terça-feira, 30 de outubro de 2007

Review: His Last Walk (Blessthefall)


Norte americanos, jovens, com um nome já relativamente estabelecido nos EUA onda já compartilharam o palco com nomes como Norma Jean, Between The Buried And Me ou Misery Slaves, e assumindo, claramente, que as suas influência navegam entre Alexis On Fire, Underoath ou As I Lay Dying, os Blessthefall apresentam-nos o seu primeiro álbum depois de um EP homónimo editado em 2005. His Last Walk mostra-nos como é possível fazer metal actual, agressivo, pleno de técnica e com diversidade qb. De facto o quinteto do Arizona prima por uma abordagem aos seus temas que partindo, eventualmente, de uma base de heavy metal tradicional (ouça-se Rise Up ou Wait For Tomorrow), se encaminha para algo que poder-se-ia chamar de post-hardcore. Com uma base rítmica muito dinâmica em que as harmonias criadas pelas guitarras se realçam, os Blessthefall, não tem qualquer problema em alterar ritmos, alterar ambiências ou em alterar instrumentos, recorrendo a guitarras acústicas ou pianos ou criando atmosferas psicadélicas com igual intensidade. A já citada Rise Up e Pray serão talvez os melhores exemplos da capacidade de construir canções verdadeiras envoltas em melodias simples mas agradáveis e vestidas por arranjos algo complexos, situação pouco usual neste tipo de sonoridade. A destoar, só mesmo a parte vocal, nomeadamente no sector limpo onde se nota ainda alguma infantilidade não atingindo, neste particular, a qualidade que a generalidade do trabalho apresenta.


Line Up: Craig Nabbit (vocais), Eric Lambert (guitarra), Mike Frisby (guitarra), Jared Warth (baixo), Matt Traynor (bateria)



Tracklisting:
A Message To The Unknown
Gyus Like You Make Us Look Bad
Higinia
Could Tell A Love
Rise Up
Times Like These
Pray
Eyes Wide Shut
Wait For Tomorrow
Black Rose Dying
His Last Walk

Edição: Science/Ferret Music (www.ferretstyle.com)

Nota VN: 15,33 (68º)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Review: Gambling With The Devil (Helloween)



Markus Grosskopf e Michael Weikath são os únicos dois sobreviventes da lendária banda que lançou míticos álbuns como Walls Of Jericho ou as duas partes de Keeper Of The Seven Keys em finais dos anos 80 do século passado. Longe vão, pois, os tempos áureos de uma das bandas mais importantes do speed/power metal. As sucessivas alterações de formação terão estado na origem dos altos e baixos que a carreira dos Helloween tem sofrido ao longo do tempo. Neste seu regresso em 2007, as abóboras parecem querer recuperar o seu estatuto e a sua sonoridade. A tentativa falhada de Keeper Of The Seven Keys-The Legacy ou álbuns pouco convicentes como The Dark Ride ou Pink Bubbles Go Ape ou Master Of The Rings fazem com que os Helloween sejam... o Belenenses da música! E, de facto, um dos grandes mas graças à sua história. Todavia, não parece ainda ser em Gambling With The Devil que os germânicos criam um álbum à altura das exigências dos fãs. Claro que não se pode estar à espera que os Helloween fiquem toda a vida a fazer álbuns como os citados no início da crónica. Já lá vão cerca de 20 anos e muita coisa mudou na música, nos fãs e, obviamente, na própria banda. Mas é precisamente neste ponto que começa por falhar a proposta (ou as últimas propostas) do colectivo: o compromisso entra a velha forma de ser Helloween e a tentativa de introduzir novos elementos não tem resultado. E volta a não resultar, apesar da evidente melhoria em relação ao seu antecessor. Dos onze temas (exclui-se a introdução) de Gambling With The Devil nem metade é digna do legado Helloween. E o álbum nem começa mal: Kill It é um tema forte, gritado, utilizando, pontualmente, vocais sujos criando a ilusão de umas abóboras mais fortes que nunca; de seguida, The Saints poderia perfeitamente estar em Helloween ou Walls Of Jericho pela combinação de velocidade supersónica, longos e técnicos solos e melodia fantástica. Mas, a partir daí surge-nos um rol de banalidades, de temas não mais que interessantes, com excepção de algumas malhas à lá Helloween como Final Fortune, Dreambound ou Heavens Tells No Lies e por solos (aqui sim!) de grande qualidade. De realçar, também, que a qualidade do trabalho é prejudicada por uma produção deficitária onde os vocais estão muito baixo em relação aos restantes instrumentos, perdendo-se alguma compreensão das linhas melódicas vocais. Por outro lado, existe muito ruído impedindo uma boa percepção de todo o trabalho instrumental.


Nota VN: 15,67 (49º)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Review: The Butcher's Ballroom (Diablo Swing Orchestra)


Que dizer de um grupo que inclui na sua formação um violoncelista e uma soprano? Pois bem, que, muito provavelmente andarão próximo do metal sinfónico. Nem mais! Os suecos Diablo Swing Orchestra são descendentes (??) de elementos de uma orquestra que há cinco séculos atrás foram assassinados e, eventualmente, encontraram uns escritos que os levaram a formar este colectivo. Independentemente de parecer (e, muito provavelmente, ser) uma história de encantar, o que é certo é que The Butcher’s Ballroom, tem tudo para se transformar numa das melhores estreias do ano. Claramente aconselhados para fãs de Therion ou de Haggard, muito por força da potente capacidade operática da soprano Annlouice Loegdlund mas também por alguns fabulosos arranjos para cordas (em temas como Heroines, por exemplo). Aliás, diga-se que grande parte da imponência deste material resulta da superior capacidade vocal da Sra. Loegdlung, detentora de um verdadeiro vozeirão, atingindo registos quase inimagináveis. De resto, ao longo do álbum o metal vai eliminando barreiras com qualquer coisa que seja música: big bands, mariachis, jazz, flamenco, passo doble, de tudo se pode aqui ouvir, num catálogo impressionante de diversidade, criatividade e variedade. Depois, o colectivo mostra-se muito certinho e consciente do que fazer. Não alinhando em grandes devaneios técnicos, os temas valem, essencialmente, pela composição, arranjos e pela já citada prestação vocal. Ballrog Boogie, com uma espectacular secção de metais, a delirantemente dançável Wedding March For A Bullet, com o melhor desempenho de Loegdlund ou Porcelain Judas nas suas influências orientais são alguns dos melhores exemplos de um álbum divertido, criativo e sóbrio que coloca, para já, os Diablo Swing Orchestra num patamar de destaque no que diz respeito ao metal sinfónico.


Nota VN: 17,33 (13º)