Live Report: MMOA 2026 (Dia 1)

 



A décima sétima edição do Milagre Metaleiro arrancou com uma novidade de peso: um novo local para receber um festival que, ano após ano, se afirma como uma das referências do verão metálico nacional. Uma nova casa para acolher os milhares de metaleiros que rumaram até à pequena aldeia de Pindelo dos Milagres, unidos pelo desejo de celebrar o heavy metal.

O primeiro dia ficou marcado pela diversidade e pelo contraste. Do paganismo dos Gwydion ao heavy metal veloz dos Enforcer, passando pela violência dos The Haunted e pelas atmosferas envolventes do doom gótico dos Paradise Lost, houve espaço para diferentes linguagens dentro do universo metálico. Uma viagem que começou ainda com o sol no horizonte e terminou mergulhada nas sombras.

A honra de inaugurar a décima sétima edição coube aos Gnosis. Perante um recinto que ainda começava a ganhar vida, a banda teve a difícil missão de dar o primeiro passo num novo palco e num novo espaço. Uma responsabilidade cumprida com uma atuação direta e enérgica, servindo como um competente ponto de partida para uma longa jornada.

Com o público ainda a entrar pelas portas do recinto, os Death And Legacy assumiram o palco e começaram a engrossar as hostes diante do palco. Comandados pela talentosa Hynphernia, os espanhóis trouxeram um concerto seguro e dinâmico, ajudando a elevar gradualmente a temperatura enquanto o público se começava a amontoar em frente ao palco.

Ainda com os últimos raios de sol a iluminar o recinto, chegaram os Gwydion. O seu viking/pagan metal encaixou na perfeição naquele momento de transição entre o dia e a noite, e a banda tratou de incendiar as hostes. A energia em palco, aliada ao imaginário épico da sua música, criou uma atmosfera particularmente apropriada para um festival que começava a entrar no seu ritmo.

Às 20h20, foi a vez dos Enforcer. O público ainda estava longe de preencher o recinto, mas os suecos não esperaram por uma plateia numerosa para carregar no acelerador. O seu heavy metal tradicional arrancou cheio de velocidade, assente nas indispensáveis twin guitars, riffs velozes e uma atitude assumidamente old school.

“We play heavy metal the real way. The only way.” foi o manifesto da banda. Os Enforcer trouxeram consigo a nostalgia de uma certa forma de fazer heavy metal, mas fizeram-no com a energia necessária para conquistar quem estava diante do palco. À medida que o concerto avançava, também o público ia engrossando, atraído por algumas brincadeiras e coreografias oitentistas lideradas por Olof Wikstrand.

Pouco antes das 21h50, a introdução dos The Haunted anunciou uma mudança radical de intensidade. O quinteto entrou sem concessões, despejando sobre o recinto o seu thrash/death metal. O mosh surgiu praticamente de imediato. Não foram necessárias grandes conversas nem correrias constantes em palco: a música falou por si e os suecos trataram de esmagar. A pirotecnia acrescentou ainda mais impacto ao espetáculo, enquanto o recinto se apresentava já bastante mais composto. O público respondia e a intensidade estava garantida.

Depois da descarga de adrenalina dos Enforcer e, sobretudo, da violência dos The Haunted, os Paradise Lost surgiram como uma perfeita mudança de cenário. O doom gótico dos britânicos soa simplesmente brilhante ao vivo. As melodias ganham uma dimensão particular, revelando uma classe que encontra no magnífico jogo de luzes um aliado perfeito. O palco transforma-se e o ambiente muda por completo.

Depois dos saltos e do mosh, este foi o momento para fechar os olhos, respirar fundo e deixar-se levar. As melodias dos Paradise Lost criaram um espaço hipnótico, onde cada detalhe parecia ganhar importância. Desde a pequena valsa que Aaron Aedy partilhava com a sua guitarra aos teclados, cortesia de “Sir Elton John”, segundo o típico humor britânico de Nick Holmes, tudo contribuiu para essa atmosfera. O vocalista não deixou, aliás, de trazer esse sentido de humor para o resto da atuação, lembrando que este foi, nas suas palavras, o primeiro concerto da banda realizado em frente a um “castelo insuflável”, numa divertida referência ao cenário do festival.

A fechar a noite estiveram os Ethereal, assumindo a responsabilidade de prolongar a atmosfera criada nas últimas horas. Depois de uma sucessão de propostas tão distintas, coube-lhes colocar o ponto final numa jornada que começou ainda sob a luz do dia e terminou mergulhada na escuridão.

Entre paganismo, heavy metal tradicional, thrash/death e doom gótico, o festival mostrou porque continua a ser uma das peregrinações mais importantes do metal ibérico, sendo capaz de percorrer diferentes territórios sem deixar de falar a mesma língua. A língua universal do heavy metal.


Setlists

Gnosis

1.      E Se Mais Mundo Houvera

2.      Star Eater

3.      Interlude

4.      Noite

5.      Demiurge

6.      Lightbringer

7.      Ode to the Void

 

Death And Legacy

1.      Pray

2.      Dying Life

3.      Start To Fall

4.      Salvation

5.      I Am Pain

6.      Unnamed Shadow

7.      Infernal Tragedy

8.      Damned

9.      The Devourer Of Light

10.  Hellfire


Gwydion

1.      From Hel to Asgard

2.      Hostile Alliance

3.      Thirteen Days

4.      Cad Goddeu

5.      Eldric Stormbringer

6.      Fara I Viking

7.      The Bards

8.      Mead Of Poetry

9.      Strength Remains

10.  Brewed To Taste

 

Enforcer

1.      Destroyer

2.      Undying Evil

3.      Unshackle Me

4.      From Beyond

5.      Live For The Night

6.      Die Young

7.      Coming Alive

8.      Nostalgia

9.      Mesmerized By Fire

10.  Take Me Out Of This Nightmare

11.  Hell Will Follow

12.  Katana

13.  Midnight Vice

 

The Haunted

1.      Warhead

2.      In Fire Reborn

3.      99

4.      Trespass

5.      The Flood

6.      The Medication

7.      DOA

8.      To Bleed Out

9.      No Compromise

10.  All Against All

11.  In Vein

12.  Death To The Crown

13.  Hollow Ground

14.  Dark Intentions

15.  Bury Your Dead

16.  Hate Song

 

Paradise Lost

1.      Serpent On The Cross

2.      One Second

3.      The Last Time

4.      Faith Divides Us

5.      The Enemy

6.      As I Die

7.      Salvation

8.      Requiem

9.      Say Just Words

10.  Hallowed Land

11.  Tyrants Serenade

12.  Smalltown Boy

13.  Embers Fire

14.  Ghosts

15.  Silence Like The Grave


Ethereal

1.      Our Dying Hope

2.      The Allure Of Daryah

3.      Turmoil

4.      Darkest Room

5.      Transcendence Envenomed

6.      The Last Peaceful Journey

7.      Betrayal 

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