terça-feira, 22 de agosto de 2017

Review: XXV Anos (Alcoolémia)

XXV Anos (Alcoolémia)
(2017, Display Music)
(6.0/6)

Se há nome que marcou uma geração no rock nacional é o de Manelito e dos seus Alcoolémia. Foi durante a década de 90 que a banda criou hits memoráveis como Não Sei Se Mereço, Até Onde Posso Ir, Só Tu e Eu ou Para Que Sonhar, no seu género de criar rock cantado em português em registo baladesco com a guitarra acústica sempre bastante presente. O novo milénio não tem sido tão proveitoso, quer em termos de popularidade que em termos de lançamentos discográficos com apenas dois registos em 14 anos, Alcoolémia (2007) e Palma da Mão (2014). E isso também fica demonstrado em XXV Anos, com apenas três dos dez temas retirados destes últimos discos. Ainda assim, a banda chega aos 25 anos de carreira, uma marca não muito fácil de atingir no nosso panorama rockeiro, mantendo-se sempre fiéis aos seus objetivos e identidade. XXV Anos é o seu novo disco e representa isso mesmo: uma brilhante forma de comemorar o quarto de século de existência, para isso lançando um disco com os seus maiores sucessos e convidando alguns dos mais importantes nomes nacionais para com eles colaborarem (ver lista abaixo). E o que se pode dizer é que todos estes temas, enormes de qualidade, se transformam e conseguem ser elevados a um patamar ainda maior de qualidade. Desde logo a presença do GNR Paulo Borges nas teclas dá uma nova dimensão aos temas. Depois todas as colaborações são preciosas e acrescentam realmente algo de novo. Pela mestria dos arranjos vocais e dinâmicas imprimidas merece especial relevo a prestação dos irmãos Rosado, dos Anjos, em Até Onde Posso Ir. Também as linhas rap, cortesia de Alfredo Costa (Skills And Bunny Crew) em São Sempre os Mesmos deve ser destacada. Apenas um tema não conta com nenhum convidado – o poderoso hard/punk rock Batam Com a Cabeça no Chão. Claro que a guitarra acústica tem uma forte presença aqui, mas a distorção suja também surge, bem como excelentes solos de guitarra elétrica, solos de piano e até de saxofone. Aos Alcoolémia apenas dizemos obrigado por 25 anos de canções rock e que outros 25 venham a caminho. E este disco só vem provar a qualidade da banda e o respeito que nutrem nos seus pares.

Tracklist:
1.      Não Sei Se Mereço
2.      Portugal o Nosso País
3.      Até Onde Posso Ir
4.      Fugir Para Quê?
5.      Palma da Mão
6.      Só Tu e Eu
7.      Queria Roubar-te um Beijo
8.      São Sempre os Mesmos
9.      Batam Com a Cabeça no Chão
10.  Para Quê Sonhar

Line-up:
Manelito – guitarras
Pedro Madeira – guitarras
João Beato – voz e guitarras
Márcio Monteiro – bateria
Bruno M. Paiva – baixo

Convidados:
Carlos Tavares (Grupo de Baile), Nuno Norte, António Manuel Ribeiro (UHF), Anjos, Zeal (Dr. Estranho Amor), Vasco Duarte (Ossos do Ofício), Tiago Estrela (Rock Em Stock), Alfredo Costa (Skills And Bunny Crew), Maria João e Paulo Borges (GNR)

Internet:
Website    
Facebook   

Edição: Display Music

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Review: Let's Get A Little High (The Legendary)

Let’s Get A Little High (The Legendary)
(2017, My Redemption Records/Cargo Records)
(5.9/6)

Depois do EP Pirates em 2014 e dois singles, os The Legendary chegam ao seu primeiro longa duração intitulado Let’s Get A Little High. São onze temas que navegam por ondas de stoner/southern rock com bastante energia, musicalidade e criatividade. Mas Let’s Get A Little High é um disco bastante pluralista pelas suas sucessivas diferenciadas abordagens, o que faz com que o possamos, claramente, dividir em duas partes. A primeira, a começar em Rocket Ship e a terminar em Sazerac Woman é baseada em estruturas de rock ‘n’ roll enérgico, aditivado e cheio de atitude. Um stoner rock cheio de groove e suor. Mais hard rock a abertura; mais soulful Let’s Get A Little High, muito por culpa da voz soul de Josephine Volk; mais bluesy à ZZ Top Half A Devil; mais grunge Sazerac Woman. Em comum, os riffs monumentais, graves e densos, a produção suja e o som alto. A partir de Feel Some, os The Legendary mostram uma outra faceta: mais trabalhada, mais musical, mais melódica, com arranjos mais sofisticados, em suma mais evoluída. São temas não tão diretos nem tão energéticos mas mais enriquecidos em termos de pormenores de composição. Embora, sem nunca ser posta de lado a componente stoner e southern. Como exemplos dessa maturidade, apontam-se: a sequencialidade rítmica entre The Path e Shot In The Dark, os ritmos a lembrar DAD em The Dirt, o spoken word em Extraterrestrial; ou a espetacular base acústica de Tomorrow.  E é todo este envolvimento de criatividade e diversidade, com belas melodias, mas também com riffs pesadões que tornam este Lets Get A Little High um disco de grande intensidade e riqueza estrutural. 

Tracklist:
1.      Rocket Ship
2.      Let’s Get A Little High
3.      Half A Devil
4.      Sazerac Woman
5.      Feel Some
6.      The Path
7.      Shot In The Dark
8.      The Dirt
9.      Extraterrestrial
10.  Tomorrow
11.  Kissin Kate

Line-up:
Stefan Tönjes – bateria
Sebastian Philipp – baixo
Alexander Pozniak – guitarras
Thorsten Rock – vocais, guitarras

Convidados:
Hape Ernst – slide guitar em Let’s Get A Little High
Josephine Volk – background vocals em Let’s Get A Little High
Max Schlichter – background vocals em Extraterrestrial

Internet:
Website   
Facebook   

domingo, 20 de agosto de 2017

Flash-Review: Nevermore (Essence Of Datum)

Álbum: Nevermore
Artista: Essence Of Datum    
Edição: Independente
Ano: 2017
Origem: Bielorrúsia
Género:  Prog Metal, Instrumental Metal
Classificação: 5.6/6
Análise:
Da Bielorússia chegam-nos os Essence Of Datum, um trio de prog metal instrumental que apresenta Nevermore, trabalho composto por 8 temas. Exuberantes solos, alguma complexidade, interessantes dinâmicas e a magia criada pelo exotismo da inclusão em três temas do saxofone são os maiores destaques de um disco de muito boa qualidade. 
Highlights: Satellites, Siberia, Aurora (Australis/Borealis), Thorns
Para fãs de: Joe Satriani, Steve Vai, Ritchie Kotzen, Tool, Opeth

Tracklist:
1.      Satellites
2.      Animal
3.      HexaDecimal
4.      Siberia
5.      Aurora (Australis/Borealis)
6.      Blodorn
7.      Thorns
8.      Omens

Line-up:
Dmitry Ramanouski – guitarras
Alex Melnikau – baixo
Pavel Vilchytski – bateria

Convidados:
Nikita Metelski – saxofone
Alex Dzemidzenka – percussão

sábado, 19 de agosto de 2017

Notícias da semana

Os Moonspell e a Alma Mater Records orgulham-se de apresentar 1755, o novo álbum da banda nacional, produzido por Tue Madsen (Meshuggah, The Haunted), um disco conceptual, cantado em português, sobre o terramoto que devastou Lisboa no século XVIII. O disco é editado mundialmente a 3 de novembro pela Napalm Records, e tem distribuição em Portugal pela mão da própria banda, através da sua editora Alma Mater Records. Destaque para a participação do fadista Paulo Bragança, convidado no tema In Tremor Dei. O alinhamento inclui uma versão do tema Lanterna dos Afogados, original dos Paralamas do Sucesso.


Os Blood God lançam, a 29 de setembro, via Massacre Records, o triplo CD Rock ‘n’ Roll Warmachine. Esta edição contém os álbuns Thunderbeast, Blood Is My Trademark e No Brain But Balls, adicionado de 8 faixas bónus, incluindo versões de AC/DC, Accept e Judas Priest.



Rejubilem, fans dos Voice! O coletivo germânico de melodic power metal está, finalmente de regresso. A banda assinou pela Massacre Records para o lançamento do seu novo álbum, The Storm, no final de outubro. The Storm é o seu quinto álbum e promete oferecer uma viagem através de vários géneros dentro do metal.


O coletivo francês de true heavy metal, Lonewolf, lançam o seu próximo álbum a 22 de setembro via Massacre Records. Raised On Metal é composto por um misto de canções rápidas e com coros apelativos com outros temas mid-tempo e épicos. O tema de avanço, Through Fire já pode ser ouvido.



O apelido de Cindy Blackman Santana diz-vos alguma coisa? Precisamente, trata-se da esposa do lendário guitarrista Carlos Santana e que está, atualmente, em tour com o marido. Virtuosa baterista de jazz e rock, Cindy Santana lança, em formato digital, o seu mais recente single, Fun, Party, Splash no final deste mês pela Tarpan Records com produção do premiado Narada Michael Walden.


Os Gin Lady formaram-se em 2011 e um ano depois lançaram o seu primeiro álbum homónimo. Os suecos são influenciados por artistas como The Faces, Alice Cooper, Master’s Apprentices, Cream e Blue Oyster Cult. Depois de dois álbuns onde obtiveram bastante sucesso, lançam o seu mais importante álbum, Electric Earth.



Após 10 anos e 4 álbums ao volante de La Chanson Noire - e antes de se mudar de armas e bagagens para o sul de França - Charles Sangnoir revisita as suas raízes de blues, rock e cabaret e estreia-se com um disco em nome próprio: Charlie Plays the Blues é isso mesmo, uma visita ao jazz dos anos 30, ao blues que vai de Mississipi a Chicago, com uma piscadela de olho ao cabaret alemão de princípio de século XX e sempre com a adrenalina do rock n roll nas veias. O resultado é um blues elétrico, eclético, intenso e pleno de feeling.


O novo trabalho dos Time For T, Hoping Something Anything foi gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California. Vai ser editado dia 15 de setembro pela Last Train Records. Devido à produção própria, os Time For T conseguiram explorar, sem limitações, as sonoridades que tinham imaginado para este novo trabalho e o som está mais desafiante que nunca, com momentos orquestrais e canções menos pop que o que têm vindo a compor até hoje. O vídeo do single de avanço Ronda já foi disponibilizado.


Grandfather’s House é uma banda de Braga que surge em 2012. Com Tiago Sampaio na guitarra, Rita Sampaio nos sintetizadores e voz e João Costeira na bateria, contam até hoje com mais de 250 concertos dados por todo o país e internacionalmente. Atualmente, preparam o lançamento do seu terceiro disco - Diving -, resultado de uma residência artística no espaço gnration (Braga), contando com as participações de Adolfo Luxúria Canibal, Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respetivamente. Com um método de composição mais complexo, que contou com a participação de mais um elemento em todos os temas – o músico convidado, Nuno Gonçalves (teclas) – a banda, explora assim, uma sonoridade mais densa. Diving será editado dia 15 de setembro de 2017, sendo agora lançado o single de avanço You Got Nothing To Lose.


Como anteriormente anunciado, os Dead By Wednesday estão presentes na EMP Label Group U.S. Tour, que começou a 17 de agosto em Clifton Park, Nova Iorque, juntamente com os Raven. Como forma de comemorar esta tour, a banda lançou uma nova canção, Darwin's Dance, um bom exemplo do que esperar no seu próximo longa-duração.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Review: Gunmen (Orden Ogan)

Gunmen (Orden Ogan)
(2017, AFM Records)
(5.5/6)

Normalmente a música que vem da Alemanha é boa e os Orden Ogan não fogem à regra tendo-se notado uma evolução progressiva de álbum para álbum até este Gunmen, onde mostram o seu expoente máximo. Este será também o álbum mais consistente dos germânicos, uma vez que, embora não tenha grandes hits, também não tem momentos tão baixos como se verificou noutros álbuns. Apesar de tudo Gunmen acaba por se tornar, por vezes, algo repetitivo, pois os coros épicos, como só eles sabem fazer, aparecem em demasia, nomeadamente nos refrães, o que acaba por os tornar exaustivos. É de realçar o fabuloso trabalho de Dirk Meyer-Berhorn na bateria, principalmente nos dois primeiros temas, num álbum em que as guitarras potentes e com riffs musculados também acabam por abusar das cavalgadas estando na origem de alguma repetitividade rítmica. Outro dos pontos a destacar é o facto de em algumas músicas haver blast beats que reforçam o poder já demonstrado. No fundo a mestria, a complexidade e a sobriedade são as principais bases de Gunmen, que apesar de tudo apresentam um grande trabalho.

Tracklist:
1.      Gunman
2.      Fields Of Sorrow
3.      Forlorn And Forsaken
4.      Vampire In Ghost Town
5.      Come With Me To The Other Side
6.      The Face Of Silence
7.      Ashen Rain
8.      Down Here
9.      One Last Chance
10.  Finis Coronat Opus

Line-up:
Tobi – guitarras
Sebastian Levermann – vocais, guitarras e teclados
Niels Löffler – baixo
Dirk Meyer-Berhorn – bateria

Internet:
Facebook   
Myspace   
Website   
Twitter   
Youtube   

Edição: AFM Records           

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Review: Fia-te na Virgem e Não Corras (Chapa Zero)

Fia-te na Virgem e Não Corras (Chapa Zero)
(2017, A Moca da Foca)
(5.5/6)

O segundo álbum dos Chapa Zero volta a trazer-nos um conjunto de temas de punk rock como ele deve ser feito. Mas, antes de mais, convém dizer claramente que se nota uma evolução consistente do primeiro álbum para este. A crítica sarcástica mantém-se atualizada abordando temas recorrentes, como a corrupção política, o compadrio, o fanatismo religioso, a exuberância demonstrada por uma sociedade em estado decadente, entre outros habitualmente menos falados mas igualmente importantes - ouçam Zé Faísca e facilmente perceberão que a banda está bem atenta! Depois, essa crítica vem acompanhada de um humor mordaz e com a invenção de uma nova língua portuguesa – Nuku, Mazé, Deix’ós, Bat’Chapa – carregada de sentimento de rua e de rebelião! Musicalmente, todo o álbum está bastante mais consistente, com os riffs precisos e um baixo a ganhar cada vez mais vida e influência. E também com vontade de incluir novos sons. Nuku da Europa entra por campos do ska e do reggae, Bat’Chapa aumenta consideravelmente a dose de peso numa linha mais hardcore e o tema título, melhor momento já criado pelos Chapa Zero, mostra-se em linhas de blues e ska. Pelo meio, a aventura de fazer uma versão eletrizada de Zumba na Caneca, tema tradicional popularizado pela Tonicha. A prova que para os Chapa Zero a música assenta no punk, mas não que ter, obrigatoriamente amarras fixas. E é essa liberdade que faz de Fia-te na Virgem e Não Corras um disco que merece toda a atenção.

Tracklist:
1.      Zé Faísca
2.      Chapa Gasta
3.      Tens a Mania
4.      Nuku da Europa
5.      Vão Mazé Trabalhar
6.      Zumba na Caneca
7.      O Fim da Noite
8.      Deix’ós Falar
9.      Fia-te na Virgem e Não Corras
10.  Bat’Chapa

Line-up:
Kaveirinha – vocais e guitarra ritmo
Marco António – guitarras e coros
Nuno Amaro – bateria e coros
Filipe Rodrigues – baixo e coros

Internet:
Facebook   

Edição: A Moca da Foca