Quase duas décadas após a sua formação, os italianos Hot Rod
chegam finalmente ao tão aguardado álbum de estreia. Harder Faster Glitter surge não apenas como a concretização
de um percurso longo, mas também como a afirmação definitiva de uma identidade
construída lentamente entre o brilho excessivo do glam metal oitentista e
a irreverência sleaze. Ao longo desta conversa, Mirko Di Bella e
Christian Balsamo refletem sobre este novo álbum e explicam de que forma a
experiência adquirida em palco moldou as canções que compõem o álbum.
Olá, pessoal, para começar, obrigado pelo teu tempo e parabéns
pelo lançamento de Harder Faster Glitter. Para
quem esteja a descobrir os Hot Rod através deste álbum, como é que
apresentarias a banda e a sua trajetória até agora?
MIRKO DI
BELLA (MDB): Muito obrigado pelo convite,
agradecemos imenso! Os Hot Rod são uma banda de glam metal
formada em 2006, motivada por um amor partilhado pelo som clássico dos anos 80,
uma atitude exagerada e uma abordagem assumida ao rock’n’roll. Ao longo
dos anos, lançámos algumas demos, fizemos muitos concertos ao vivo e
passámos por várias mudanças na formação antes de nos estabelecermos na nossa
forma atual: Giuseppe Costa nos vocais, Christian Balsamo e eu
nas guitarras, Valeria Caudullo no baixo e Cristina Settembrino
na bateria. O nosso som foi ganhando forma gradualmente ao longo do tempo,
evoluindo para o que se ouve hoje. Harder Faster Glitter, lançado a 13
de março pela Street Symphonies Records, é o nosso álbum de estreia e
oferece uma imagem clara de quem somos enquanto banda.
A banda foi formada em 2006, como referiste, mas este é o vosso
primeiro álbum. Podes levar-nos de volta a esses primeiros tempos? Como é que
os Hot Rod se juntaram e qual era a visão inicial?
MDB: O Christian e eu conhecemo-nos desde crianças e sempre
partilhámos o mesmo desejo de tocar música, especialmente heavy metal.
Nos primeiros tempos, a nossa orientação musical estava muito enraizada no metal
clássico, mas com o tempo fomos-nos sentindo cada vez mais atraídos pela
energia, atitude e irreverência do glam e do sleaze. Essa mudança
aconteceu de forma bastante natural e acabou por levar ao nascimento dos Hot
Rod.
Cada membro trouxe a sua própria experiência e influências. De
que forma os vossos percursos musicais individuais moldaram a identidade dos
Hot Rod enquanto coletivo?
MDB: Todos nós viemos de percursos musicais ligeiramente diferentes,
mas que tendem a convergir em torno das mesmas influências centrais. A maior
parte da composição vem de uma experiência partilhada entre mim e o Christian,
mas todos os membros contribuem para moldar o resultado final através dos
arranjos e da interpretação. Essa mistura de contributos ajuda a manter o som
coeso, mas não unidimensional.
Passaram quase 20 anos entre a vossa formação e este álbum de
estreia. Que fatores contribuíram para um intervalo tão longo e o que fez com
que este fosse finalmente o momento certo para lançar o vosso primeiro álbum?
MDB: Uma mistura da vida ter-se intrometido e de nem sempre termos
gerido o processo de produção da forma mais eficiente. Começámos com muito
entusiasmo, depois as coisas abrandaram: empregos, responsabilidades e,
provavelmente, alguns erros da nossa parte. Pelo lado positivo, a experiência
significa que agora temos uma ideia muito mais clara de como avançar. Quanto ao
porquê de agora, é difícil dizer exatamente; provavelmente as estrelas
finalmente se alinharam.
Antes deste álbum, já tinham lançado demos e uma forte presença ao vivo. De que forma este longo
caminho de concertos e aperfeiçoamento do som influenciou a composição e o
resultado final de Harder Faster Glitter?
MDB: Muito.
Anos de concertos ao vivo ensinaram-nos o que funciona, o que não funciona e
como moldar canções que realmente criam uma ligação, com o feedback do
público a desempenhar um papel fundamental. Ao mesmo tempo, esse longo caminho
permitiu-nos aperfeiçoar gradualmente a nossa identidade, por isso, quando
começámos a trabalhar no álbum, já tínhamos uma direção muito mais clara.
CHRISTIAN BALSAMO (CB): Gravar
demos e especialmente tocar ao vivo ajudou imenso a moldar as canções
para as versões que se ouvem no álbum. Os arranjos surgiram de anos de
concertos e de inúmeras horas na sala de ensaios.
O álbum pode ser descrito como um caleidoscópio sonoro,
misturando glam, hard rock e
elementos mais pesados de diferentes épocas. Quão consciente foi esta
diversidade durante o processo de composição?
MDB:
Bastante consciente, mas também natural. Abordamos a composição como uma
espécie de síntese, misturando diferentes influências e filtrando-as através da
nossa própria personalidade. Acho que o resultado final é bastante
diversificado, mas ainda assim muito coeso.
CB: Apesar
de tentarmos manter um estilo definido, somos influenciados por toda a música
que ouvimos, e essas diferentes influências acabam inevitavelmente por se
refletir no que escrevemos, criando a nossa própria mistura única.
Nota-se um diálogo claro entre a energia brilhante dos anos 80 e
o lado mais cru dos anos 90 no vosso som. Que artistas ou álbuns foram
particularmente influentes na criação deste álbum?
MDB:
Provavelmente dá para ouvir os ecos de bandas como Mötley Crüe, Poison,
Ratt, W.A.S.P., Cinderella, Skid Row, Warrant
e até mesmo bandas mais recentes, como Steel Panther. Não se trata de
copiar nenhuma banda específica: trata-se mais de absorver essas influências e
reelaborá-las através da nossa própria perspetiva.
CB: Para
além das bandas que o Mirko mencionou, também somos fãs de coisas mais pesadas,
e acho que se consegue vislumbrar isso em algumas partes do álbum.
Com o álbum já lançado, quais são as vossas expetativas e planos
em relação à digressão? Há algum território ou palco específico que estejam
especialmente ansiosos por conquistar?
MDB:
Gostaríamos, sem dúvida, de levar o álbum aos palcos o mais possível. Neste
momento, o foco está em divulgar a música e criar oportunidades. Não temos
nenhum território específico em mente; estamos abertos a ir onde quer que a
estrada nos leve.
CB: Tocar
ao vivo é provavelmente onde nos sentimos mais em casa, e fazer uma pequena
digressão seria fantástico, embora seja definitivamente um desafio logístico.
Depois de uma jornada tão longa para chegar a este álbum de
estreia, veem o Harder Faster Glitter como
o culminar do vosso passado ou o início de um novo capítulo, mais ativo, para
os Hot Rod?
MDB: Mais
um começo do que um fim. Claro que carrega o peso de tudo o que fizemos até
agora, mas, idealmente, é o ponto de partida para uma fase mais ativa e
consistente da banda.
CB: Para
mim, é um pouco de ambos: lançar Harder, Faster, Glitter foi como lançar
os alicerces de uma casa. Agora podemos começar a construir sobre eles.
Para terminar, que mensagem gostariam de deixar aos ouvintes que
estão prestes a ouvir Harder Faster
Glitter pela primeira vez?
MDB:
Aumentem o volume e não pensem demasiado nisso. É para ser alto, divertido e um
pouco exagerado, tal como a música com que crescemos. Se sentirem essa
vibração, então cumpriu o seu papel.
CB: Espero
que gostem do álbum, que vos dê vontade de festejar e enlouquecer e, claro, que
vos deixe com vontade de mais!



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