Quantifying Cosmic Doom (SOULBURN)
Testimony Records
Lançamento: 12/junho/2026
Sejamos
claros logo desde o início: dentro do metal extremo, os Soulburn
sempre recusaram fronteiras demasiado rígidas, nunca impuseram limites a si
próprios, não tendo receio de jogar em todos os tabuleiros. Agora, seis anos
depois de Noa's D'ark, o coletivo neerlandês regressa com Quantifying
Cosmic Doom, quinto álbum de uma discografia construída na interseção
entre death, black e doom metal, e o primeiro lançamento pela
Testimony Records. Mas será realmente possível quantificar este doom
cósmico? A resposta proposta pelos Soulburn apresenta-se como uma
matemática profunda e labiríntica. Entre composições de títulos longos,
enigmáticos e evocativos, sucedem-se mudanças rítmicas, quebras estruturais e
constantes alterações de textura. O death metal serve de alicerce sobre
o qual se erguem muralhas de melancolia talhadas em rocha doom, enquanto
chamas negras coroam riffs monumentais. O álbum abre de forma épica e
melódica, recorrendo a vocais limpos, passagens grandiosas e até narrações,
explorando frequentes aberturas na densidade sonora através de guitarras
limpas. Contudo, à medida que a viagem avança, o percurso torna-se
progressivamente mais extremo. O quarto tema, An Impious Journey Through The
Cathedral's Mouth, o mais curto do alinhamento, é o primeiro em que a banda
se aproxima de forma mais evidente de limites mais extremos (uso de blast
beats e de menor abordagem melódica – que surge no solo), ainda assim
mantendo o ritmo compassado e a riqueza instrumental. Depois surgem as
"estalactites", formações minerais moldadas gota a gota ao longo dos
séculos, metáfora perfeita para a enormidade do som black metal presente
em Stalactites Of Molten Flesh, construído por acumulação paciente até
adquirir proporções esmagadoras. Depois de muitas outras voltas, em que se
incluem elementos orientais, em Iconox Spew Black At The Razor's Edge, os
derradeiros três temas devolvem a solenidade épica, a melodia e as narrações do
início, fechando o círculo de uma viagem que atravessa galáxias inteiras antes
de regressar ao ponto de partida. Ainda assim, permanece a dúvida lançada pelo
próprio título. Quantifying Cosmic Doom é ousado, aventureiro e
fascinante na forma como oscila entre estados de espírito, tempos e atmosferas.
Porém, a longa duração do álbum acaba por diluir parte do efeito-surpresa que
as suas sucessivas metamorfoses poderiam provocar. Talvez o doom cósmico
seja, afinal, impossível de quantificar. E talvez os Soulburn ainda
estejam à procura da fórmula definitiva para medir aquilo que, por natureza,
tende para o infinito. [87%]
Highlights
The Braveheart Of Nightmares, The Desolationist, An Innocuous Swathe Of
Sky, A Pyramid Absurd, In The Very Time That Will Rot Us, M87 - What Hopes To
Be Born?
1. The Braveheart Of Nightmares
2. Powehi, The Embellished Dark Source Of Unending Creation
3. A Pyramid Absurd
4. An Impious Journey Through The Cathedral's Mouth
5. Stalactites Of Molten Flesh
6. M87 - What Hopes To Be Born?
7. Iconox Spew Black At The Razor's Edge
8. Down Among The Stars
9. The Desolationist
10. In The Very Time That Will Rot Us
11. An Innocuous Swathe Of Sky
Line-up
Twan
van Geel – vocais, baixo
Remco
Kreft – guitarras
Eric
Daniels – guitarras
Marc
Verhaar – bateria
Internet
Edição

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