Nascidos em Besançon, em 2021, os Askemåne começaram por
explorar a mitologia nórdica e os seus imaginários ancestrais, mas rapidamente
expandiram os seus horizontes sonoros. Em Kollisjon, o seu mais recente trabalho, essa evolução atinge
um novo patamar. Com uma formação que recentemente acolheu novos membros, a
banda francesa fala-nos sobre o processo criativo por detrás deste novo
trabalho e a vontade de continuar a desafiar os limites da sua própria música.
Viva, bem-vindos! Em
primeiro lugar, obrigado por dedicarem o vosso tempo a esta entrevista. É um
prazer falar com os Askemåne por ocasião do lançamento de Kollisjon. Como
estão as coisas para a banda neste momento?
Olá, muito obrigado! Estamos a preparar os concertos
para 2026 com a nova formação da banda. Os nossos novos bateristas, Fløyel
e Spøkefull, estão a fazer um excelente trabalho, e o nosso novo
baixista e vocalista será anunciado em breve… Este é o nosso primeiro objetivo;
depois disso, vamos concentrar-nos na produção de novas músicas!
Para aqueles que possam
estar a descobrir os Askemåne pela primeira vez através de Kollisjon, podem
apresentar a banda e a sua identidade musical?
Os Askemåne são diretamente inspirados pelos Heilung
e pelos Wardruna. Os sons nórdicos e o folclore ressoam profundamente em
nós, assim como as vozes xamânicas em paisagens ambientais. A banda começou com
dois membros, Asufelt e Ølrendyr, que compuseram Vinter Saga,
uma faixa inspirada no mito de Ragnarök. Hoje, a música é influenciada por
outros géneros e a composição é mais pessoal.
Os Askemåne formaram-se
em Besançon em 2021, mas em apenas alguns anos já construíram um som muito
distinto dentro da cena neo-folk. Olhando para trás, como acham que
o projeto evoluiu desde aqueles primeiros dias?
Esperamos que esteja bastante bem (risos), fazemos o
nosso melhor para encontrar algo que nos represente. No início de um novo
projeto, é mais provável que se siga a banda que nos inspira. E, com o tempo,
constrói-se a sua própria visão. Pode demorar algum tempo, mas vale certamente
a pena. Hoje, a nossa música pode ser descrita pelas nossas primeiras
influências, mas também por bandas orquestrais como os Dzivia e um
pequeno toque de escalas orientais.
Kollisjon surge depois de Gravitasjon
e de vários singles, tais como Vinter Saga, I Rotasjon e Dyaul.
Na vossa opinião, quais são as principais diferenças entre o material anterior
e este novo álbum?
Este novo álbum, Kollisjon, pode ser visto como
uma viagem. A tendência orquestral em algumas faixas confere outra dimensão à
nossa música, assim como o ambiente oriental que se pode ouvir em Junoon
ou na introdução de Culpa e Gauss. É um álbum eclético, enquanto
o nosso álbum anterior, Gravitasjon, conta uma história puramente
nórdica.
A vossa música combina
folclore nórdico, percussão tribal, texturas orquestrais e até algumas
influências orientais. Esta fusão é um processo natural para a banda? As
composições começam normalmente a partir de uma ideia tradicional ou da
experimentação?
Sim, esta fusão era algo que queríamos experimentar.
Não que pudéssemos alargar ainda mais o espectro de estilos combinados (isso
levaria a algo experimental desta vez - risos), mas a diversidade é algo que
pode inspirar e redefinir. O nosso principal compositor, Asufelt, vem da
esfera do metal, incluindo o metal progressivo. Isto pode
(talvez) explicar a diversidade de estilos e os vocais agressivos aqui e ali!
As composições podem partir de qualquer coisa: uma jam da banda, um riff
de guitarra cativante ou um bom padrão de bateria.
Os vocais são
claramente um dos elementos definidores dos Askemåne, alternando entre
passagens guturais, cânticos, harmonias e atmosferas ritualísticas. Quanto
trabalho é necessário para organizar essas camadas vocais?
Pode demorar algum tempo a construir, ainda mais com a
língua norueguesa que escolhemos. Adoramos o quão musical esta língua é, mas
requer muito trabalho no processo de composição, no fluxo e na pronúncia. Assim que as partes vocais são
compostas pelo Asufelt ou por outros membros, têm de ser trabalhadas
pelos 4 cantores para que possam ser adotadas! Mas a harmonização é certamente
um dos grandes aspetos do que gostamos de fazer no palco.
O final de 2025 marcou
a chegada de novos membros e, de acordo com o vosso material de imprensa, uma
expansão da dinâmica vocal dentro da banda. Estas mudanças na formação
influenciaram o processo criativo por trás de Kollisjon?
Sim, temos um novo baterista, Fløyel, um novo
percussionista, Spøkefull, e um novo cantor de baixo a ser anunciado. O
processo criativo provavelmente será o mesmo, mas novos membros trazem
frequentemente novas ideias ou abordagens… Veremos para onde a inspiração nos
leva no futuro, talvez para algo mais simples, como nos nossos primórdios. A
única coisa que podemos dizer é que a próxima canção será mais uma proeza…
Arbeid conta com uma colaboração com
os HØLLS. Como surgiu esta colaboração e o que é que eles trouxeram à atmosfera
e intensidade da canção?
Os HØLLS são nossos grandes amigos, também
vindos de Besançon (França). Gostamos muito de música metal e achamos as
suas canções muito intensas e autênticas. Por isso, propusemos-lhes que
participassem na faixa Arbeid, que tinha espaço para as guitarras, o
baixo e o grito da Sandra. Estamos entusiasmados com o resultado, sendo esta
canção a mais intensa alguma vez produzida pelos Askemåne. Isto encaixa
bem com a temática do trabalho emocional, o mais exigente de todos.
Ao longo do álbum, há
também inclusões subtis de piano, guitarra acústica, samples e outros sons
inesperados que enriquecem os arranjos. Quem é o principal responsável por
introduzir estes elementos na música dos Askemåne?
Todos estes arranjos foram feitos durante o processo
de composição por Asufelt. As faixas do álbum provêm de duas sessões de
trabalho diferentes: uma denominada «orquestral» (Syv aser og en elv, Løvetann…
) com todos os instrumentos necessários. Outra, chamada “synth”, é mais neutra
e ao estilo Askemåne (Substraksjon, Konflikter…). Por
isso, acabamos por ter talvez um equilíbrio de 50/50! Além disso, o Paul, do Medvedkine
Studio, contribui com o seu conhecimento de design de som, texturas
e efeitos, o que conta muito para o resultado final. Ele misturou e masterizou
o álbum e estamos muito satisfeitos com o resultado!
Com o lançamento de Kollisjon, já há
planos para concertos ou mesmo uma digressão europeia para promover o álbum?
Será que Portugal é uma possibilidade no futuro?
Por enquanto, tocamos principalmente na França e um
pouco na Bélgica. Mas adoraríamos ir mais longe, se possível. O nosso agente Mattjö
Haussy, da Heidrun Production, é a pessoa a contactar se quiserem
ver-nos por aí!
As cenas neo-folk e ritual
folk cresceram consideravelmente nos últimos anos. Na vossa perspetiva, o
que acham que atrai tanto as pessoas para este tipo de música hoje em dia?
Bandas como os Heilung são um bom exemplo deste
efeito de «regresso às origens». Um som muito profundo com um toque de ambient,
associado a vozes de caráter tradicional, é suscetível de nos transportar às
raízes humanas. É possível até extrair uma dimensão espiritual disso. Como
criadores, sentimo-nos afortunados por partilhar tudo isto.
Por fim, obrigado mais
uma vez pelo vosso tempo. Querem deixar uma mensagem para os leitores da Via
Nocturna e para todos aqueles que estão a descobrir os Askemåne através desta
entrevista?
Obrigado por esta entrevista! Desejamos a todos muitas
descobertas musicais e grandes concertos ao vivo! Esperamos vê-los um dia!
Fiquem bem!




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