quarta-feira, 7 de maio de 2014

Entrevista: Devil's Heaven

O que fazem nomes consagrados como Jonas Reingold, Jaime Salazar ou Richard Andersson juntos com músicos menos conhecidos como Michael Mansson ou Jake Sandberg? Fazem os Devil’s Heaven, a grande surpresa desta primeira metade do ano de 2014. Heaven On Earth é o trabalho de estreia, criado pela mente e mãos de Michael Mansson e facilmente se percebe o porque dos consagrados citados aceitarem participar: este é um álbum verdadeiramente monumental! Fomos contactar o simpático dentista, perdão, guitarrista Michael Mansson para nos falar sobre este projecto. Para já ficamos a saber, entre outras coisas, que um segundo disco já está a ser trabalhado.

Olá Michael! Obrigado pela tua disponibilidade. Antes de mais, parabéns pelo vosso excelente álbum. Podes, para já apresentar os Devil’s Heaven?
Obrigado. Sentimo-nos muito honrados. Devil’s Heaven é uma banda de metal melódico, pelo menos temos esperança. Alguns chamam-nos de hard rock ou rock melódico. Felizmente, os limites do metal não têm sido ultrapassados. De qualquer forma, trata-se apenas de uma questão semântica. A verdade é que este álbum é muito eighties uma vez que a maioria de nós é inspirada por essa época. O próximo disco, que já está em fase de criação e escrita poderá ter outros elementos. No entanto, em geral, o estilo não difere muito do que temos apresentado até agora. Fica aqui uma breve apresentação dos membros: Jonas Reingold toca baixo, mas domina qualquer instrumento. Nos últimos tempos tocou com Mike Portnoy, Neal Morse, entre outros, Flying Colors e também Flowerkings, onde é um membro permanente no processo de composição. Jaime Salazar toca bateria. Também é bastante diversificado. Toca tudo desde metal e prog até jazz e pop. Jaime tocou em todos os álbuns de Russell Allen/Jorn Lande e num monte de outras coisas. Richard Andersson toca todos os tipos de teclados no álbum. Ele também produziu, gravou, fez os arranjos e a mistura. Richard é, na minha opinião, o teclista mais talentosos do planeta. Tocou nos seus próprios grupos tais como Majestic, Time Requiem e Space Odissey antes de se ter reformado da música há alguns anos. Por alguma razão consegui convencê-lo a voltar. Jake Sandberg toca a guitarra que sai da coluna direita, na perspetiva do ouvinte. Ele é muito versátil e um talento na improvisação. Vale a pena ouvir o seu outro grupo, Aces High. Marcus Nygren, o nosso vocalista, é o que é. Um prodígio vocal com educação musical académica. O seu talento é extraterrestre. Eu toco a guitarra que sai do lado esquerdo. Como Richard, estou afastado da música há algum tempo. Apenas tenho um álbum antes: em nome próprio, Mansson, em 1999.

Como se percebe, a maioria de vocês toca noutras bandas. Portanto, quando surgiu a ideia de começar este projeto? Quais as principais motivações?
A ideia surgiu há cerca de cinco anos atrás, quando tropecei em Pete Sandberg, ex- vocalista dos Alien uma banda de AOR conhecida dos anos 80. Começamos com algumas ideias velhas minhas cruzadas com algumas coisas novas que rapidamente escrevi e apresentei a Pete e Richard. Nós não estávamos certos se devíamos formar o grupo nem como chamá-lo. Tentámos alguns músicos durante as gravações. Depois de algum tempo Pete saiu e tivemos que procurar outro vocalista. Entrou Marcus Nygren. Tudo se desenvolveu ao longo dos anos. A única motivação era escrever e gravar algumas músicas realmente boas e depois deixá-las voar. Sabíamos que tínhamos talento coletivo e bom material. As imagens e o artwork vieram para refletir o conteúdo lírico.

Portanto, poderemos considerar os Devil’s Heaven um super-grupo ou não?
Se o desejares. Alguns destes músicos estão ativos há muito tempo e já alcançaram, pelo menos artisticamente, algumas coisas bastante surpreendentes. Basta ouvir Time Requiem de Richard ou Karmakanic de Jonas. Estes senhores não carregam merda nas suas mochilas musicais.

Sendo um projeto paralelo, manterão as vossas posições nos grupos originais…
Alguns sim. Richard, como já te disse, enterrou os seus antigos projetos. Jaime é muitas vezes um pistoleiro. Não sei se toca de forma permanente em algum grupo atualmente.



Como foi o processo de construção de Heaven On Earth
Estava a ver televisão e a tocar guitarra. Apresentei o resultado aos meus colegas compositores e a Richard para ser construído em estúdio. Em seguida, apresentamos tudo aos outros membros.

De qualquer forma, vindo todos de diferentes géneros dentro do metal, como trabalharam em conjunto?
Desta vez, a música e as letras vieram de mim e de dois colegas de odontologia. Na sua maioria, os arranjos foram feitos por Richard, mas também há alguns de Jonas e Jake. Como há um grande número de compositores talentosos na constelação, espero ter um maior envolvimento criativo da parte deles na próxima vez.

Este é um trabalho com um forte sentimento eighties. Concordas? Foi a tua ideia desde o início?
Totalmente. Como já mencionei, fomos forjados nessa época. Começar a escrever um álbum de nu-metal seria tão mau como estrear-me num filme porno.

Quais os principais aspetos líricos abordados em Heaven On Earth?
Provavelmente sexo, violência, morte e revelações bíblicas. Alguns podem também detetar um certo tom desrespeitoso para com o politicamente correto. Acho que este último é uma grave ameaça para a moderna sociedade democrática.

Fala-me do processo de gravação. Alguma dificuldade causada, por exemplo, por problemas de agenda?
Apenas uma regra: 8 horas, banho tomado, barba feita, penteados e próstata contraída no estúdio do Richard para uma sessão de, pelo menos, 10 horas. O resto fez-se sozinho, uma vez que todos estes elementos sabem o que fazem. Jonas saiu em tournée pelos EUA, de vez em quando. Se não fosse isso, tudo tinha sido sem qualquer tipo de problema.

Todos os elementos têm bastante experiência, com exceção de ti, que apenas tens um álbum gravado. Como se descobriram?
Richard, Jake e Jonas já trabalharam comigo antes (no meu álbum Mansson - Arch Of Decadence, 1999). Jaime e Jonas fizeram bastantes trabalhos juntos no passado. O que realmente havia para descobrir era o que cada um trouxe de bom.

Uma curiosidade - é verdade que és dentista?
Sim, sou, mas nesse aspeto eu tento trabalhar livre de metal. Sem amálgamas nas restaurações.

Teremos em breve alguma tournée dos Devil’s Heaven?
Nesta fase estamos todos demasiado ocupados para ir para a estrada. Com mais um álbum teremos mais material para um espetáculo. É isso que estamos a programar.

Obrigado, Michael! Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os vossos fãs?
O prazer foi meu, Pedro. Obrigado novamente pelo teu apoio aos Devil’s Heaven. Estamos gratos pelas reações positivas quer dos media quer dos fãs em todo o mundo. Tu pareces ter uma boa cultura de metal melódico em Portugal, bem alimentado por alguns fantásticos programas de rádio. Fiquem atentos a outros vídeos dos Devil’s Heaven. Se gostaram de Heaven On Earth, o próximo será ainda melhor!

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