Entrevista: Mayhem Mavericks




Nascidos das cinzas dos Alchemy após o impacto da pandemia e o ciclo de Dyadic, os Mayhem Mavericks afirmam-se como um novo capítulo, com identidade própria e uma abordagem renovada ao hard rock. Para isso, recorrem à herança do passado, mas juntam-lhe uma sonoridade mais contemporânea. Andrew Trabelsi e Marcello Spera juntaram-se para nos falar do processo de transição, das dinâmicas criativas e da visão por detrás de um álbum de estreia que procura equilibrar energia, melodia e reinvenção.

 

Olá, passoal! Os Mayhem Mavericks surgiram das cinzas da Alchemy após a receção positiva do álbum Dyadic. Podes contar-nos mais sobre como essa transição aconteceu e o que motivou a decisão de formar uma nova banda?

ANDREW TRABELSI (AT): Os Alchemy sofreram um duro golpe com a pandemia de 2020, logo após o lançamento do Dyadic. O objetivo final era tocar juntos primeiro e depois ao vivo, mas isso de repente tornou-se impossível. Isso levou a um declínio notável no entusiasmo e interrompeu o desenvolvimento das músicas que Marcello e eu já estávamos a partilhar com outras pessoas. Após alguns anos de espera, ficou claro que precisávamos encerrar esse capítulo e começar um novo, aquele que agora chamamos de Mayhem Mavericks.

 

Como descreveriam a identidade central e a visão artística doS Mayhem Mavericks em comparação com os teus projetos anteriores?

AT: As músicas ainda têm uma base de hard rock, mas com um foco mais contemporâneo, seguindo os passos de bandas como H.E.A.T. e Eclipse. Deixámos para trás coisas como ambientes com reverberação excessiva e vocais que estão sempre no limite do alcance humano, favorecendo um som coeso e orgânico.

 

Podem partilhar como foi a colaboração entre vocês três no estúdio? Houve alguma dinâmica criativa específica que tenha moldado o resultado final?

AT: Na maior parte do tempo, trabalhámos remotamente, usando ferramentas baseadas na nuvem que nos permitiam enviar ideias, já em formato multitrack, para outros membros do projeto. Isso permitiu que eles não apenas escrevessem e tocassem as suas próprias partes, como também adicionassem as suas próprias ideias ou rearranjassem seções inteiras da música, apresentando-as com uma mistura que melhor as destacasse. Isso deu às músicas uma unidade de propósito que elas não teriam se fossem limitadas apenas à visão inicial do compositor.

 

O álbum tem uma mistura de hinos de rock poderosos e faixas melódicas. Como foi o processo de composição?

AT: No meu caso, cada música teve uma génese diferente, portanto não posso dizer que tenho um padrão de trabalho fixo. Às vezes, uma música nascia simplesmente de um riff, que por sua vez era inspirado pela exploração de várias predefinições VST. Outras canções nasceram da forma mais clássica, com uma guitarra acústica na mão e uma melodia assobiada no sofá. Outras ainda nasceram da combinação de duas canções, uma para a parte instrumental e a parte vocal retirada de outra canção que não era totalmente convincente.

 

Há faixas específicas no álbum que aches que melhor capturam a identidade da banda ou a evolução como músicos?

AT: Infelizmente, não há uma síntese perfeita em nenhuma música em particular. Poderíamos dizer que representamos bem o nosso lado que aprecia o imediatismo com I Can Feel the Heartache, mas, ao mesmo tempo, gravámos Midnight Crawler, que traz à tona o oposto completo, por isso poderíamos usar as duas como extremos.

 

I Can Feel The Heartache foi o vosso primeiro single. O que inspirou o tema lírico de superar dificuldades e como isso reflete o espírito do álbum?

MARCELLO SPERA (MS): Raramente escrevo letras antes de compor a música, e I Can Feel The Heartache não é exceção. Quando criei esse riff poderoso e refrão com um som forte dos anos 80, achei que também precisávamos propor um tema lírico inspirado nos anos 80. Em retrospetiva, provavelmente estava a prenunciar o fim dos Alchemy e a luta que tivemos de enfrentar com o Andrew para recomeçar com os Mayhem Mavericks.

 

Contem-nos sobre as contribuições dos músicos convidados (como os baixistas e o ex-guitarrista dos Alchemy). Como os escolheste e o que eles trouxeram para as músicas?

MS: A nossa separação dos Alchemy foi completamente sem drama. Ainda somos bons amigos e, às vezes, saímos e tocamos juntos. Após 10 anos de atividade, foi natural convidar Matteo Castelli (baixo em One Day In A Lifetime) e Cristiano Stefana (solo de guitarra em Killing Eyes, Join The Fight, Best Of Me) para tocar algumas partes neste álbum. Além disso, Cristiano já tinha gravado algumas demos para as músicas e alguns solos eram tão bons que não podiam ser descartados! Os outros convidados são amigos e colegas músicos com quem tocamos noutros projetos e também foi muito natural convidá-los para tocar algumas músicas connosco. Além disso, achamos que ter baixistas diferentes permite uma maior variedade geral no álbum.

 

O booklet inclui notas do apresentador de rádio britânico Steve Dack. Quão importante foi, para vocês, ter essa conexão e perspetiva incluídas?

MS: Steve foi a primeira pessoa a ouvir o disco depois de nós e da editora, e ler a sua reação foi reconfortante e inestimável. Ele deu-nos a confirmação final de que precisávamos para lançar o álbum com orgulho para o mundo, e isso adiciona um toque especial à cópia física do CD.

 

Têm planos para lançar novos singles, vídeos ou fazer uma digressão para promover Mayhem Mavericks?

MS: Pessoalmente, gostaria de lançar outro single, talvez Divide ou With Me, para promover o pós-lançamento de Mayhem Mavericks. Não estamos a planear nenhuma atividade ao vivo no momento devido a questões logísticas, mas é algo que estamos a considerar. Reunimo-nos há algumas semanas na sala de ensaios e ficamos muito animados para tocar as músicas juntos. Vamos a ver!

 

Por fim, que mensagem gostariam de deixar aos vossos fãs agora que o vosso álbum de estreia está disponível?

MS: Ouçam o álbum e, se gostarem, partilhem-no com quem possa estar interessado! E não se esqueçam de nos seguir nas nossas redes sociais.

www.facebook.com/mayhemmavericks

www.instagram.com/mayhem_mavericks

Comentários

DISCO DA SEMANA VN2000 #14/2026: Inferno (LION'S SHARE) (Metalville Records)

GRUPO DO MÊS VN2000 #04/2026: LAST PISS BEFORE DEATH (Raging Planet Records)

MÚSICA DA SEMANA VN2000 #15/2026: Waves (MR. WEATHER) (Art Gates Records)