Entrevista: Primal Warfare

 

A estreia discográfica é sempre um momento decisivo para qualquer banda, mas ganha um significado ainda maior quando também marca a afirmação de uma identidade própria. É precisamente esse o caso dos Primal Warfare, um nome recente da cena metal nacional que, após vários anos de preparação, surge finalmente com After The Flames, um EP que apresenta ao público a visão musical do grupo. A entrada de Joana Pais para a voz e a integração na família Firecum Records representa mais um passo importante nesta fase inicial da carreira. Nesta conversa com o Via Nocturna 2000, ficámos a conhecer melhor o percurso da banda, o processo de criação deste trabalho de estreia e os planos para o futuro.

 

Olá e bem-vindos ao Via Nocturna 2000. Antes de mais, obrigado pela disponibilidade. Para começar, como estão a viver este momento especial que é o lançamento de After The Flames e a apresentação oficial dos Primal Warfare ao público?

Estamos a viver esta fase com bastante entusiasmo e também com um forte sentimento de concretização. Foram vários anos de trabalho, evolução e construção até chegarmos aqui, por isso finalmente poder partilhar este lançamento com o público tem um significado muito especial. É também o verdadeiro ponto de apresentação da identidade do projeto.

 

Os Primal Warfare são uma banda relativamente recente, formada em 2020. Como surgiu a ideia de criar este projeto e que circunstâncias levaram à sua concretização?

O projeto começou a ganhar forma a partir das ideias do Fernando Narciso, numa fase em que, após o início da pandemia, houve mais tempo e espaço para desenvolver material de forma consistente. A vontade de transformar essas ideias num projeto concreto levou à procura dos músicos certos para dar vida ao conceito. Através de contactos, amizades e ligações dentro da cena, foram-se juntando as pessoas necessárias para construir a base do projeto, que acabou por evoluir de forma natural tanto a nível musical como de dinâmica entre todos.

 

No entanto, só agora surge o EP de estreia After The Flames. O que aconteceu ao longo destes anos até chegarem finalmente a este lançamento? 

Ao longo deste período houve um processo natural de evolução, consolidação e também de maturação do material. Parte das músicas já existia em fase embrionária, outras foram sendo construídas mais tarde, sempre com o objetivo de garantir uma identidade coerente. Também houve ajustes na formação e na própria direção artística, o que acabou por prolongar o processo, mas ao mesmo tempo ajudou a chegar a um resultado mais sólido e representativo.

 

Alguns dos membros já estiveram ou estão envolvidos noutras bandas da cena nacional. De que forma essas experiências anteriores influenciaram a identidade musical dos Primal Warfare?

As experiências anteriores tiveram um impacto natural na construção do som. Cada elemento traz bagagem diferente, tanto em termos de composição como de palco e estúdio, o que acaba por enriquecer bastante o resultado final. Ao mesmo tempo, houve sempre a preocupação de não replicar projetos anteriores, mas sim criar uma identidade própria a partir dessas diferentes vivências.

 

Quais são as principais influências musicais que moldaram o som dos Primal Warfare, tanto ao nível de bandas clássicas do género como de referências mais contemporâneas?

É bastante difícil especificar uma única influência principal, porque existem referências muito diferentes dentro do grupo e cada elemento acaba por trazer a sua própria identidade musical para a composição. A nível instrumental, existe uma forte influência do thrash germânico dos anos 80, com bandas como Destruction, Sodom e Kreator a terem bastante peso na construção do som. Depois, dentro da própria banda, existem gostos bastante distintos. Há quem se identifique mais com uma vertente mais técnica e “matemática” do metal, outros mais ligados ao thrash e outros com uma abordagem mais europeia e old school. No fundo, acaba por ser precisamente essa mistura de influências e gostos diferentes que contribui para a identidade do projeto. Não existe uma influência dominante específica, porque o som nasce da combinação natural de todas essas referências.

 

Musicalmente, como decorreu o processo de composição do EP? Havia já temas antigos guardados desde a formação da banda ou tudo foi pensado especificamente para este lançamento?

O processo foi bastante colaborativo. Algumas ideias já existiam há algum tempo e foram sendo trabalhadas até ganharem forma final, enquanto outros temas nasceram mais recentemente. O objetivo passou sempre por garantir coerência entre as músicas, de forma a que o EP funcionasse como um todo e não apenas como um conjunto de temas isolados.

 

A entrada de Joana Pais para a voz trouxe também uma nova identidade à banda. Como surgiu essa ligação e o que sentiram que ela acrescentou ao som dos Primal Warfare?

A ligação tem uma história curiosa. Um ano antes de integrar o projeto, houve um primeiro contacto através de um fórum de metal, onde foi respondido um anúncio à procura de vocalista. Na altura, o processo seguiu outro caminho. Mais tarde, surgiu novamente a necessidade de voz e, através de contactos indiretos ligados ao meio, acabou por acontecer um novo contacto. A partir daí, houve envio de temas, escrita de letras e o início do trabalho conjunto, que acabou por evoluir naturalmente. Só já depois da entrada na banda é que nos apercebermos da coincidência engraçada: ao voltar ao fórum, percebemos que aquele primeiro anúncio ao qual tinha sido dada resposta um ano antes era afinal exatamente o mesmo projeto. Ou seja, já tinha existido um primeiro contacto muito antes de tudo acontecer oficialmente, embora isso só tenha sido descoberto mais tarde. Essa entrada trouxe uma nova dinâmica vocal e interpretativa, ajudando a consolidar a identidade do projeto.

 

Podem falar um pouco sobre o processo de gravação e produção do álbum? Houve algum cuidado especial em preservar a essência do género mantendo ao mesmo tempo uma produção moderna?

Desde o início havia uma ideia bastante definida do que se queria alcançar: uma produção atual e poderosa, mas sem perder a agressividade e autenticidade do género. O trabalho com o Fernando Matias foi excecional. Houve muita paciência e uma grande capacidade de interpretação da visão da banda, conseguindo encontrar o equilíbrio certo entre todos os elementos e garantindo um resultado final com o qual todos ficaram satisfeitos.

 

Sendo um trabalho de estreia, houve algum tipo de pressão adicional durante a composição ou gravação, sabendo que este disco iria definir a primeira impressão da banda?

Existe sempre algum grau de pressão num primeiro lançamento, sobretudo porque acaba por definir a primeira impressão do projeto. No entanto, isso foi canalizado como motivação. O foco esteve sempre em fazer algo com que todos se identificassem, mesmo que isso implicasse mais tempo de trabalho e refinamento.

 

O lançamento foi feito através da Firecum Records. Como surgiu essa parceria e de que forma a editora contribuiu para o lançamento de After The Flames?

A parceria surgiu de forma natural, através de um interesse genuíno demonstrado no trabalho desenvolvido. A banda tomou a iniciativa de contacto e, a partir daí, o processo evoluiu de forma bastante positiva. O Pedro tem sido excecional no apoio ao longo de todo o percurso, e a relação com a editora tem sido extremamente satisfatória.

 

Depois deste lançamento, quais são os próximos objetivos dos Primal Warfare? Já existem planos para mais concertos, novos vídeos ou mesmo um álbum de estreia no horizonte?

Depois do lançamento, o foco está em levar este trabalho para o palco. O EP esteve algum tempo em desenvolvimento e preparação, por isso agora o objetivo principal é dar-lhe vida em contexto ao vivo. Estão a ser organizados os primeiros concertos e a calendarização das datas, tanto para este ano como para o próximo. Em paralelo, já existe novo material em desenvolvimento, com alguns temas concluídos e outros ainda em processo de criação. Também está a ser preparado o próximo videoclipe, de forma a dar continuidade ao suporte visual do projeto e manter tudo estruturado para as próximas fases.

 

Para terminar, obrigado pelo vosso tempo. Querem deixar uma última mensagem para os leitores do Via Nocturna 2000 e para todos aqueles que irão descobrir After The Flames nos próximos tempos?

Antes de mais, obrigado à Via Nocturna 2000 pelo espaço e apoio à música nacional. Queremos também deixar um agradecimento especial à Firecum Records pelo trabalho, confiança e apoio ao longo de todo este processo. Esperamos que After The Flames seja bem recebido e que quem o ouvir consiga sentir a energia e dedicação colocadas neste trabalho. Apoiem a cena nacional e apareçam nos concertos. Vemo-nos em breve ao vivo.

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