segunda-feira, 20 de julho de 2015

Entrevista: The Statesboro Revue


Mais orientados para as suas raízes texanas, com um acentuar das influências country music, e assumindo conscientemente uma atitude mais minimalista, Jukehouse Revival é um disco diferente sem deixar de ser um disco de grandes canções como os The Statesboro Revue já nos habituaram. Fomos mais uma vez falar com Stewart Mann, líder do projeto e por ele ficamos a conhecer algumas histórias curiosas vividas pela banda e da sua paixão por nuestros hermanos espanhóis.

Olá Stewart, como vais? Mais uma vez obrigado pelo teu tempo com Via Nocturna e parabéns pelo vosso novo e excelente álbum.
Eu estou bem e vocês por aí? Estamos entusiasmados para começar a levar o novo álbum até às pessoas...

O que têm feito os The Statesboro Revue desde a última vez que falamos, para além deste novo álbum?
Tem sido uma loucura, sucessivamente em tournée pelos EUA mais a tournée europeia de 2 meses e 37 espetáculos em junho. Desde que regressamos aos Estados Unidos, lançamos o nosso primeiro single (Undone) e estamos a preparar-nos para lançar o álbum em todo o mundo no dia 7 de agosto.

Falando deste novo álbum... alguma coisa mudou no processo de criação ou manténs-te tu e o teu irmão como os principais compositores?
Desta vez ramificamos esse processo e tentei escrever com tantas pessoas quanto possível. Acho que há 3 ou 4 músicas do álbum em que tivemos ajuda exterior o que foi muito diferente para nós, mas também muito gratificante. Ter alguém a contribuir diretamente com a banda e que não esteja envolvido diariamente no nosso som ajudou o processo global, penso eu.

Desta vez tenho a perceção que estão mais orientados para a música country. Sentes o mesmo?
Yeah, com certeza! Concordo com isso. Acho que temos evoluído no sentido do roots rock/americana ao longo dos anos, mas não estou certo se isso é um esforço consciente ou se apenas o produto de nós ficarmos mais velhos e tentarmos incorporar mais das nossas influências country. Para mim, pessoalmente, a música country foi a primeira música que gostei e a que me fez querer tocar e era quase inevitável que iria acabar por voltar para essas raízes, por assim dizer. Dito isso, o nosso espetáculo ao vivo é tão rockeiro como sempre e eu, enquanto performer, ainda estou mais no rock ‘n’ roll que no country. Não gosto de ficar parado em palco e acho que isso vem de anos a idolatrar killer vocalists como Mick Jagger, Joe Cocker, Otis Redding e por aí fora!

Este é um álbum menos complexo, com menor número de instrumentos, não é? A tentativa de ser mais minimalista?
Estás absolutamente certo! Estou muito feliz que tenhas prestado atenção ao nosso disco. Esta abordagem minimalista foi definitivamente uma escolha consciente. Fomos para este disco com a ideia de que estas músicas não precisavam de uma produção e uma instrumentação extravagante. Às vezes queremos discos e música enormes, outras vezes apenas desejas dimensionar as coisas um pouco para trás e deixar que as próprias canções brilhem de forma simples.

As primeiras reações já estão a chegar? Como tem sido o feedback?
Até agora as reações têm sido absolutamente incríveis, isso é muito bom a respeito dos nossos fãs - eles adoram tudo o que fazemos. Claro que não podemos agradar a todos, e tenho a certeza que algumas pessoas vão pensar que é demasiado country, outros pensarão que é demasiado bluesy, outros que é muito acústico. Aprendemos ao longo dos anos que para fazer os melhores discos devemos ser fiéis a nós mesmos. O resto segue naturalmente, pelo menos espero.

Terminaram recentemente mais uma tournée europeia. Como correram as coisas? Ainda melhor que da primeira vez?
A Europa é tão incrível para nós e estaremos para sempre gratos por isso. Parece que vamos para essas tours sem certezas da resposta, do resultado, das multidões, dos locais, etc. e voltamos para casa sempre satisfeitos e rejuvenescidos musical e espiritualmente. Os verdadeiros amantes da música, que é como eu descrevo todos que vêm aos nossos espetáculos na Europa, independentemente do país. Com isso dito, a Espanha é sempre um momento épico. Adoramos cada segundo. A comida, a cultura, a música, as pessoas… tudo! Se eu fosse viver noutro lugar que não o Texas, seria Espanha, sem dúvida. Mal podemos esperar para voltar novamente!

Depois da tournée europeia vem outra americana... e a começar logo no vosso estado, Texas...
Sim, senhor, de volta para a espalhar a palavra e tentar ganhar a vida -palavra-chave tentar. Honestamente somos abençoados por sermos capazes de escrever canções e ver o mundo dia a dia. Todos os dias acordo sem nada para fazer, mas se tocar música já é um dia dos diabos!

E foi por isso que ganharam o título de "guerreiros da estrada"... Sempre na estrada. Definitivamente, a vossa casa...
Sim, obviamente estamos muito habituados a andar na estrada e estamos ainda mais acostumados a dormir em camas de hotel a cada noite. É sempre difícil separarmo-nos da banda na carrinha porque estamos tanto tempo com eles que se tornam parte da banda. De facto, em Tallahassee, FL depois de tocarmos com os Lynyrd Skynyrd, a nossa carrinha avariou. Estávamos todos de ressaca e cansados e prontos para voltar ao Texas mas não tínhamos outra opção já que os quartos para alugar estavam esgotados, os voos eram muito caros, e portanto, tivemos que comprar uma carrinha Dodge Ram Conversion de 1991 pintado com margaridas. Paguei 1500 dólares e milagrosamente voltámos para o Texas a tempo do meu aniversário, apesar de um limpador partido no caminho e com seis elementos e com todos os equipamentos. Agora tenho necessidade de vendê-la porque podíamos usar o dinheiro, mas até agora o meu coração não me deixou fazer isso. Agora ela é parte da nossa história e um membro da nossa família.

Para além das tournées, que os outros projetos têm em mente para os próximos tempos?
Tudo o que temos em mente agora é fazer uma tournée promocional de rádio para promover o single, lançar o disco e tentar o nosso melhor para manter a espalhar a palavra sobre a nossa banda e nossa música. Este negócio tem tantos altos e baixos e parece que todos os dias outro obstáculo é colocado na nossa frente, mas sinto que desde que permaneçamos com atitude positiva e mantenhamos o contacto com os nossos amigos espanhóis tudo vai ficar bem!!

Muito obrigado Stewart. Desejamos-te tudo de melhor para ti e para os TSR. Queres acrescentar mais alguma coisa?
Não conseguimos agradecer o suficiente por todo o apoio ao longo dos últimos anos e esperamos poder ver-vos e podermos lançar muitos discos ao longo dos próximos anos.

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