Entrevista: Whatever Happens Don't Be Yourself

 




Mais que rótulos… encontros. Músicos que chegam de geografias sonoras distintas, carregando consigo fragmentos de jazz, improvisação livre, folk, world music ou melodias de inesperada vocação pop, e que, em vez de procurarem diluir as diferenças, escolhem habitá-las. É precisamente nesse território de extensão criativa que os Whatever Happens Don’t Be Yourself construíram uma das propostas mais singulares da cena norueguesa contemporânea. Com o lançamento de Tales Of No Consequences, o quinto capítulo desta aventura iniciada em 2015, conversámos com Nils Are Drønen sobre improvisação, diversidade, influências assumidas e a arte de transformar o imprevisível numa celebração da liberdade criativa.

 

Saudações! Em primeiro lugar, obrigado por terem dedicado o vosso tempo para falar connosco. Para aqueles que ainda estão a descobrir o vosso trabalho, como apresentariam os Whatever Happens Don’t Be Yourself e a sua identidade artística, nas vossas próprias palavras?

Olá! Obrigado por pensarem em nós! Sempre acreditei que a identidade de uma banda é, em grande parte, determinada pelos músicos que tocam a música, por isso, a resposta seria a combinação de músicos e o que eles trazem para a mesa.

 

Tales Of No Consequences é descrito como uma «festa que não vão querer perder», combinando melodias cativantes, quase pop, com um ruído improvisado explosivo. Como é que abordaram o equilíbrio entre estes elementos aparentemente opostos?

Para mim, é um processo natural. Tenho tendência a compor música bastante melódica e, por vezes, estruturada, e ter um grupo de músicos de free jazz a tocá-la irá inevitavelmente criar uma tensão entre essas duas forças musicais.

 

Este é o vosso quinto álbum desde a formação da banda em 2015. De que forma este novo disco reflete a vossa evolução em comparação com os lançamentos anteriores? 

Espero que a nossa história musical nos torne mais livres e em sintonia com o universo! A sério, acho que tocar com as mesmas pessoas ao longo do tempo e trazer novas pessoas para a banda são igualmente importantes.

 

O projeto reúne um grupo muito diversificado de músicos, desde nomes emergentes da cena de jazz/improvisação norueguesa até músicos mais experientes. Foste tu quem selecionou esta formação específica? O que é que cada músico trouxe para o projeto?

Quando gravámos o primeiro álbum dos WHDBY, eu também fazia parte da banda The Last Hurrah, sediada em Bergen, por isso pareceu-me natural convidar esses tipos para se juntarem a mim na gravação. Atualmente, restam apenas três membros originais do álbum de estreia de 2016. Na verdade, a nova formação começou como um encontro de improvisação durante a pandemia. Vejo o WHDBY mais como um grupo de amigos que adoram sair juntos, beber chá e tocar música! Por outras palavras, não escolhi músicos com competências específicas, foi mais do tipo «Vamos usar todos estes músicos brilhantes e fazer o melhor disco de sempre!».

 

A inclusão de músicos com origens que vão desde a world music até o jazz experimental (e até mesmo uma vocalista nomeada para os Grammy como Nelly Moar) acrescenta uma textura única. Estas diferentes linguagens musicais interagiram durante o processo criativo?

Sim, conseguiram! É exatamente isso de que mais gosto, a diversidade que cada músico traz para a mesa. Acho que isso é um superpoder, desde que não haja demasiada fricção musical, mas, felizmente, isso ainda não aconteceu!

 

Há inspirações claras em artistas como o Art Ensemble of Chicago, Charles Mingus e Alice Coltrane. Estas influências manifestam-se no álbum?

Sim, todos esses artistas têm sido uma enorme fonte de inspiração para nós! Acho que inspiramo-nos sempre nos nossos heróis, mas também temos esta atitude ingénua, pensando que estamos a criar algo novo. Acho que essa é uma mentalidade importante! 

 

Faixas como What’s My Chances? e School Bus foram lançadas como singles antes do álbum. O que fez com que estas peças se destacassem como pontos de entrada no disco? 

Os singles foram sugeridos pela editora discográfica (Is It Jazz), e concordámos totalmente, achando que estas faixas eram as mais cativantes e, esperamos, uma boa introdução ao resto do álbum.

 

Atuaram em festivais como o Nattjazz e o AMR Jazz Festival. Este contexto ao vivo é importante para um projeto como o WHDBY. Como é que o público reage normalmente ao vosso som dinâmico e imprevisível?

Todos os membros do WHDBY são músicos muito ativos que dão concertos ao vivo constantemente. Fico sempre surpreendido com a forma como as pessoas reagem à energia quando tocamos! Acredito firmemente que há muita potência musical na banda devido à sua diversidade. Em comparação com muitas outras bandas em que toquei, também recebemos muito feedback positivo de pessoas que não são fãs de jazz, acho que isso é um elogio!

 

Com o lançamento do novo álbum, há planos para concertos ou digressões para levar Tales Of No Consequences ao palco nos próximos meses?

De momento não, mas fomos recentemente contratados por uma agência de agendamento (Kalleklev), por isso esperamos estar de volta à estrada em 2027!

 

Por fim, à medida que continuam a desafiar os limites entre estrutura e improvisação, o que se avizinha para o Whatever Happens Don’t Be Yourself? Vêem o projeto a evoluir a partir daqui?

O plano é gravar um novo álbum ainda este ano e partir daí, quem sabe, talvez estejamos a tocar num local perto de ti em breve! De qualquer forma, acho que somos fanáticos por música, por isso provavelmente continuaremos a fazer música, aconteça o que acontecer!

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