quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Entrevista: Saracen

Se Marylin seguiu os passos de Vox In Excelso em termos de álbum conceptual, Redemption acaba por nos mostrar uns Saracen de regresso às suas raízes heavy metal sem qualquer conceito lírico. Três anos depois do álbum que revisita a história do símbolo americano, voltamos a conversar com Rob Bendelow para perceber as motivações da banda britânica para a criação de mais um grande disco.

Olá Rob e obrigado por mais esta oportunidade. O que têm feito os Saracen desde a última vez que falamos, há três anos?
Olá! É muito bom falar contigo novamente. O nosso álbum Marilyn foi lançado no verão de 2011. Depois de alguns meses parados, começamos a trabalhar neste novo álbum. E isso dominou o nosso tempo até ao início do verão deste ano (2014).

Definitivamente Redemption é um regresso às vossas origens. Em que fase decidiram ir por esse caminho?
Por alturas do Natal de 2011, Steve e Paul B vieram visitar-me. Fomos para o meu pub local e falamos sobre Marilyn. Em retrospetiva, sentimos que ele não era um verdadeiro álbum de Saracen em termos de equilíbrio de estilos de música e grande quantidade de convidados. Não me interpretem mal - nós colocamos todo o nosso coração e alma nele e a contribuição dos convidados foi ótima; não há palavras para descrever como foi trabalhar com Robin Beck. Mas… no fim de contas, Marilyn foi um álbum que deixou pouco de nós. Então, eles desafiaram-me a escrever um álbum de Saracen de regresso às nossas origens. Redemption é o resultado.

Um álbum com guitarras pesadas e vocais em jeito de sirene, na senda do NWOBHM. Concordas? Era essa a vossa intenção?
Em termos de NWOBHM, não concordo, mas guitarras pesadas, vocais ricos, letras fortes e teclados exuberantes são parte integrante da marca Saracen. Assim, sim, foi absolutamente nossa intenção criar um álbum pesado de Saracen (e eu acho que fizemos!).

E desta vez não é um álbum conceptual…
Correto. Tanto Marilyn como o seu antecessor Vox In Excelso foram álbuns conceptuais. Por outro lado, Redemption, é uma coleção em linha reta de faixas que não se relacionam (como Red Sky e Heroes, Saints & Fools).

Portanto, é uma espécie de redenção para os fãs?
Acho que sim. A lealdade dos nossos fãs, em todo o mundo, nunca deixa de nos surpreender. Redemption é, definitivamente, para eles. Acho que isso mostra os Saracen no seu melhor. Há, é claro, luz e sombra ao longo dos 70 minutos de música, mas a paisagem sonora é dominada pelo nosso som caraterístico, de heavy rock sinfónico. Para os fãs de Saracen sentimos que tínhamos passado uma tangente com Marilyn. Esperamos ter-nos redimido verdadeiramente com este álbum.

E não deve ter sido uma tarefa difícil ter voltado ao vosso som original?
Totalmente! Apenas andamos uns anos para trás. Podemos já não ter cabelo... mas nunca se perdem as raízes. O meu trabalho é escrever as músicas. Sem inspiração não tenho nada, mas felizmente correu bem e rápido, depois das visitas natalícias do Steve e Paul.

De qualquer forma, é um regresso às origens muito atualizado, não concordas? Que percentagem desse update esteve nas mãos de Tommy Hansen?
Absolutamente. Tommy é um mágico! A sua contribuição aqui não pode ser exagerada. Com Redemption ele criou o nosso melhor álbum de sempre. A minha banda favorita - Black Sabbath - criou o álbum maravilhoso que é 13, graças à sua genialidade, é claro... mas afinados pelo seu produtor Rick Rubin. A contribuição de Rubin foi a adição definitiva para o cocktail Sabbath. O mesmo se passou com Tommy e Redemption.

Ainda assim, Marylin foi um enorme sucesso. Alguma vez pensaste em quão difícil seria fazer um álbum ainda melhor? Sentiste alguma pressão por isso?
Não, realmente. A abordagem back-to-our-roots permitiu-nos ver claramente o caminho a seguir. Foi como voltar para casa.

Este álbum também inclui duas músicas de 1981. Porque decidiste incluí-las? São diferentes versões?
Não são bem diferentes versões, mas antes gravações totalmente novas. Sempre quis regravar os quatro hinos do nosso álbum de estreia. Fizemos Horsemen Of The Apocalypse e Heroes, Saints & Fools no nosso álbum Red Sky. Ficaram a faltar Crusader e Ready To Fly - daí a sua oportuna aparição em Redemption. Tocando novamente estas músicas senti-me como estivesse a visitar velhos amigos!

A canção Reacher tem uma história curiosa. Pode contar-nos? Quando a poderemos ver num filme?
Seria realmente fantástico vê-la no próximo filme Reacher! Eu sou um grande admirador de romances. Lee Child criou uma fantástica personagem em Jack Reacher - tão bem retratado que parece cada vez mais real a cada leitura. Fui inspirado a escrever uma música sobre Jack, tão simples quanto isso. Lee ouviu uma demo da canção e concordou que ela capturava a sensação de seu caráter. Louvor, de facto!

A respeito de convidados têm mais uma vez a Karensa Kerr, embora desta vez a lista de convidados seja bastante mais curta. Também, não fazia sentido ter muitos convidados, suponho eu…
Correto. Desta vez não havia necessidade de ter muitos convidados. Há apenas uma balada em Redemption, e senti que esta iria beneficiar da abordagem rapaz-rapariga, daí o nosso convite para Karensa para estar ombro a ombro com Steve. Acho que fizeram um ótimo trabalho. Karensa também teve uma grande contribuição para o nosso álbum Marilyn.

Podes explicar-nos a situação de Richard Bendelow. Ele não é membro efectivo dos Saracen, embora tenha participado a tempo inteiro em Marylin?
Correto. Richard é um Bendelow júnior. É um bom cantor e um artista consumado. Richard cantou todas as harmonias vocais em Redemption, além dos vocais agressivos estilo hip-hop em Reacher. E sim, também teve uma grande contribuição em Marilyn bem como em Vox In Excelso.

Já têm alguma tournée planeada?
Nunca digas nunca, mas para já não há planos para tocar ao vivo nesta fase.

Obrigado Rob, mais uma vez! Foi um prazer conversar contigo. Queres acrescentar mais alguma coisa para os nossos leitores ou para os teus fãs?
O prazer é mútuo! Tal como antes – um enorme obrigado pelo teu apoio e pela oportunidade desta entrevista. Para os fãs - o que podemos dizer - 35 anos de lealdade... e somando! Enorme gratidão dos membros passados ​​e presentes de Saracen. Esta é a verdadeira inspiração por trás do que fazemos. Esperamos que gostem de ouvir Redemption tanto quanto nós gostamos de o ter feito. Saudações! 

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