Eretatge (BOISSON DIVINE)
Verycords Record Label
Lançamento: 17/abril/2026
Oriundos do
sudoeste de França, os Boisson Divine têm vindo a afirmar-se como um dos
nomes mais distintivos dentro do folk metal europeu, muito por força da
sua identidade linguística (cantam em gascão) e de uma abordagem que cruza
tradição regional com ambição sinfónica e poder metalizado. Desde logo, em Eretatge,
a banda mantém aquilo que já vinha de La Halha: a fusão entre o folk
metal, a herança gasconha e um sentido épico muito próprio. Mas, neste novo
trabalho, essa fórmula surge ainda mais amadurecida e ambiciosa, assumidamente
grandiosa, em todos os seus eixos. Esta é uma viagem que se faz por um
território ancestral: riffs afirmativos, melodias tradicionais,
instrumentos de raiz e uma pulsação ritual. Uma experiência que oscila entre três
polos muito ricos. Por um lado, a força física do metal, com momentos de
velocidade, peso e refrões de grande impacto, como, por exemplo, em La
Hialaira, onde o canto polifónico convive com investidas mais agressivas,
chegando mesmo a roçar o imaginário do pagan metal nórdico. Por outro lado,
surge a dimensão identitária e emotiva, ligada à tradição, à língua gasconha e
à memória cultural. Finalmente, a componente barroca e clássica que é trazida
pelo superior desempenho do ensemble de cordas que aqui colabora. E o
mais interessante nos Boisson Divine é precisamente esta capacidade que têm de, cruzando esses três polos, transformar património em música
viva. Em vez de soar como uma simples recriação histórica, o álbum transmite a
sensação de que a tradição está em movimento, respira no presente e ganha uma
nova escala através dos arranjos e das polifonias. Depois da abertura com Lo
Palestrion, Ira Dei Cadit marca um ponto de viragem. É aqui que
verdadeiramente começa a festa com toda a exuberância folk a instalar-se
definitivamente, conduzindo o ouvinte para um indescritível ambiente de
tradicionalismo. Essa energia volta a encontrar eco logo a seguir, em Vailets,
um dos momentos mais marcantes do disco, onde o canto polifónico, as melodias
altamente memoráveis e incursões neoclássicas se fundem num verdadeiro hino de
comunhão. O culminar desta viagem dá-se com Lo Pont deu Diable, uma
composição épica que ultrapassa os doze minutos e que sintetiza toda a estética
do álbum: abertura barroca, arranjos meticulosos e uma dinâmica que nunca se
esgota. Ouvir Eretatge dos Boisson Divine é embarcar numa
verdadeira viagem celebratória e identitária, onde cada tema parece funcionar
como uma etapa de um percurso pelas raízes culturais, pela memória coletiva e
pela exuberância festiva da tradição gascã. [95%]
Highlights
Ira Dei
Cadit, Vailets, Lo Xivau de Hèr, Lo Pont deu Diable, La Hiaira,
1. Lo Palestrion
2.
Ira Dei Cadit
3.
Vailets
4.
Lo Xivau de Hèr
5.
La Hialaira
6.
Princi Negue
7. Maria
8.
Lo Pont deu Diable
Line-up
Pierre
Delaporte – vocais, boha, acordeão, clarinete, flautas
Florent
Gille – baixo
Luca
Quitadamo – guitarras
Adrian
Gilles – bateria, coros
Baptiste
Labenne – vocais, baixo, aboès, guitarras, teclados, bandolim, bouzouki
Convidados
Taru
Hyvärinen – piano (3, 4, 6, 7, 8), harpsichord (8)
Maria
Calhaus – soprano (7, 8)
Valentin
Laborde – hurdy gurdy (3, 7)
Patric
Guiraud – vocais (3, 5, 8)
Nicolas
Stevens – violino (3, 6, 7, 8)
Sander Kintaert – trompete (4, 7, 8)
Hans van der Zanden – trompa (4, 7, 8)
Guido
Liveyns – trombone (4, 7, 8)
Éline
Pauwels – violino (6, 7, 8)
Philippe Allard – alto (6, 7, 8)
Jean-François Assy – violoncelo (6, 7, 8)
Jan Buysschaert – contrabaixo (6, 8)
Internet
Edição

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