Com três álbuns em três anos, os Triumpher continuam a
afirmar-se como um dos nomes mais determinados da nova vaga do metal épico europeu. Em Piercing The Heart Of The World,
os gregos aprofundam a identidade que têm vindo a construir desde Storming
The Walls e Spirit Invictus, cruzando heavy metal tradicional,
agressividade blackened e uma forte componente filosófica e mitológica. Aproveitando
a pausa entre a primeira e a segunda parte da tournée europeia,
estivemos à conversa com Mars Triumph, sobre este novo álbum e sobre a evolução
criativa da banda e a sua rápida ascensão no underground.
Viva, Mars, para
começar, obrigado pelo teu tempo e parabéns pelo lançamento de Piercing The Heart Of
The World. Como apresentarias este novo capítulo dos Triumpher àqueles que possam
estar a descobrir a banda agora?
Olá, muito obrigado por me entrevistares e pelas tuas
palavras gentis. Piercing The Heart Of The World representa o ponto em
que os Triumpher forjaram plenamente a sua identidade. Para alguém que
esteja a descobrir a banda agora, descreveria este álbum como uma união de heavy
metal, metal extremo, atmosfera sombria e profundidade filosófica.
Este é o vosso terceiro
álbum em apenas três anos: Storming The Walls (2023), Spirit
Invictus (2024) e agora Piercing The Heart Of The World (2026). Como
é que conseguiram manter um ritmo criativo tão intenso sem comprometer a vossa
identidade artística?
Honestamente, o ritmo criativo surgiu naturalmente. Estamos
constantemente a compor, a aperfeiçoar ideias e a desenvolver conceitos. Logo
após Storming The Walls, já estávamos a trabalhar no material para Spirit
Invictus e, durante esse processo, as sementes de Piercing The Heart Of
The World já tinham começado a germinar. Nunca abordámos os Triumpher com
uma mentalidade comercial ou um calendário de lançamentos. Isto é simplesmente
o resultado de uma dedicação e inspiração incansáveis, combinadas com disciplina.
Sentes que esta rápida
sucessão de lançamentos reflete uma visão artística deliberada, ou é mais o
resultado de um fluxo criativo imparável dentro da banda?
Diria que é tanto uma visão deliberada como um fluxo
criativo imparável. Sempre tive uma direção muito clara sobre o que os Triumpher
deveriam representar filosófica e musicalmente, mas, ao mesmo tempo, a
inspiração nunca parou de fluir. Outro aspeto que desempenha um papel
importante é a aquisição contínua de experiência e a ligação entre os membros.
Desde a vossa estreia,
ascenderam rapidamente no underground do metal épico. Como percebem
a vossa posição na cena atual, especialmente no contexto do ressurgimento do metal
épico e tradicional?
Sentimo-nos honrados pela forma como a cena underground
nos acolheu tão rapidamente. Acredito firmemente que existe atualmente uma
forte ânsia por autenticidade e convicção no mundo do metal em geral;
estamos a fazer as coisas à nossa maneira com absoluta confiança e talvez as
pessoas reconheçam que os Triumpher vêm de um lugar muito honesto. Não somos
uma banda de revival, estamos a fazer arte verdadeira em todos os
aspetos; não usamos IA nem outras porcarias para enganar o público. Estamos
aqui para trazer algo novo e conquistar o mundo do heavy metal.
O vosso som mistura heavy metal épico
com elementos black e extremos, resultando em algo simultaneamente
militante e grandioso. Até que ponto estais conscientes de estar a moldar um
“som característico” para os Triumpher?
O som característico
surgiu naturalmente através da nossa mistura de influências, não é algo que eu
consiga explicar facilmente, mas aconteceu. É claro que somos profundamente influenciados
por bandas como Manowar, Bathory, Iron Maiden, Black
Sabbath, Slayer, Satyricon, Emperor, Dissection
e muitas outras, mas nunca tentámos imitá-las. Absorvemos esses elementos e
transformámo-los através da nossa própria visão do mundo. A combinação de heavy
metal épico com agressividade blackened e uma atmosfera ritualística
mediterrânica tornou-se a linguagem dos Triumpher.
O novo álbum e alguns
títulos de músicas, como Piercing The Heart Of The World, soam
evocativos e mitológicos. Que temas e imagens vos guiaram ao longo do processo
de composição?
O álbum é um conceito
completo. Todas as canções estão ligadas
filosófica e tematicamente. Os temas centrais giram em torno da natureza do
heroísmo, do regresso do Rei Eterno (Odisseu) e da busca pela Espada
Flamejante. Imagens mitológicas, poesia e filosofia homéricas, arquétipos
helénicos e ascensão espiritual guiaram todo o processo de composição. Queremos
sempre que cada música pareça um capítulo de uma jornada maior e proporcione ao
ouvinte uma visão cinematográfica.
Em comparação com o Spirit Invictus, de
que forma a vossa abordagem à composição musical evoluiu neste novo álbum?
Na minha opinião, este álbum parece mais maduro, mais
focado e mais completo. As composições são mais complexas e cinematográficas,
ao mesmo tempo que são agressivas e diretas quando necessário. Expandimos os
nossos horizontes musicais, ao mesmo tempo que afiámos a nossa identidade.
Incluímos também uma power ballad e uma canção com dez minutos de
duração, o que foi a parte mais desafiante do álbum. Acredito que este é o
primeiro álbum em que os Triumpher soam completa e inequivocamente a si
próprios.
O álbum foi gravado,
misturado e masterizado por Achilleas Kalantzis no Suncord Audiolab. Quão
importante foi o seu papel na definição da identidade sonora final do disco?
Achilleas Kalantzis desempenhou um papel muito importante na definição do
resultado sonoro final. Ele compreendeu a nossa visão e ajudou-nos a traduzi-la
adequadamente, sem perder o espírito cru e a atmosfera épica que queríamos
preservar. Ele conseguiu uma abordagem mais orgânica em termos de gravação de
instrumentos e capturou aquela paisagem sonora mágica que procurávamos.
Com uma digressão
europeia a começar pouco depois do lançamento do álbum, quais são as vossas expectativas
em relação a levar Piercing The Heart Of The World para o palco? Há algum elemento
especial que os fãs possam antecipar?
Nos últimos anos, ganhámos uma experiência ao vivo
considerável e atuámos em muitos dos festivais underground mais
importantes da Europa. A primeira etapa da nossa digressão europeia terminou
com um sucesso que nunca imaginámos. Foi incrível e a prova de que já tínhamos
construído uma base de fãs muito forte. Também vale a pena mencionar que aos
nossos concertos vieram pessoas de outros países e cidades onde não tínhamos
marcado atuações para ver os Triumpher, o que foi absolutamente
impressionante.
Por fim, à medida que
os Triumpher continuam esta ascensão constante, o que se segue para além deste
ciclo de álbuns e que mensagem gostariam de deixar aos vossos ouvintes em todo
o mundo?
Estamos a preparar a segunda parte da digressão
europeia e a trabalhar em material novo. Os amigos e fãs dos Triumpher
receberão notícias enormes muito em breve. NÓS SOMOS OS TRIUMPHER!



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