Review: Dangerous Tides (INSANE SLAVE)

 

Dangerous Tides (INSANE SLAVE)

Insane Productions

Lançamento: 27/junho/2026

 

Aparentemente, os Insane Slave nunca foram uma banda apressada. Desde a formação, no Porto, em 2008, o percurso do grupo tem sido pautado por longos silêncios entre edições: sete anos separaram o EP The Night Rider do álbum de estreia homónimo, e foram precisos mais oito para que Dangerous Tides chegasse finalmente à superfície. Felizmente, este regresso demonstra que a espera não foi sinónimo de estagnação. Com um rock alternativo robusto, frequentemente tingido por uma saudável dose de grunge, Dangerous Tides revela uma banda capaz de equilibrar intensidade e sensibilidade, alternando entre momentos de aspereza visceral e passagens marcadas por uma acentuada carga melancólica. Será isto a que eles chamam de perturbação rockipolar? Aparentemente, sim. E isso percebe-se logo nos dois temas iniciais: Survive, com uma inesperada introdução folk protagonizada pela gaita de foles, em que o baixo assume um papel particularmente interventivo e conduz uma melodia memorável; e Habibi, enriquecido por discretos aromas de inspiração árabe, que desde cedo mostra uma vontade de expandir horizontes. O álbum apresenta, contudo, duas velocidades bem distintas. Os temas mais extensos são, sem dúvida, o seu grande trunfo. Desenvolvem-se com naturalidade e evidenciam uma notável capacidade de construção. Já os cinco temas com menos de três minutos — incluindo Living Souls, que, com apenas um minuto e meio, funciona praticamente como um interlúdio — deixam uma sensação agridoce. Continuam a ser eficazes, muito graças ao excelente desempenho vocal e à qualidade das composições, mas é inevitável pensar que algumas destas canções mereciam mais alguns compassos para atingirem todo o seu potencial. Ainda assim, Dangerous Tides guarda o melhor para o fim. A delicada balada Running Tree, conduzida pelo piano, prepara o terreno para um encerramento verdadeiramente épico, com 40 Seconds a fechar o disco com autoridade e a deixar a impressão de que os Insane Slave continuam a saber exatamente como navegar estas águas perigosas. Com algumas ideias que pediam um pouco mais de espaço para crescer, este é, ainda assim, um regresso sólido, inspirado e suficientemente convincente para justificar os oito anos de espera. [85%]

 

Highlights

40 Seconds, Ghosts Of Fire, Running Tree, Survive, Drive, Breaking Lights

 

Tracklist

1.      Survive

2.      Habibi

3.      Ghosts Of Fire

4.      Dangerous Tides

5.      Drive

6.      In The Lap Of The Gods

7.      Caged Birds

8.      Living Souls

9.      Breaking Lights

10.  Shoot The Messenger

11.  Running Tree

12.  40 Seconds

 

Line-up

João Bonito – bateria

André Renato Teixeira – baixo

Névio Silva – teclados

Rui Miguel – guitarras

César Alves – guitarras, vocais

 

Convidados

Carlos Costa Alves – vocais (4, 8), guitarras (4, 7), clavinete (3), sintetizadores (1, 3, 4, 7, 8)

Marcelo Almeida – gaita de foles (1)

Alexandre Brandão – guitarra solo (5)

 

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