Imprevisibilidade. Talvez não exista palavra mais adequada para
definir o percurso dos canadianos Mr Weather. Ao longo dos anos, a banda de
Quebec foi construindo uma identidade própria e, agora, com o lançamento de 7, apresenta aquele que poderá ser o seu trabalho mais
ambicioso até ao momento. Este é um álbum que surge numa fase de transformação
importante para a banda, marcada por alterações na formação e pela entrada na editora
espanhola Art Gates Records, parceria que abriu novas portas à projeção
internacional do grupo. Como nos confidenciou o guitarrista e vocalista Gabriel
Drolet-Polloc.
Olá, Gabriel! Em
primeiro lugar, obrigado por teres dispensado algum do teu tempo para falar
connosco. Como estão a correr as coisas para os Mr Weather agora que o álbum 7 foi finalmente
lançado?
Ah, quer dizer, obrigado por fazeres isto! Significa
muito para nós. Diria que é como se nos tivessem tirado um peso dos ombros, a
sério (risos). Quando se está tão
envolvido em algo durante tanto tempo, a certa altura, pensa-se que isso nunca
vai acontecer. Mas agora, o álbum foi lançado, as críticas são boas e estamos
simplesmente muito orgulhosos deste álbum. Foi um grande desafio, mas o
resultado é fantástico.
Para quem vos possa
estar a descobrir através deste novo álbum, como apresentariam os Mr. Weather
enquanto banda em termos de identidade, som e visão artística?
Diria que somos uma banda de hard rock progressivo
da cidade de Quebec, no Canadá. Adoramos dizer que a nossa música é como o
tempo: imprevisível. Não criamos barreiras sonoras à nossa música. Se quisermos
algo mais punk, clássico ou até pop em algum momento, vamos
fazê-lo. Adoramos criar música para todos, com a qual se possam identificar.
A nossa visão artística é simples: queremos criar álbuns conceituais e falar
sobre coisas reais. Acreditamos que a música é uma forma de reunir pessoas
diferentes que, por um momento, esquecem tudo apenas para viver o momento.
7 é construído em torno do conceito
dos Sete Pecados Mortais. O que vos atraiu a este tema e como abordaram a
tradução de um conceito tão simbólico e psicológico para a música?
Em primeiro lugar, apercebi-me de que o Between
Dreams & Reality e o Running From Hell tinham, cada um, 7
músicas. O número tem sido muito utilizado na minha vida nos últimos 5 anos,
por isso pensei: por que não fazer outro álbum com 7 músicas!? Então comecei a
explorar o que poderia ser uma boa ideia em torno do número 7 e os Sete Pecados
Mortais foram a minha escolha final.
Quanto à abordagem, pensei em como poderia falar sobre este assunto sem
entrar na religião ou torná-lo demasiado óbvio e comecei a ler imenso sobre o
tema. A certa altura, percebi que centrar isto na psicologia e na emoção que
leva o ser humano a viver esses pecados seria a forma de criar o álbum.
Em comparação com Between Dreams &
Reality (2016) e Running From Hell (2023), de que forma o 7
representa uma evolução no vosso som e na vossa abordagem composicional?
Gosto de pensar que amadurecemos e que evoluímos como
músicos com os nossos anos de prática, concertos e ao ouvir outra música! Não
sou bem o mesmo homem que era aos 12 anos, quando comecei a tocar guitarra. Eu
era melhor naquela altura (risos)! A sério, é divertido ver como aprendemos com
os nossos erros ao longo do tempo e também com os discos. Continuamos à procura
de formas de melhorar isto e acho que esse é o segredo para sermos melhores.
Ser humilde e perceber que há sempre uma forma de melhorar, mas nunca esquecer
de nos orgulharmos do que fizemos.
Cada membro traz uma
formação musical distinta à banda. Essas influências individuais moldaram o
processo criativo por trás do 7?
Foi uma forma totalmente diferente para o 7.
Foi a primeira vez que gravámos sem o Thomas na segunda guitarra. Fui eu que
fiz tudo e tinha medo de que não soasse como os outros dois álbuns. Mas o David
fez o que sabe fazer melhor: fazer-nos soar incríveis. A forma de trabalhar não
mudou muito, porque sou sempre eu que crio a estrutura das canções e as ideias
principais e, depois, com a banda, organizamos tudo em conjunto. Gosto de dizer
que é uma forma que funciona muito bem para nós, porque não perdemos tempo em
sessões de improvisação. Depois disso, todos contribuem com algo para as
canções, para que soem únicas e pessoais.
Juntaram-se
recentemente à Art Gates Records. O que motivou esta parceria? Como tem sido a
experiência até agora, em comparação com os vossos lançamentos anteriores?
Sim, e estamos felizes e gratos por eles acreditarem
em nós e terem escolhido assinar connosco! Estávamos à procura de uma editora
que nos ajudasse a chegar a mais pessoas do que apenas por nós próprios. A
certa altura, é preciso experiência e, após muita pesquisa e conversas com
outras editoras, acreditámos que a Art Gates era a nossa escolha. E
quanto à experiência, o nosso último álbum atingiu cerca de 7 mil no Spotify
em 2 anos, mas em 4 meses, atingimos quase 70 mil só no Spotify. É disso
que estou a falar quando digo experiência. Para nós, significa muito e estamos
gratos pelo Ivan ter acreditado em nós e queremos agradecer imenso à sua equipa
também.
Sentes que fazer parte
da Art Gates Records abre novas oportunidades para a banda, particularmente em
termos de exposição internacional?
Sim, sinto! Quando tens uma editora que não está no
teu país ou continente, ganhas a sua experiência e o público que vem com ela.
Só o facto de ter a oportunidade de falar contigo hoje é uma vitória para nós.
Mais uma vez, obrigado!
Tendo já realizado mais
de uma centena de concertos no Quebec, existem planos concretos para uma
digressão de promoção do álbum 7? Podemos esperar que os Mr. Weather se
expandam para a Europa ou outros territórios?
Sim, existe. Neste momento, estamos a realizar
concertos na província. Estamos à espera de respostas para iniciar uma
digressão aqui, mas também estamos à espera de respostas para a Europa e a
Ásia. Deve ser no final de 2026 ou no início de 2027.
Olhando para trás, para
a vossa trajetória desde 2015, qual consideram que foi o momento decisivo ou o
ponto de viragem para os Mr Weather até agora?
Boa pergunta. Diria que o primeiro ponto de viragem
foi quando o Thomas e eu decidimos formar a banda. Foi nesse momento que
decidimos que íamos criar música e divertir-nos enquanto o fazíamos. Os
segundos seriam a nossa primeira atuação como banda de abertura com os Sonata
Arctica e o lançamento de Between Dreams & Reality; esses são
marcos que nunca esqueceremos. Isso deu-nos um grande impulso. Mas o último
seria este álbum. O 7 foi o resultado de dois anos de trabalho árduo. O
Thomas saiu da banda. O Bash saiu após o lançamento. O Alex e eu estávamos a
conversar e a primeira coisa que dissemos foi: isto não acabou; é apenas um
novo capítulo dos Mr. Weather. Estamos orgulhosos deste álbum porque é
como o fim de um capítulo, mas o início de algo tão novo e emocionante com a Art
Gates, o Sylvain e o Pat e todos os novos fãs que estamos ansiosos por ver
e com quem nos vamos divertir.
Por fim, o que esperas
que os ouvintes retirem de 7 depois de o terem ouvido do início ao fim?
Gostaria de pensar que vão compreender que é normal
sentir essas emoções em algum momento da vida. O problema não é sentir essas
emoções, mas decidir ultrapassar os limites. Quem nunca sente raiva? É
totalmente normal! O que não é normal é sentir-se tão dominado por ela que se
decide ultrapassar os limites e cometer um erro. Por isso, quero aproximar as
pessoas e mostrar-lhes que, no fim de contas, somos todos iguais. Somos pessoas
com emoções e há uma forma de nos compreendermos uns aos outros se dedicarmos
algum tempo a isso. Mas, ao mesmo tempo, também quero apenas que as pessoas
criem memórias com a nossa música.
Mais uma vez, Gabriel, obrigado pelo teu tempo. Queres deixar alguma mensagem final para os teus fãs e para os nossos leitores?
Olá! O meu nome é Gabriel e, em nome da banda, queremos agradecer o apoio e por terem dedicado o vosso tempo a ler esta entrevista. Obrigado, Pedro e Via Nocturna, por esta oportunidade e esperamos que gostem do 7 tanto quanto nós nos divertimos a fazê-lo. Esperamos ver-vos num concerto no futuro



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