A décima sétima edição do Milagre
Metaleiro arrancou com uma novidade de peso: um novo local para receber um
festival que, ano após ano, se afirma como uma das referências do verão
metálico nacional. Uma nova casa para acolher os milhares de metaleiros que
rumaram até à pequena aldeia de Pindelo dos Milagres, unidos pelo desejo
de celebrar o heavy metal.
O primeiro dia ficou marcado pela
diversidade e pelo contraste. Do paganismo dos Gwydion ao heavy metal
veloz dos Enforcer, passando pela violência dos The Haunted e
pelas atmosferas envolventes do doom gótico dos Paradise Lost,
houve espaço para diferentes linguagens dentro do universo metálico. Uma viagem
que começou ainda com o sol no horizonte e terminou mergulhada nas sombras.
A honra de inaugurar a décima sétima
edição coube aos Gnosis. Perante um recinto que ainda começava a ganhar
vida, a banda teve a difícil missão de dar o primeiro passo num novo palco e
num novo espaço. Uma responsabilidade cumprida com uma atuação direta e
enérgica, servindo como um competente ponto de partida para uma longa jornada.
Com o público ainda a entrar pelas portas
do recinto, os Death And Legacy assumiram o palco e começaram a
engrossar as hostes diante do palco. Comandados pela talentosa Hynphernia,
os espanhóis trouxeram um concerto seguro e dinâmico, ajudando a elevar
gradualmente a temperatura enquanto o público se começava a amontoar em frente
ao palco.
Ainda com os últimos raios de sol a
iluminar o recinto, chegaram os Gwydion. O seu viking/pagan metal
encaixou na perfeição naquele momento de transição entre o dia e a noite, e a
banda tratou de incendiar as hostes. A energia em palco, aliada ao imaginário
épico da sua música, criou uma atmosfera particularmente apropriada para um
festival que começava a entrar no seu ritmo.
Às 20h20, foi a vez dos Enforcer.
O público ainda estava longe de preencher o recinto, mas os suecos não
esperaram por uma plateia numerosa para carregar no acelerador. O seu heavy
metal tradicional arrancou cheio de velocidade, assente nas indispensáveis twin
guitars, riffs velozes e uma atitude assumidamente old school.
“We play heavy metal the real way. The only way.” foi o manifesto da
banda. Os Enforcer trouxeram consigo a nostalgia de uma certa forma de
fazer heavy metal, mas fizeram-no com a energia necessária para
conquistar quem estava diante do palco. À medida que o concerto avançava,
também o público ia engrossando, atraído por algumas brincadeiras e
coreografias oitentistas lideradas por Olof Wikstrand.
Pouco antes das 21h50, a introdução dos The
Haunted anunciou uma mudança radical de intensidade. O quinteto entrou sem
concessões, despejando sobre o recinto o seu thrash/death metal.
O mosh surgiu praticamente de imediato. Não foram necessárias grandes
conversas nem correrias constantes em palco: a música falou por si e os suecos
trataram de esmagar. A pirotecnia acrescentou ainda mais impacto ao espetáculo,
enquanto o recinto se apresentava já bastante mais composto. O público
respondia e a intensidade estava garantida.
Depois da descarga de adrenalina dos Enforcer
e, sobretudo, da violência dos The Haunted, os Paradise Lost
surgiram como uma perfeita mudança de cenário. O doom gótico dos
britânicos soa simplesmente brilhante ao vivo. As melodias ganham uma dimensão
particular, revelando uma classe que encontra no magnífico jogo de luzes um
aliado perfeito. O palco transforma-se e o ambiente muda por completo.
Depois dos saltos e do mosh, este foi o
momento para fechar os olhos, respirar fundo e deixar-se levar. As melodias dos
Paradise Lost criaram um espaço hipnótico, onde cada detalhe parecia ganhar
importância. Desde a pequena valsa que Aaron Aedy partilhava com a sua
guitarra aos teclados, cortesia de “Sir Elton John”, segundo o típico humor
britânico de Nick Holmes, tudo contribuiu para essa atmosfera. O
vocalista não deixou, aliás, de trazer esse sentido de humor para o resto da
atuação, lembrando que este foi, nas suas palavras, o primeiro concerto da
banda realizado em frente a um “castelo insuflável”, numa divertida referência
ao cenário do festival.
A fechar a noite estiveram os Ethereal,
assumindo a responsabilidade de prolongar a atmosfera criada nas últimas horas.
Depois de uma sucessão de propostas tão distintas, coube-lhes colocar o ponto
final numa jornada que começou ainda sob a luz do dia e terminou mergulhada na
escuridão.
Entre paganismo, heavy metal
tradicional, thrash/death e doom gótico, o festival
mostrou porque continua a ser uma das peregrinações mais importantes do metal
ibérico, sendo capaz de percorrer diferentes territórios sem deixar de falar a
mesma língua. A língua universal do heavy metal.
Setlists
Gnosis
1.
E Se Mais Mundo Houvera
2. Star Eater
3. Interlude
4. Noite
5. Demiurge
6. Lightbringer
7. Ode to the Void
Death And Legacy
1. Pray
2. Dying Life
3. Start To Fall
4. Salvation
5. I Am Pain
6. Unnamed Shadow
7. Infernal Tragedy
8. Damned
9. The Devourer Of Light
10. Hellfire
Gwydion
1. From Hel to Asgard
2. Hostile Alliance
3. Thirteen Days
4. Cad Goddeu
5. Eldric Stormbringer
6. Fara I Viking
7. The Bards
8. Mead Of Poetry
9. Strength Remains
10. Brewed To Taste
Enforcer
1. Destroyer
2. Undying Evil
3. Unshackle Me
4. From Beyond
5. Live For The Night
6. Die Young
7. Coming Alive
8. Nostalgia
9. Mesmerized By Fire
10. Take Me Out Of This Nightmare
11. Hell Will Follow
12. Katana
13. Midnight Vice
The Haunted
1. Warhead
2. In Fire Reborn
3. 99
4. Trespass
5. The Flood
6. The Medication
7. DOA
8. To Bleed Out
9. No Compromise
10. All Against All
11. In Vein
12. Death To The Crown
13. Hollow Ground
14. Dark Intentions
15. Bury Your Dead
16. Hate Song
Paradise Lost
1. Serpent On The Cross
2. One Second
3. The Last Time
4. Faith Divides Us
5. The Enemy
6. As I Die
7. Salvation
8. Requiem
9. Say Just Words
10. Hallowed Land
11. Tyrants Serenade
12. Smalltown Boy
13. Embers Fire
14. Ghosts
15. Silence Like The Grave
Ethereal
1.
Our
Dying Hope
2.
The
Allure Of Daryah
3.
Turmoil
4.
Darkest
Room
5.
Transcendence
Envenomed
6.
The
Last Peaceful Journey
7. Betrayal

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