produção deste álbum assentou numa
premissa: replicar os métodos de gravação analógicos, mas numa plataforma
digital. Ou seja, gravamos live vários takes. Escolhemos as
melhores bases, sobre as quais construímos as restantes partes. Escolhemos não
usar metrónomo nem recorrer ao copy paste em momento algum. Tudo ficou
mais orgânico e de certa forma mais original e genuíno. Sem dúvida, um método a
repetir.
Tocaram em eventos como
o Viseu Rock Fest em 2025 e têm construído presença em palco. Como tem sido a
resposta do público a estas novas músicas e o que esperam dos próximos
concertos em torno do Resistance?
As experiências ao vivo têm sido
sempre muito boas. Por norma o público não nos conhece muito bem, mas acaba
sempre por reagir muito bem. Somos uma banda que toca 100% live, sem
recurso a backing tracks ou outras técnicas que “desumanizem” a
performance e isso facilita em muito a comunicação direta com o público.
Para finalizar, que
mensagem gostarias de deixar aos vossos fãs e a quem ainda vai descobrir Resistance agora que o álbum está
finalmente entre nós?
Ouçam o nosso álbum sem preconceitos e
expetativas e serão, com certeza, agradavelmente surpreendidos pela
musicalidade, originalidade e agressividade da banda. Uma banda que tem alguma
dificuldade em definir-se com palavras, mas que deixa a música fazer esse
trabalho de forma espontânea e genuína. Depois partilhem, porque toda a ajuda é
pouca.



Comentários
Enviar um comentário